Em linha oposta a Serra e Aécio, Goldman critica conduta de Palocci

Em seu blog, ex-governador de São Paulo adota discurso ácido para comentar evolução patrimonial de ministro e o acusa de exercer 'tráfico de influência' no governo

Daiene Cardoso, da Agência Estado

18 de maio de 2011 | 16h12

Enquanto o ex-governador José Serra e o senador Aécio Neves, principais estrelas do PSDB, evitaram atacar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre sua multiplicação patrimonial nos últimos anos, o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, acusou um dos principais assessores da presidente Dilma Rousseff de exercer "tráfico de influência" no governo. Em seu blog, Goldman admite que participar de atividades privadas durante o mandato parlamentar é "perfeitamente lícito", mas que Palocci "não é uma figura qualquer".

"Ao fazer o papel de consultor privado nesses últimos anos não apenas usou de seus conhecimentos adquiridos, o que seria legal e moralmente aceitável, mas usou de sua influência sobre um governo que, mesmo fora dele, ainda em parte comandava. Fez, no papel de deputado e de líder de fato do governo Lula, tráfico de influência", diz o tucano em texto publicado nesta quarta-feira, 18.

Goldman aproveitou para cobrar esclarecimentos do ministro. "A não ser que os serviços que prestou através de sua empresa nada tenham a ver com o governo federal. Para isso deve informar para quem prestou os serviços e quais foram. Caso contrário não haverá dúvidas quanto à sua conduta aética", emendou.

Na opinião do ex-governador, o enriquecimento de Palocci em poucos anos não pode ser encarado de forma natural. "Enriquecimento assim, tão rápido, dessa forma, não é aceitável em um homem público que hoje dirige o mais importante ministério do governo Dilma", concluiu.

No primeiro comentário sobre o episódio, publicado nessa terça-feira, 17, o tom das críticas eram mais amenos. "Sempre fui contra qualquer prejulgamento. Não se deve condenar ninguém antes do devido processo legal. Muito menos execrá-lo antes de termos a certeza de sua culpa. E ainda assim, para cada crime existe uma pena. E a execração pública não é algo que me seduz", justificou. Em seguida, Goldman defendeu uma investigação antes de o caso ser encerrado e lembrou o episódio envolvendo a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. "Para mim, isso já basta para definir o caráter do ministro. E não o desculpo, de forma nenhuma", disse.

Aliado de Serra, Goldman é cotado para ocupar a secretaria-geral do diretório nacional do PSDB. Diferentemente dos outros tucanos, o ex-governador tem o costume de ser duro com os adversários e incisivo em suas críticas.

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