Em festa natalina, nada de trégua a adversários políticos

Lula festeja e dança, mas não poupa prefeito de SP

, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro ontem que Natal não é sinônimo de trégua com adversário político. Após meses de convivência pacífica com vários líderes da oposição, ele trocou a agenda diplomática da manhã, ao lado do presidente francês Nicolas Sarkozy, por críticas ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Ao participar pelo sexto ano consecutivo de um encontro de Natal com moradores de rua e catadores de lixo na capital paulista, Lula pegou carona nos ataques feitos por líderes do Movimento Nacional da População de Rua e emendou: "Eu confesso que eu achava que, em São Paulo, as coisas estavam andando bem, porque eu falei, da outra vez que vim aqui, com o prefeito. E, pelo que estou vendo, as coisas não aconteceram". E continuou: "É um descalabro as pessoas não respeitarem um ser humano apenas porque ele é pobre". Lula fazia referência ao discurso proferido minutos antes por Anderson Lopes, integrante do movimento que acusou a prefeitura paulistana de comandar ações para "expulsar" os moradores de rua da cidade. A prefeitura evitou polemizar. Disse, por meio de sua assessoria, que Lula foi "induzido ao engano por equívocos" dos líderes do movimento.No discurso, o presidente avisou que planeja uma reunião com prefeitos no início do ano que vem. Desta vez, garantiu, a pauta de reivindicações será entregue por ele aos prefeitos, não o contrário, como de costume. Independentemente dos ataques, não faltou disposição a Lula. Em mais de uma ocasião, ele arrancou risos da platéia. "Se tem alguém que tem motivo para jogar sapato no presidente são vocês. Vocês viram aquele sapato que jogaram no Bush? Imagine se tivesse chulé", afirmou, em uma dessas ocasiões, ao afirmar que percebe as dificuldades enfrentadas pelos moradores de rua e catadores. Lula cantou, batucou e até dançou na quadra.E, na saída, chamou a atenção mais uma vez. Cerca de uma dezena de veículos da comitiva presidencial simplesmente ignoraram a placa de contramão da Rua Silveira Martins, no centro da cidade, bastante conhecida dos tripulantes dos veículos, já que é endereço da sede do Partido dos Trabalhadores.

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