Em gafe, presidente atribui pacto PMDB-DEM a Serra

Em campanha por vacina contra gripe, Lula afirma que o governador ajudou a firmar o acordo em São Paulo

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

26 de abril de 2008 | 00h00

Dois dias após o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) anunciar a intenção de apoiar o governador José Serra (PSDB) em 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu ontem um ato falho e atribuiu ao tucano a articulação da aliança entre DEM e PMDB para disputar a Prefeitura de São Paulo. Ao lado de Serra durante uma visita a um posto de vacinação em São Bernardo do Campo, Lula deixou escapar a afirmação enquanto buscava minimizar o impacto do acordo na unidade da base aliada do governo. "O fato de o Serra ter feito uma aliança para as eleições municipais está dentro do tempo e do prazo porque, daqui a alguns meses, teremos eleições para prefeito", disse Lula, sem esconder a irritação por ser questionado sobre o possível enfraquecimento da base. "Pensar em fazer aliança para 2010 em 2008, na minha opinião, é quase uma questão de insanidade. Não tem lógica a não ser a lógica da especulação."Sacramentado na última quinta-feira, o acordo entre DEM e PMDB foi recebido por aliados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) como uma manobra apoiada por Serra para forçá-lo a desistir de disputar a eleição deste ano. Serra, que não escondeu o desconforto diante da gafe do presidente, preferiu se ater a temas como a campanha de vacinação, o combate à dengue e o caso da menina Isabella, assassinada no fim do mês passado, em São Paulo.Lula, que foi vacinado contra a gripe junto com a primeira-dama Marisa Letícia, disse que a eleição municipal não é sua prioridade. Acompanhado dos ministros Luiz Marinho (Previdência) e José Gomes Temporão (Saúde), este último filiado ao PMDB, ele ressaltou que a base está "se mantendo tranqüilamente". "A unidade da base se dá no Congresso Nacional. É para isso que nós fizemos aliança política. Não tenho nenhum compromisso com nenhum partido político e não pedi a nenhum partido político compromisso para 2010. Até porque, em 2010, não sou candidato."MINAS Na ocasião, Lula evitou comentar a aliança entre o PT e o PSDB em Minas Gerais, articulada pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). "Este é um problema do presidente (do PT), Ricardo Berzoini e do prefeito Pimentel. Eu sou presidente da República", disse. O presidente aproveitou para reiterar a promessa de não subir no palanque em cidades onde a base não estiver unida em torno de um único candidato. Ainda assim, não disfarçou a preferência pelo nome do ministro Luiz Marinho para a disputa em São Bernardo do Campo, seu berço político.Questionado sobre qual será seu candidato na cidade, Lula devolveu: "Precisa perguntar?". Ele também deixou claro que pretende ajudar o ministro na campanha. "O Marinho merece qualquer sacrifício da minha parte", disse o presidente. Mas, após ser lembrado que PT e PSB estão em lados opostos na cidade, corrigiu: "Aí, é para discutir. Vamos ver".

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