Dida Sampaio
Dida Sampaio

Em jantar com Temer após indicação de Aloysio, PSDB celebra entrada no 'núcleo decisório' do governo

Aécio Neves defendeu recriação de aliança permanente entre peemedebistas e tucanos no âmbito do governo federal

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2016 | 14h18

BRASÍLIA -  Horas de depois da confirmação oficial da indicação do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) para liderança do governo no Senado, integrantes da cúpula do PSDB se reuniram na terça-feira, 31, para um jantar com o presidente em exercício, Michel Temer. Os tucanos comemoraram a escolha de Aloysio e viram a iniciativa de Temer como uma chancela para integrarem o "núcleo decisório" do governo interino. A escolha do senador para a liderança do governo foi comunicada pessoalmente, por Temer, na véspera do jantar, ao presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). 

O encontro ocorreu no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer, e da parte do governo também estiveram presentes o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o presidente interino do PMDB, senador Romero Jucá (RR). O único da bancada do PSDB do Senado que não participou do jantar foi o senador Antônio Anastásia (MG). O mineiro considerou que não seria conveniente se reunir com Temer no momento em que é o relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa.

Com a palavra no jantar, Aécio defendeu a recriação de uma aliança permanente entre os peemedebistas e os tucanos no âmbito do governo federal."Queremos alicerçar um novo centro político PSDB-PMDB. O PSDB não veio para ser coadjuvante. Se fosse para sê-lo ficaríamos apenas no camarote vendo tudo acontecer. Mas não é isso. Acreditamos que a indicação de Aloysio para a liderança do governo será um elo para trazer o PSDB para o centro decisório do governo Temer", ressaltou Aécio ao Estado. 

O discurso do senador mineiro foi encampado também pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) que esteve presente na reunião. "No encontro, tivemos a oportunidade de mostrar a importância do gesto do Aloysio como fator de integração e participação do PSDB no núcleo central e decisório do governo. O fato é que nós fomos dormir no centro da oposição e acordamos, no dia seguinte ao impeachment, na periferia do governo. Muitas vezes você ser centro da oposição é melhor do que ser periferia de governo", ressaltou Cunha Lima.

Apesar dos discursos de um alinhamento com o PMDB no âmbito nacional, tanto Aécio quanto o líder do PSDB no Senado consideraram que ainda é cedo para se falar em uma aliança formal para a disputa presidencial de 2018. Cunha Lima minimizou, contudo, a mudança do discurso adotado pelos tucanos que inicialmente ressaltavam que não indicariam nenhum representante da legenda para participar do governo Temer. 

Além da liderança do governo, o PSDB conta hoje com o comando de três ministérios de peso: Justiça (Alexandre de Moraes), Cidades (Bruno Araújo) e Relações Exteriores (José Serra). "Não foi o partido que impôs ou indicou o Aloysio ou os ministros, foi uma escolha do presidente Temer. Essa é uma construção que se faz no dia a dia como num matrimônio", afirmou o líder do PSDB.

O tucano não desconsiderou, por outro lado, o surgimento de possíveis desgastes com o fato de o PSDB levar, a partir de agora, o carimbo do governo do PMDB. "Fica com carimbo, sem dúvida. Para usar uma expressão bastante conhecida o risco que corre o pau, corre o machado. Mas não é hora de pensar em projeto partidário ou pessoal. A situação do País exige que todos nós assumamos riscos. Tem um risco enorme é inegável, o PSDB paga um preço por isso, mas acima de tudo isso está o Brasil", defendeu. 

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