Bolsonaro pede a apoiadores que retirem postagens contra Aras: ‘Deem uma chance’

Parte dos bolsonaristas vê no subprocurador escolhido para a PGR proximidade com a esquerda e leniência com a corrupção

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 20h25
Atualizado 06 de setembro de 2019 | 10h09

BRASÍLIA e SÃO PAULO – Após críticas à indicação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República, o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo para que os apoiadores apaguem comentários negativos e “deem uma chance” para ele.

O presidente justificou que “não basta apenas alguém que combata a corrupção” para a escolha do substituto de Raquel Dodge, mas também é preciso ter um alinhamento com o governo em questões ambientais, econômicos e de comportamento.

“Peço a vocês, vá no Facebook, você fez um comentário pesado, retira. Dá uma chance para mim. Você acha que eu quero colocar alguém lá (na PGR) para atrapalhar a vida de vocês? Não é”, disse Bolsonaro em transmissão ao vivo na rede social.

Ele demonstrou incômodo com a repercussão negativa e afirmou que pelo menos 20% dos comentários em suas redes socais nas últimas horas são contra a indicação de Aras. Ele disse que vai evitar acompanhar os comentários daqui para frente.

“Pessoal que votou em mim, tem pelos menos 20% falando que acabou a esperança dele, que vai votar no (Sérgio) Moro em 2022. Pessoal, atire a primeira pedra quem não cometeu um pecado. Eu tinha que escolher um nome”, justificou.

Bolsonaro disse, ainda, que sua convivência com apoiadores ficará ruim se “continuarem atirando”. “Eu devo lealdade ao povo, mas não é essa lealdade cega”, afirmou o presidente.

A escolha de Aras, que quebra uma tradição de 16 anos ao optar por um nome de fora da lista tríplice eleita por membros do Ministério Público Federal, desagradou seguidores bolsonaristas na internet.

Parte da base de apoiadores do presidente vê no subprocurador proximidade com a esquerda, leniência com a corrupção e distância da Lava Jato. O tema chegou a ser o assunto mais comentado no Twitter entre brasileiros, e alguns apoiadores chegaram a falar em “suicídio político” e fim da “última esperança” na política.

O presidente defendeu que Aras “tem posição serena nas questões que impactam”, destacando a área ambiental, avaliada como “importantíssima”. “Sabemos que alguns do Ministério Público não podem ver uma vara de bambu sendo cortada que já processam todo mundo. Como ficaria alguém que tivesse visão muito radical na questão ambiental? como ficaria o homem do campo?”, questionou.

Bolsonaro também defendeu a importância da PGR para viabilizar o avanço da área de infraestrutura. A pasta é comandada por Tarcísio de Freitas, que apoiou o nome de Aras. “Não queremos um chefe do MPF que pode fazer tudo, mas também não queremos aquele que não pode fazer nada”, declarou.

Para Bolsonaro, a função de comandar a PGR é “tão difícil" quanto a Presidência da República. Ele disse que, nas decisões do STF, o procurador-geral não vota, mas, ao proferir sua posição, é “como se fosse o primeiro voto sobre determinadas questões”. Ele considerou também que o PGR precisa marcar sua posição nessas votações.

“Quero uma pessoa que ajude o Brasil. Quando fala em questão ambiental, que faça o casamento do desenvolvimento com a preservação do meio ambiente. Que em posições críticas que o Supremo faça, ele dê o seu parecer. O parecer ajuda para um lado ou para o outro. É, vamos assim dizer, o primeiro voto, que não vale, o procurador não vale, mas o primeiro voto sobre aquela questão”, declarou.

‘Se não acreditar, eu caio mais cedo e o PT volta’, diz Bolsonaro

Mais cedo, o presidente parou para conversar com apoiadores em uma grade em frente ao Palácio da Alvorada, em que também comentou a escolha de Aras. Ele reclamou das críticas. “Eu to recebendo muita crítica de gente que votou em mim. Se não acreditam em mim e continuarem fazendo esses trabalhos de não acreditar, eu caio mais cedo e mais cedo o PT volta”, disse o presidente.

Segundo Bolsonaro, a escolha de Aras se justifica pois “o universo era pequeno”. Ainda de acordo com o presidente, Aras era a melhor escolha, pois as opções que propunham combate mais acirrado à corrupção não concordavam em outras questões. “Um radical (no combate à corrupção) que é favorável à ideologia de gênero, fim da família, essas patifarias todas que estão aí. Isso eu não vou fazer.” / JULIA LINDNER, TULIO KRUSE, GABRIEL WAINER e PEDRO CARAMURU

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.