Em jantar, ministros e advogados debatem decisão de Moro

Fontes presentes na comemoração relatam que o tema comum de conversa era a tentativa de 'achar uma solução' para a crise

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2016 | 06h18

Na semana marcada pelo vazamento da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e pela condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor na investigadores da Lava Jato, o assunto frequente em conversas na festa de aniversário de um dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) era a preocupação com os rumos políticos do País. Luís Roberto Barroso, ministro da Corte desde 2013, reuniu um grupo seleto de amigos, que incluiu ministros, advogados e assessores em sua residência em Brasília na noite do último sábado para comemorar o aniversário, em evento organizado pela mulher dele.

Fontes presentes na comemoração relatam que o tema comum de conversa era a tentativa de “achar uma solução” para a crise e garantir a estabilidade das instituições. O jantar contou com a presença dos ministros Teori Zavascki, Luiz Edson Fachin – que junto com o aniversariante formam o time dos mais recentes a integrar a Corte – e Marco Aurélio Mello, além do ex-ministro Ayres Britto. “Eu pessoalmente estou muito preocupado com a quadra vivenciada”, relatou Marco Aurélio, sem comentar a avaliação dos colegas.

O anfitrião se manteve “alegre e reservado”, na visão de um amigo, e evitou os assuntos polêmicos. Desde que seu voto sobre o rito do impeachment foi vencedor e seguido por maioria no Supremo, o ministro tem se mantido longe de discussões públicas sobre o caso. Mas o processo de impeachment, que pode ser retomado a partir da próxima semana na Corte, e as ações de investigação eleitoral da campanha presidencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foram debatidos por ministros e advogados. A possibilidade jurídica de inclusão das delações premiadas colhidas no âmbito da Lava Jato na ação de impugnação de mandato que corre na Corte eleitoral foi uma das teses debatidas. O tema divide opiniões.

Zavascki, relator da Lava Jato no Tribunal e, portanto, o responsável pela futura homologação dos depoimentos de Delcídio que indicam o nome da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, manteve o habitual silêncio sobre as investigações. Em outra roda, no entanto, um dos ministros do STF criticou em conversa reservada com convidados decisão do juiz Sérgio Moro de autorizar a condução coercitiva de Lula: “ou prende preventivamente ou faz a intimação”, disse.

Na ponta oposta, criminalistas elogiaram a declaração pública de Marco Aurélio Mello, que criticou a condução “debaixo de vara” de um ex-presidente. Elogios ao ministro, mas críticas ao representante da categoria: os advogados desaprovaram posicionamento do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, que disse não ver problemas na condução coercitiva. Parte dos ministros da Corte estava em viagem no final de semana, razão pela qual Lewandowski, presidente do Tribunal, e dias Toffoli, por exemplo, não compareceram.

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