Em guerra com PMDB, PSDB vai ao conselho

Em reação, Renan ameaça entrar com representações contra Virgílio

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2009 | 00h00

O PSDB protocolou ontem três representações no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Nas representações, os tucanos alegam que Sarney faltou com o decoro parlamentar, o que pode levar à cassação de seu mandato. Em represália à decisão dos tucanos, o PMDB ameaça entrar com representações no conselho contra o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O PSOL promete entrar hoje com nova representação contra Sarney. "Estamos avaliando esse quadro. Ainda não há uma decisão. Estamos digerindo as representações do PSDB", disse ontem a deputada Íris Araujo (GO), presidente em exercício do PMDB. Ela afirmou ter conversado sobre o assunto com o presidente licenciado do PMDB, deputado Michel Temer (SP). "Temos de ouvir os integrantes do partido", argumentou Íris. Há dois dias, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), garantiu ao Estado que "nunca cogitou" entrar com representação contra tucanos.As três representações protocoladas pelo PSDB poderão levar Sarney a perder o mandato parlamentar definitiva ou temporariamente. Além disso, o relator da representação poderá propor seu afastamento do cargo de presidente do Senado.Mas, com maioria esmagadora no Conselho de Ética, ele dificilmente sofrerá algum tipo de punição. Dos 15 integrantes, 10 são declaradamente favoráveis a Sarney. Além disso, o presidente do conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), tem poderes para mandar arquivar as representações e denúncias. Na primeira representação, o PSDB pede a abertura de processo sob a alegação de que "nada menos do que 18 atos secretos, portanto ilegais, beneficiaram parentes, ou adotaram medidas que, de alguma forma, favoreceram, direta ou indiretamente, o senador José Sarney". Em outra ação, cita reportagem do Estado para justificar a representação, na qual José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, aparece como um dos operadores de esquema de crédito consignado a funcionários do Senado. Na terceira representação, o PSDB aponta as denúncias envolvendo a Fundação José Sarney e a transferência de recursos da Petrobrás para a entidade. Nessa representação, também argumentaram que Sarney teria mentido sobre sua responsabilidade administrativa em relação à fundação.O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), contou que Renan conversou com ele ontem e anteontem pelo telefone. Segundo ele, o peemedebista não lhe propôs em nenhum momento um acordo para que o PSDB não entrasse no conselho em troca de o PMDB não retaliar Virgilio. "Renan me disse que era um conciliador. Eu também sou um conciliador, mas acho que a conciliação deve ser feita no Conselho de Ética. Esse é o melhor caminho para o Senado resolver a crise", resumiu Guerra. O contra-ataque do PMDB visa a atingir Virgílio, que já confessou ter empregado funcionário fantasma em seu gabinete, além de ter usado 3,3 mil do ex-diretor do Senado Agaciel Maia, em 2005, quando estava em viagem a Paris com a família. Os peemedebistas também ameaçam protocolar outras representações contra senadores que estão defendendo a renúncia de Sarney da presidência do Senado. Seria o caso de Tião Viana (PT-AC), cuja filha gastou mais de R$ 14 mil de telefone celular do Senado em uma viagem ao México, no início do ano. O PSOL pretende protocolar hoje nova representação contra José Sarney, por ter omitido à Justiça Eleitoral uma propriedade de R$ 4 milhões, desvio de R$ 500 mil da Fundação José Sarney e o fato de o senador ter afirmado que não teria responsabilidade sobre a fundação.

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