Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em livro sobre o impeachment, Renan diz que senadores serão julgados pela 'história'

No texto, Renan afirma que todo o processo de impeachment é 'longo e penoso', mas que, no fim, a crise política mostrou que o País tem instituições fortes e a nossa democracia 'reafirmou-se robusta'

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2016 | 17h49

BRASÍLIA - Na apresentação de um livro sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), diz que caberá à "história" julgar o desfecho do processo, prega mudanças na legislação do impeachment e defende que o País faça um novo plebiscito para adotar o parlamentarismo como regime de governo.

No texto, Renan afirma que todo o processo de impeachment é "longo e penoso", mas que, no fim, a crise política mostrou que o País tem instituições fortes e a nossa democracia "reafirmou-se robusta".

Em uma autodefesa, o presidente do Senado - que responde a quase uma dezena de inquéritos na Operação Lava Jato - rebateu as críticas de que seria aliado de Dilma e comparou a sua atuação com a do então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. "Procurei me pautar, na Presidência do Senado Federal, pela isenção, imparcialidade recomendada aos magistrados. Alguns intérpretes, mais adeptos da ligeireza do que da clareza, imputavam-me o favorecimento, ora de um lado, ora de outro. Sempre tive lado e nunca dissimulei. O meu lado foi o da legalidade", disse.

Ao pregar mudanças na legislação que define o rito do impeachment, disse que a Lei 1.079, de 1950, é "intrinsecamente desestabilizadora". "É imperioso que aprimoremos essa legislação e abdiquemos do jeitinho brasileiro quando tratamos do futuro das instituições nacionais", afirmou.

O livro, de 668 páginas, é uma edição de luxo, que foi distribuída para senadores, universidades e jornalistas. De capa dura e papel couchê, a publicação traz a íntegra de todos os discursos dos seis dias de julgamento de Dilma - inclusive as discussões que houve em plenário.

Além dessa publicação, o Senado também produziu outro livro, de 350 páginas, sobre a sessão da admissibilidade do impeachment, que durou cerca de 20 horas. A Casa imprimiu 2,5 mil exemplares. Somando os dois títulos, gastou cerca de R$ 120 mil.

Reforma política. No livro, o presidente do Senado também defendeu a reforma política, com o fim das coligações proporcionais e com uma discussão sem "preconceitos o modelo de financiamento de campanhas", e afirmou ser preciso mudar o sistema de governo atual. "O parlamentarismo é capaz de respostas mais ágeis. O dito presidencialismo de coalizão - ou colisão - agoniza à luz do dia e o País não pode ser condenado a ficar escravizado a um plebiscito realizado há mais de duas décadas", disse.

Por fim, o peemedebista defende a importância da publicação como um registro histórico. "É um documento público, sem pretensões literárias ou filosóficas, que busca apenas consignar tudo que foi dito pelos juízes (senadores), pela Defesa e pela Acusação. O juiz de todos nós será a História."

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