Em festa de aniversário, Lula pede eleição de Dilma de presente

'No próximo, estarei comemorando as eleições dela', disse, depois de lembrar que lei não permite campanha

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

24 Outubro 2009 | 12h56

Presidente assopra vela em comemoração organizada pelo PT

Repetindo o gesto dos últimos anos, o PT fez na manhã deste sábado, 24, uma festa em frente ao Palácio da Alvorada para comemorar os 64 anos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva completa na próxima terça-feira. Ao final da comemoração, Lula disse que espera ganhar de presente, no ano que vem, a eleição da ministra Dilma Rousseff, no primeiro turno.

 

"No próximo aniversário meu, se Deus quiser, estarei comemorando as eleições dela", disse o presidente. O primeiro turno é em 3 de outubro e o segundo, em novembro. Em rápida entrevista, Lula lembrou que não podia falar sobre candidatura porque "estava fora da época eleitoral e a legislação não permite, nem em sonho que eu possa fazer pensamento positivo para a Dilma, antes da convenção partidária e antes dela se afastar do governo". Lula pediu ainda que a campanha do ano que vem seja "civilizada" e "compreensível para a sociedade".

 

Nem Dilma, nem qualquer outro ministro compareceu à festa. Apenas o vice-presidente José Alencar, os ex-ministros Olívio Dutra (Cidades) e Agnelo Queiroz (Esportes).

 

Pouco mais de cem pessoas foram para o Alvorada para a festa do presidente, que segundo o partido, custou R$ 5 mil, entre aluguel de duas tendas para os convidados, banheiros químicos e um bolo branco com estrelas vermelhas, símbolo do partido. Em rápido discurso, Lula agradeceu a homenagem e lembrou que aquelas pessoas ali presentes eram muito importantes para ele. Lembrou que "no auge da crise de 2005" - referência ao período do Mensalão - elas iam todas as noites para a entrada da Granja do Torto, esperavam ele chegar e prestavam solidariedade.

 

Muito emocionada, uma das presentes, Mariana Tupinambá, quase chorou ao pegar o microfone para dizer que no ano que vem o Brasil irá "perder um grande presidente", mas o mundo irá ganhar um grande líder".

 

Foi a segunda vez que a Banda do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) foi convocada para se apresentar em festas presidenciais. No sábado passado eles foram ao Palácio do Jaburu para cantar "Parabéns Pra Você" para o vice-presidente José Alencar, que completava 78 anos. "Somados, temos aqui quase 140 anos de experiência a serviço do Brasil", brincou Lula, antes de partir o bolo. O presidente ganhou do vice Alencar um estojo com um jogo de pôquer. "Agora eu vou rapelar o Zé Alencar. Tudo o que ele ganhou na Coteminas, eu vou tirar dele", brincou o presidente.

 

Vice-presidente presenteia Lula com jogo de pôquer."Agora eu vou rapelar o Zé Alencar."

 

Dos convidados ganhou duas garrafas de cachaça e uma bola, entre outros presentes. "Espero estar vivo para que no ano que vem possa comemorar meu aniversário do ultimo ano da minha presidência aqui no Brasil", afirmou.

 

Sempre ao lado de D. Marisa, Lula, suado, depois de abraçar e beijar os convidados e tirar inúmeras fotos com eles, disse que espera que o Brasil cresça 5,5% no ano que vem. Indagado sobre os pedidos que faria de aniversário, respondeu: "Um pedido que faço é para que as coisas transcorram com muita normalidade e que o Brasil cresça muito bem no ano de 2010".

 

E emendou: "se nós conseguirmos crescer mais ou menos 4,5%, 5% ou 5,5 %, isso significa que a crise definitivamente acabou no Brasil e que a gente pode ter alguns anos de crescimento contínuo, e estabelecer, na prática, aquilo que o Banco Mundial está dizendo, que em 2016 o Brasil poderá ser a quinta economia mundial. Se isso acontecer é tudo que o povo brasileiro precisa e quer.

 

Membros da banda do Batalhão da Guarda Presidencial homenageiam o presidente

 

Pediu ainda que o Brasil tenha em 2010 um ano de tranqüilidade, lembrando que será ano de eleições. "Nós vamos ter eleições e é sempre momento extraordinário de consagrar a democracia no País. Mas é importante que as campanhas sejam civilizadas, que sejam com interesse de politizar a sociedade, e que a campanha seja feita, em um nível compreensível para a sociedade, de que vale a pena a gente ter campanha a cada dois anos no Brasil", comentou, brincando que está feliz "porque completa 64 anos, com muita saúde, muita disposição, me sentindo um menino de 63 anos".

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