Em Fortaleza, Luizianne deve trocar vice do PT por primo de Cid

A chapa encabeçada pela prefeitaLuizianne Lins (PT), candidata à reeleição na capital do Ceará,vai ganhar um novo vice. Raimundo Ângelo (PT), presidente dodiretório municipal de PT, deverá ser substituído pelopresidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Tin Gomes(PHS), primo do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). A demora na indicação tem gerado desgaste à campanha daprefeita, que segue há quase um mês praticamente sem materialimpresso para ser distribuído e sem a presença da candidata nasatividades de rua. Previsto para esta segunda-feira, o anúncio do novo vicenão aconteceu. O tema foi discutido apenas internamente durantea instalação do Conselho Político da coligação "Fortaleza CadaVez Melhor", composta por 12 partidos. Tin Gomes não esconde seu descontentamento com o adiamentoda decisão. Presente à reunião, ele disse que iria cobrar umadecisão. "Acho que este assunto deverá ser decidido nestareunião. Minha campanha está parada e preciso de uma definiçãologo", afirmou, minutos antes de iniciar o encontro. Quase no mesmo momento, no entanto, o atual candidato avice deixava claro aos jornalistas que a decisão sobre oassunto não sairia daquela reunião. A própria Luizianne Linsnão compareceu ao encontro porque, segundo sua assessoria,estaria indisposta. E, ao final, não houve declaraçõespúblicas. Agora, especula-se que o comunicado será feito na próximaquinta-feira, durante a inauguração do novo comitê de campanhada coligação, localizado na Aldeota, bairro nobre da capital. A indicação do vice da prefeita caberia ao PSB, uma vez queo PT apoiou Cid na campanha a governador. Entretanto, a quedade braço entre uma ala da sigla que queria indicar o nome de umsocialista histórico e a ala ligada ao governador Cid Gomes,que deseja seu primo Tin Gomes, e mais uma certa resistênciadentro do partido petista, devido ao histórico político de Tin,identificado com o antigo prefeito peemedebista JuraciMagalhães, têm adiado indefinidamente a decisão. A confusão acabou por obrigar o PT a indicar um nome de suaconfiança, no caso, o do presidente municipal do partido,Raimundo Ângelo, para compor a chapa em caráter provisório, atéque os socialistas chegassem a um acordo. A novela do vice se arrasta desde a data da convenção doPT, realizada no dia 29 de junho, e já motivou um processo decassação do registro da candidatura de Luizianne Lins e de seuvice, pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O MPE argumentou suspeita de fraude na elaboração da ata daconvenção, afirmando que o nome do vice, que só foi anunciadooficialmente dois dias após a convenção partidária, foicolocado posteriormente na ata, sem ter sido homologado pelosconvencionais. O pedido de impugnação feito pela promotora Ednea Teixeira,no dia 14 de julho, foi rejeitado na última quarta-feira pelojuiz eleitoral Evaldo Leite. O MPE já entrou com recurso contraa decisão e a ação agora será julgada pelo Tribunal RegionalEleitoral (TRE). Caso Tin Gomes seja confirmado, Cid Gomes ganha a queda debraço emplacando na vice de Luizianne um político de suaconfiança, mas que não integra o PSB. Comenta-se nosbastidores, que, para compensar os socialistas, o acordopassaria por um compromisso da prefeita, em, se eleita,Luizianne apoiaria um vereador do PSB para presidir a CâmaraMunicipal de Fortaleza. Enquanto isso, os demais candidatos vão tomando a dianteirado processo eleitoral, como é o caso de Moroni Torgan (DEM) eda senadora Patrícia Saboya (PDT), que já iniciaram asatividades de corpo-a-corpo.Na única pesquisa feita até agora sobre a eleição em Fortaleza,realizada pelo Instituto Vox Populi e divulgada em 15 de julho,Moroni aparece com 30 por cento, seguido por Luizianne com 26por cento e Patrícia Saboya com 21 por cento. A margem de erroda pesquisa era de 3,7 pontos percentuais. Moroni disputa pela terceira vez a prefeitura, tendo sidoderrotado em 2004 por Luizianne no segundo turno. Patrícia está na segunda campanha, sendo que na primeiraela não chegou ao segundo turno. A senadora recebe o apoio dosenador tucano Tasso Jereissati e do deputado Ciro Gomes (PSB),seu ex-marido, e irmão do governador Cid Gomes.

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