Em Goiânia, Cachoeira vive 'dia de folga'

Justiça do Distrito Federal revogou na última terça a prisão provisória imposta ao contraventor

Rubens Santos, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2012 | 17h24

GOIÂNIA - Solto após decreto da Justiça do Distrito Federal, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, passou esta quarta-feira, 21, seu primeiro dia fora da prisão, com a família - a mulher e seus três filhos. Cachoeira estava preso há 9 meses, acusado por envolvimento na Operação Monte Carlo, que desarticulou a organização que explorava máquinas de caça-níqueis em Goiás.

Segundo o advogado de Cachoeira, Nabor Bulhões, "hoje ele está de folga". "Não vamos tratar de nenhum processo, só amanhã", disse por telefone ao Estado.

A Justiça do Distrito Federal mandou soltá-lo no início da noite de terça-feira. A juíza Ana Cláudia Barreto, da 5ª Vara Criminal de Brasília, revogou a prisão provisória imposta ao contraventor a partir da Operação Saint Michel, que apurou tentativa de fraude a licitação no governo local.

Na manhã desta quarta, o contraventor tomou café da manhã encomendado pela mulher em casa, junto do filhos. "A cesta (com café da manhã) foi pedida pela mulher dele, a Andressa", disse o entregador.

A libertação foi motivo de festa em vários pontos da cidade de Anápolis, a 64 quilômetros de Goiânia, onde mora a família de Cachoeira: "Se Deus quiser, vou dar um abraço nele hoje", disse Sebastião Almeida Ramos, o pai do contraventor.

"Eu vou dizer pra ele: eu te amo", disse sua mulher, na porta do presídio.

50 Anos. Quem não tirou folga foi Daniel Salgado, o procurador da República, quem denunciou o bicheiro à Justiça Federal de Goiânia (GO), por formação de quadrilha, corrupção ativa, violação de sigilo e outros 14 crimes.

"Ele solto é um risco", disse Salgado em entrevista coletiva. "Pois há possibilidade de rearticulação do grupo".

A liberdade de Cachoeira, no entanto, está sob ameaça do juiz Alderico Rocha Santos, da 5a. Vara criminal da Justiça, onde tramita a Ação Penal (089/2011). A previsão de condenação, segundo a Justiça Federal, deve ser anunciada antes do Natal.

"Somadas todas as penas, ele (Cachoeira) pode ser condenado a, no mínimo, 50 anos de prisão", disse o procurador.

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