Brazil Forum UK
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Em Londres, Dilma afirma que PT manterá candidatura de Lula à Presidência

Em evento sobre Brasil na London School, ela voltou a sustentar inocência de ex-presidente, criticou Joaquim Levy, seu ministro da Fazenda, e disse que 'infelizmente' assinou a lei que instituiu a colaboração premiada

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 18h07
Atualizado 06 Maio 2018 | 03h53

LONDRES - O Partido dos Trabalhadores (PT) vai sustentar a posição de inocência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manter seu nome como o indicado para a eleição de outubro deste ano, de acordo com a ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo ela, não há plano B dentro da legenda.

“Querem que o PT tire Lula do jogo e coloque outro candidato. Isso faz parte de um processo de golpe, mas vamos sustentar a posição de inocência de Lula, o PT vai sustentar a posição de inocência de Lula”, afirmou em Londres, onde encerra o primeiro dia do Brazil Forum UK. Para a ex-presidente, Lula participará do pleito, no mínimo, como uma referência. “Ele é a ideia de unidade das forças progressistas no Brasil”, resumiu.

Dilma também disse que conversou com Jacques Wagner sobre ele ter declarado que o PT poderia compor chapa com outro partido. “Ele me disse que não falou aquilo”, relatou. Em tempos normais, segundo a ex-presidente, o PT deve cogitar apoiar outro partido, até para que haja outros candidatos em outros momentos. “Mas esta não é a posição do partido neste momento e o Jacques Wagner disse que não é a dele também”, afirmou.

Em discurso de duas horas, a potencial candidata ao Senado disse que a intenção é que ela e Lula façam como “nas Olimpíadas” e passem o bastão para a nova geração. Segundo ela, vão surgir lideranças de “vários lugares”. A intenção, explicou, é transferir a responsabilidade para alguém com 40, 50 ou 60 anos. “Porque nós temos 70, né, querido?”

Neste momento, era para ser iniciado o momento de perguntas e respostas para a plateia, mas o mediador é que havia feito o questionamento sobre Wagner e alguém do público gritou “passa”, no sentido de passar o microfone aos participantes do evento. Dilma entendeu, porém, que ele estava se referindo a ela passar o bastão adiante e respondeu: “Passo não, querido, estou em plena forma. Enquanto Lula estiver preso, não passo bastão de jeito nenhum”. 

Ex-ministro

Na ocasião, Dilma também teceu comentários sobre Joaquim Levy, o economista que nomeou como ministro da Fazenda para o seu segundo mandato. Em sua avaliação, Levy não estava à altura do cargo naquele momento. Ela fez a afirmação em Londres ao ser questionada sobre o possível arrependimento de ter escolhido o ex-executivo do grupo Bradesco para assumir a função. Levy foi ministro de janeiro a dezembro de 2015.

Em sua resposta, Dilma salientou que o ministro chegou depois que a crise financeira internacional de 2008 e 2009 começou a respingar no Brasil. Na ocasião, lembrou, a avaliação era de que o governo conseguiria conter os principais impactos. Dilma argumentou que, além de avaliar que Levy talvez não estivesse preparado, também começava a se desenrolar o processo que culminou em seu impeachment à frente.

“O golpe não começa quando eu levo o golpe, mas antes”, disse, acrescentando que o Parlamento ficou contra as ações do Executivo. “Fiquei sozinha, e Deus, baixando o spread”, afirmou. Ela também disse que queria aprovar a CPMF, mas que a elite brasileira não quer esse imposto porque é uma ótima ferramenta para fiscalizar a evasão.

Durante a apresentação, que no total durou duas horas, Dilma também criticou a Fiesp, dizendo que a instituição quer benefícios, mas não a responsabilidade na hora da contribuição. “Aproveito a educação, o subsídio, mas não quero pagar o pato. E o pato o que é? Imposto. Esta é a ideia que está por trás do pato amarelo”, argumentou.

Dilma diz que 'infelizmente' instituiu delação

A presidente cassada Dilma Rousseff disse no último sábado, 5,  que “infelizmente” assinou a lei que instituiu a colaboração premiada - n.º 12.850, de agosto de 2013. “Infelizmente - vou começar assim - infelizmente eu assinei a lei que criou a delação premiada, mas foi assinada genericamente, sem tipificação exaustiva e poderia virar arma”, afirmou Dilma em Londres, onde fez o encerramento do Brazil Forum UK, um seminário anual que trata de temas brasileiros.

Na apresentação, prevista para durar 45 minutos mas que se estendendo por duas horas, Dilma ressaltou que a partir da instituição da colaboração premiada “começa o processo de maior investigação do Brasil”. A presidente cassada, ponderou, entretanto, que o instrumento acabou se voltando contra os governos petistas. “Utilizaram o que construímos contra nós”.

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