Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

Em live, Bolsonaro se esquiva de pergunta sobre pressão de Braga Netto por voto impresso

‘A resposta está na nota dele’, afirma presidente ao ser questionado durante transmissão nas redes sociais

André Shalders, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2021 | 20h57

BRASÍLIA – O presidente da República Jair Bolsonaro evitou nesta quinta-feira, 22, responder a perguntas sobre a pressão exercida pelo ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto, pela adoção do voto impresso nas eleições de 2022. Questionado sobre o assunto durante sua tradicional transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro se esquivou da pergunta e se limitou a reafirmar o conteúdo de uma nota divulgada pela Defesa na manhã desta quinta

“Olha, a resposta está na nota dele (Braga Netto). Na nota dele está feita a resposta, ok? Muito obrigado pela pergunta”, disse Bolsonaro. Na nota, Braga Netto nega apenas ter pressionado pelo voto impresso por meio de um interlocutor — mas não negou ter ameaçado a realização das eleições de 2022 caso o voto impresso não seja adotado. O texto da Defesa também insiste na defesa do voto impresso. “A discussão sobre o voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítima, defendida pelo Governo Federal, e está sendo analisada pelo Parlamento brasileiro”, diz um trecho. 

Ao contrário do que costuma fazer quando confrontado por reportagens da imprensa, Bolsonaro também não usou impropérios ou palavrões ao comentar o assunto — limitou-se a reforçar a manifestação do Ministério da Defesa. 

Pouco antes, em outro momento da live, o presidente voltou a dizer que houve fraudes e “interferências” nas eleições de 2014 e 2018. E disse que apresentará as “fragilidades” da urna até a próxima quinta-feira, dia 29 de julho. “Na quinta-feira da próxima semana nós vamos mostrar, esclarecer, das fragilidades do sistema e do que aconteceu no segundo das eleições de 2014. Se você vai poder acreditar ou não nesse sistema de votação. É muito comum quem está no poder arranjar uma maneira de se perpetuar no poder. Eu estou fazendo o contrário. Eu quero eleições limpas, transparentes”, disse ele. 

“Se a senhora pudesse colocar mais uma tranca na sua casa, a senhora botaria ou não? Eu acho que botaria. É mais segurança. Nós queremos fazer com que o sistema eletrônico de votação seja confiável e ninguém tenha dúvidas do resultado final. Por que estão contra?”, insistiu o presidente.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não há registro de fraude comprovada envolvendo a urna eletrônica desde que ela foi adotada, nas eleições municipais de 1996.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.