Em Fortaleza, comportamento de prefeita pode prejudicar aliança do PT com PSB

Prefeita insiste em indicar candidato para a disputa. Governador quer indicar outro nome

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

19 de março de 2012 | 15h05

Acusada pelos aliados de tentar impor o nome do candidato governista na eleição de Fortaleza, a prefeita Luizianne Lins (PT) está no centro de mais um foco de conflito nos partidos da base da presidente Dilma Rousseff. PSB e PMDB ameaçam romper a aliança se a petista persistir no comportamento "autoritário".

 

No PSB, o ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, irmão de Cid, é o porta-voz da tese da candidatura própria. "Há necessidade de um debate sobre a cidade, que tem apresentado péssimo desempenho em educação e saúde e está afundando os indicadores do Ceará. A Luizianne quer interditar o debate e controla do PT de Fortaleza como um coronel. Eu acho que o PSB deveria lançar um candidato e fazer um debate profundo sobre Fortaleza no primeiro turno. Mas a última palavra é do Cid e eu acato. Não vejo problema em apoiar o PT, desde que a prefeita não queira impor um continuísmo silencioso", diz Ciro.

 

Preterida pelo PT em 2004, mas mesmo assim vitoriosa, e reeleita em 2008, Luizianne está mais uma vez em desacordo com parte da legenda. Muitos petistas, somados a socialistas e peemedebistas, reclamam da insistência da prefeita em emplacar a candidatura do secretário municipal de Educação, Elmano Freitas. O governador Cid prefere o secretário estadual das Cidades, Camilo Santana, petista de sua confiança.

 

Elmano, Camilo e outros três petistas são pré-candidatos à prefeitura. Procurada pelo Estado, a prefeita não respondeu ao pedido de entrevista. Luizianne tem dito que, como presidente do PT cearense, não manifesta preferência por nenhum pré-candidato.

 

Enquanto o diálogo com o PT não avança, Cid Gomes fechou acordo com o PMDB. O governador e o senador Eunício Oliveira, principal líder do PMDB no Estado, acertaram que estarão unidos na disputa municipal, seja qual for o desfecho das negociações com o PT. "Não tenho plano B porque não esgotei o plano A, que é a aliança entre PMDB, PSB, PT e PC do B, sem ninguém impor nada. Tenho compromisso de correção e lealdade com o governador, estamos aliançados e definimos condições mútuas. Queremos dialogar com o PT, mas não vamos impor nada nem queremos que o PT nos imponha. Se quiserem impor, eu e Cid vamos estar juntos e o candidato poderá ser do PSB ou do PMDB", diz Eunício, que tem planos de disputar o governo do Ceará em 2014.

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