Em gesto de marketing, Renan pede que MP o investigue

Investigações contra parlamentares só são feitas por determinação do STF

Denise Chrispim Marin, do Estadão

11 de julho de 2007 | 22h15

Num gesto mais de marketing do que prático, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que há 45 dias alega inocência em um processo de investigação movido pela Casa, pediu na segunda-feira que o Ministério Público Federal o investigue. Investigações contra parlamentares só são feitas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Suspeito de ter suas despesas pessoais pagas pelo lobista da construtura Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, o presidente do Senado reiterou sua versão de que o Conselho de Ética não vai investigar sua atuação, mas já o condenou previamente. Até o momento, alardeia ele, esse organismo não teria ainda apresentado uma acusação formal. "Minha vida é limpa. Eu quero saber do que me acusam. Por isso, pedi a investigação. É impossível tirar um presidente do Senado sem ter uma acusação formal contra ele.", afirmou Calheiros a jornalistas, no Itamaraty, onde participou do almoço oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à governadora-geral do Canadá, Michaëlle Jean. "O que me respalda é a verdade. Tenho a convicção que a verdade está comigo. Senão, eu não estaria aqui", rebateu, ao ser questionado se o suporte para manter-se no cargo vem da Palácio do Planalto.Naquele momento, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), saiu em seu socorro. Quando o senador voltou a reiterar que seus adversários do senador "terão de sujar suas mãos" para tirá-lo da Presidência da Casa, Chinaglia foi mais contundente e completou: "de sangue". "Não se trata de sujar as mãos no sentido da corrupção, como parece que alguns interpretaram", explicou. "Renan quer dizer: faça a acusação, não use a mão do gato, assuma essa briga de frente. Já que a disputa é política, não suje suas mãos, apresente as armas", desafiou Chinaglia.ApelaçãoCalheiros explicou que sua apelação ao Ministério Público foi motivada pela condenação prévia que recebeu da oposição e da imprensa. Em sua defesa, reiterou que apresentou ao Conselho de Ética cópias autenticadas dos cheques e notas fiscais autenticados de pagamentos feitos por gado comercializado, que confirmariam renda suficiente para bancar suas despesas pessoais. Refutou ainda as acusações de que teria alterado sua própria declaração de Imposto de Renda IR), depois de denúncias publicadas, e de que teria um bicheiro como sócio."Chegaram a me acusar de ter anistiado a cervejaria Schincariol de pagar milhões de reais em IR. Não tenho tal poder. Sou um mísero pagador de impostos."

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