Werther Santana|Estadão
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Em jantar com cúpula do PMDB, Maia não descarta reeleição em primeiro turno na Câmara

Segundo fontes que estavam no evento, o deputado fluminense acredita que terá uma "votação expressiva" e poderá repetir o feito do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Erich Decat, Daniel Weterman e Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2017 | 11h13

Brasília - Em jantar realizado na noite desta terça-feira, 24, na residência oficial do Senado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez um balanço otimista da disputa à reeleição para o comando da Casa. Segundo relatos de pessoas que estavam presentes ao jantar, o deputado, que ainda não formalizou candidatura, não descartou a possibilidade de vencer no primeiro turno. A escolha dos membros da Mesa Diretora da Casa está marcada para o dia 2 de fevereiro

Na mesa estavam nomes de peso do governo e do PMDB, entre eles o presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE) e o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), Moreira Franco.

Mais cedo, em entrevista à Rádio Jovem Pan, o presidente da Câmara disse que não tem dúvidas sobre a legitimidade jurídica de uma eventual candidatura e que agora precisa apenas finalizar a articulação política e a construção de uma plataforma com propostas. Ele também comentou que sua capacidade de diálogo o gabarita para pensar na reeleição.

"Quando eu tiver terminado a composição partidária e as viagens, aí vai estar no momento de tomar a decisão final", disse, afirmando que está conversando com partidos e com parlamentares individualmente sobre a possibilidade da candidatura.

Segundo fontes que estavam no jantar, o deputado fluminense acredita que terá uma "votação expressiva" e poderá repetir o feito do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), eleito para o comando da Casa, em 2015, no primeiro turno com 267 votos. Aliados já contabilizam mais de 290 votos a favor de Maia para o comando da Casa.

O número, de acordo com interlocutores, não leva em conta os votos do PT, que ainda não decidiu oficialmente que candidato apoiará na disputa. Aliados apostam que a maioria da bancada do PT, a segunda maior bancada da Câmara, deve apoiá-lo. Dos 57 deputados petistas, aliados do presidente da Câmara contam com cerca de 30 votos. Os outros, na avaliação desses interlocutores, devem apoiar André Figueiredo (PDT-CE).

Já no PCdoB, outro partido da oposição, aliados de Maia calculam ter votos de 10 dos 12. Pelas contas deles, apenas as deputadas Jandira Feghali (RJ) e Alice Portugal (BA) não devem votar no parlamentar do DEM. Já da Rede, esperam votos de 2 dos 4 deputados: Aliel Machado (PR) e João Derley (RS).

Avalia-se que o número de votos a favor da reeleição de Maia pode chegar a até 400 deputados. Tal otimismo tem como base o fato de Maia conseguir na reta final reunir boa parte das principais bancadas da Câmara.

O jantar oferecido por Renan ocorreu poucas horas depois de o deputado fluminense se encontrar com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), em Belo Horizonte.

Na ocasião, o senador afirmou que Maia "se credenciou" para ser o candidato dos tucanos. Na véspera das declarações, Aécio esteve reunido com Temer, no Palácio do Planalto, para tratar da indicação do PSDB para a Secretaria de Governo, cargo considerado estratégico pelos tucanos, uma vez que integra o núcleo duro do governo.

Além do apoio do PSDB, também está no radar de Maia e da cúpula do governo uma possível desistência do deputado Rogério Rosso (PSD-DF) da disputa pelo comando da Câmara. Rosso convocou uma coletiva para o final da manhã desta quarta-feira para se pronunciar sobre o futuro de sua campanha.

Acomodação. Presente no encontro, o líder do PMDB, senador Eunício Oliveira (CE), também fez um balanço de sua candidatura à presidência do Senado. Segundo relatos, ele ressaltou aos presentes que tudo "tem corrido bem". O senador desembarcou em Brasília no começo da semana e tem realizado várias reuniões com integrantes de diferentes bancadas para fazer os "acertos finais".

De acordo com aliados, entre as estratégias que o senador deverá colocar em prática, para consolidar a candidatura, está a de "abrir mão" de espaços na Mesa para o PSDB e o PT.

Com 20 senadores, no entendimento dos peemedebistas, o partido, pela proporcionalidade, poderia ficar com a presidência e com a primeira vice-presidência. Esse segundo posto deverá ser entregue, contudo, ao PSDB, que deverá indicar o nome do atual líder, senador Cássio Cunha Lima (PB).

Podendo ficar com a terceira pedida, o PMDB também pretende ceder a escolha para o PT, que deverá indicar um nome para a primeira-secretária do Senado, responsável pela parte administrativa da Casa. Para o posto, os petistas devem indicar o nome do senador José Pimentel (CE). Após acomodar o PSDB e o PT na mesa diretora, o PMDB pretende ficar com a segunda-vice-presidência.

Divisão 

Entre os nomes cotados para assumir a vaga na Mesa como segundo vice-presidente está o da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e do senador João Alberto (PMDB-MA). Na divisão dos principais cargos entre os integrantes da bancada, o senador Renan Calheiros deverá assumir a liderança do PMDB e o senador Raimundo Lira (PMDB-PB) a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) principal colegiado da Casa. (Erich Decat)

Entrevista. Questionado pela Jovem Pan sobre a legalidade de uma reeleição, Maia afirmou que está convencido de que, do ponto de vista legal, não há nenhum obstáculo. "Do ponto de vista jurídico, não tenho nenhuma dúvida. Aquilo que não é vedado, está autorizado", disse.

Ele afirmou que o amparo legal consta em pareceres jurídicos e decisões análogas em tribunais de Justiça, como no caso de reeleição de presidentes de tribunais. "O problema agora é político, por isso tenho me fixado na construção de alianças para que possamos, numa reta final, consolidar o projeto e eventualmente lançar a candidatura", falou.

Para Maia, sua capacidade de diálogo e harmonia se consolidam como principal ponto que o gabaritam para pensar em reeleição. "Minha capacidade de diálogo, responsabilidade e respeitar o espaço de cada deputado, dos partidos, das minorias, essa é a base que o Brasil precisa de um presidente da Câmara."

Ele disse ainda não acreditar que o ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato, esteja influenciando deputados para barrar a reeleição. "Não sei, não faço ideia, não tenho visto mas também não acredito que isso esteja acontecendo."

Na entrevista, Maia afirmou que não acredita em atrasos nas investigações da Operação Lava Jato e no trabalho do Congresso após a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Ele defendeu independência em cada um dos poderes para que não haja atrasos. 

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