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Em Genebra, Amorim admite que está de saída do Itamaraty

Chanceler cita valorização do Mercosul e a relação comercial com a China como pontos altos de seu trabalho

Jamil Chade/GENEBRA, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 19h43

GENEBRA - O chanceler Celso Amorim deixou escapar que pode estar mesmo terminando seu mandato à frente do Itamaraty, depois de oito anos consecutivos no comando da diplomacia brasileira.

 

Nesta segunda-feira, 22, ao iniciar um discurso na Organização Internacional do Trabalho (OIT), Amorim afirmou que sua participação no evento seria uma espécie de "despedida" de Genebra. Ele, porém, logo emendou. "Pelo menos por enquanto", afirmou o chanceler, que já havia sido embaixador em Genebra antes de ser ministro.

 

Mais tarde, questionado por uma jornalista estrangeira se ficaria no governo na gestão de Dilma Rousseff, apenas respondeu: "Eu não sei. Não posso fazer nenhum comentário a respeito disso. Não estou formando nenhum gabinete, somente o meu, que não estou formando, mas sim desfazendo", completou.

 

Ainda nesta segunda, Amorim assinou acordo com a OIT abrindo espaço para que o Brasil coopere no setor humanitário. Mas seu discurso foi uma espécie de resumo dos oito anos de sua política externa.

 

Pregando "tolerância" nas relações com outros governos, o chanceler insistiu que o "mais difícil tem sido quebrar barreiras mentais".

 

Para ele, esse tem sido um dos maiores obstáculos em fazer avançar a agenda das relações entre os países do Sul.

 

Mentalidade colonial

 

"Quando o Mercosul foi criado, muitos perguntavam porque é que perdíamos tempo com a Argentina. Defendiam que teríamos de lidar com Estados Unidos e Europa e que apenas estávamos juntando as pobrezas de dois países. Hoje, ninguém questiona a importância do Mercosul. O mesmo ocorreu quando criamos a Unasul. Chegaram a me perguntar porque é que eu me preocupava tanto com a América do Sul. Ainda temos uma mentalidade colonial", afirmou. "Se não quebrarmos barreiras mentais, não avançaremos", concluiu.

 

Para ele, a cooperação entre países em desenvolvimento tem sido um dos carros chefe da diplomacia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que tem rendido reconhecimento internacional. "Isso porque não temos preconceitos", disse. "Quando iniciamos nossas relações com os países árabes, eram verdadeiras placas tectônicas que se moveram", disse.

 

"Quando Lula começou a viajar pela África, as pessoas diziam que ele perdia seu tempo e que deveria ir para Washington, Bruxelas e Paris. Ele foi. Mas foi para a África também", insistiu Amorim, que indicou que o continente africano é hoje o quarto maior parceiro comercial do Brasil.

 

O chanceler garantiu ainda que o Brasil sempre quis ter uma "boa relação com o Norte". "Não estabelecemos cooperação com o Sul para confrontar o Norte", garantiu.

 

Mas não deixou de criticar. "Doadores não só dão dinheiro. Dão ordens também. Precisamos acabar com essa ideia de doadores e recipientes. Somos parceiros", disse.

 

China lidera exportações

 

O chanceler ainda lembrou que, nos oito anos do governo Lula, os Estados Unidos perderam a liderança na relação comercial com o Brasil. O maior destino hoje das exportações nacionais é a China, seguida pela vizinha Argentina. "Os Estados Unidos estão em um honroso terceiro lugar", disse, sem esconder uma ponta de orgulho por mudar uma situação que se prolongava por décadas e que parecia imutável a curto prazo.

 

Para completar, ainda defendeu a política de manter o diálogo com países para garantir a melhoria dos direitos humanos, uma das bandeiras levantadas por ele e o presidente Lula nestes oito anos.

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