Reprodução/Facebook
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‘Se algo estiver errado, que paguemos’, afirma Bolsonaro

Em transmissão na internet, presidente eleito comenta caso que envolve movimentações atípicas de ex-assessor de seu filho; ‘dói no coração’, diz ele

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 21h10
Atualizado 13 de dezembro de 2018 | 11h57

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira, 12, que, se tiver “algo errado” no caso que envolve movimentações financeiras “atípicas” de ex-assessor de um de seus filhos, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), “que paguemos a conta”. Bolsonaro, no entanto, disse que nem ele nem Flávio são investigados no caso. A declaração foi feita em transmissão nas redes sociais.

O caso envolve depósitos em espécie recebidos por Fabrício José Carlos de Queiroz, que até o ano passado trabalhava no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Se algo estiver errado, que seja comigo, com meu filho, com o Queiroz, que paguemos a conta desse erro, que nós não podemos comungar com o erro de ninguém”, disse. “Aconteça o que acontecer, enquanto eu for presidente, nós vamos combater a corrupção com todas as armas do governo, inclusive o próprio Coaf”, acrescentou ele, em referência ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que relatou a movimentação “atípica”.

O presidente eleito disse que está “aberto” a qualquer pergunta do público sobre o caso. “Dói no coração da gente? Dói, porque nossa maior bandeira é o combate à corrupção.”

A transmissão foi a primeira de Bolsonaro em um mês, em sua página oficial no Facebook. Na live desta quarta-feira, 12, disse que a partir desta semana fará transmissões semanais. 

Bolsonaro também comentou temas como multas ambientais, o Acordo Climático de Paris e a saída do Pacto Global de Migração – anunciada nesta semana. O presidente eleito disse que fará sugestões de mudança no Acordo de Paris após consultar o ministro indicado para o Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Caso as propostas não sejam acatadas, disse, o Brasil sairá do acordo. Ele justificou sua resistência ao pacto citando exigências de que o País faça reflorestamento de grandes territórios, e disse que sediar a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP-25 – outro compromisso do qual o País se retirou – custaria cerca de R$ 400 milhões, o que ele considerou muito caro. 

“Não podemos nos dar ao luxo de fazer um evento como esse. As informações que eu tenho podem estar um pouco imprecisas, mas entre as exigências do Acordo de Paris se exige que se faça reflorestamento de uma área enorme, algumas vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. Nós não temos como cumprir”, disse. 

Sobre a saída do pacto migratório, Bolsonaro disse que não poderia “escancarar” a entrada de imigrantes “com uma cultura completamente diferente” no Brasil. Ele questionou a “cota migratória” e disse que países da Europa teriam a intenção de “se livrar” de imigrantes indesejados. “Não podemos admitir deixar chegar gente de uma determinada cultura e quererem se casar com nossas filhas e netas de 10, 11 ou 12 anos de idade. Porque isso é cultura deles”, disse, sem especificar nacionalidades. 

Bolsonaro lembrou que é descendente de italianos, mas deu a entender que processos migratórios anteriores teriam ocorrido antes da formação de uma “nação”. “A minha família mesmo é de imigrantes italianos, como todos nós aqui somos. Mas tem um detalhe: (hoje) nós já somos uma nação, uma pátria, somos um País.”

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