Em evento no Rio, Lula critica black blocs

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira, 17, os manifestantes mascarados que têm promovido atos de vandalismo durante manifestações pelo país. Ele esteve no Rio à noite, para o lançamento do "Mapa Estratégico do Comércio 2014-2020" pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), no hotel Copacabana Palace, na zona sul da cidade.

WILSON TOSTA, Agência Estado

18 de outubro de 2013 | 00h06

Em discurso que durou uma hora e meia, o presidente advertiu para os perigos da desqualificação da política, que ele considera uma ameaça à democracia. Lula não se referiu nominalmente aos black blocs, como é chamado esse grupo de mascarados que promovem depredações, mas afirmou que é necessário fazer um debate sobre as mudanças no país. "Fiz muito movimento de rua, mas nunca coloquei uma máscara porque nunca tive vergonha do que fiz", afirmou.

"Sabe uma coisa que me assusta? É a facilidade que as pessoas têm para falar mal da política. Nunca neguem a política. Esses que seguem trabalhando contra a política decerto não têm noção de que não existe saída fora da política. Quando não tem isso, vem o fascismo, o nazismo, a ditadura. Então, a política é essencial", continuou. "Acho que não devemos ter medo do debate. A sociedade foi para a rua, ótimo. Ninguém era mais eloquente do que Hitler. Precisamos fazer tudo o que tem de ser feito neste país de forma democrática", concluiu.

Lula afirmou que em 1978 era "ignorante" por dizer que não era político, não gostava de política nem de quem gostava de política. O ex-presidente citou a frequência de manifestações no Rio e elogiou o governador Sérgio Cabral (PMDB). Segundo Lula, nunca foram feitas tantas obras no Estado do Rio como durante o atual governo.

O ex-presidente também fez um balanço otimista dos últimos dez anos de governo, citando números que mostram crescimento econômico e expansão de serviços públicos. "Não tem país com tantas obras licitadas como tem aqui. Falo de boca cheia. Aqueles que duvidarem deste país vão quebrar a cara. Este país só não dará certo se o azedume prevalecer na análise política e as pessoas não acreditarem em sua capacidade".

O discurso do ex-presidente foi repleto de piadas e brincadeiras. Ele exortou a plateia, composta por muitos empresários do comércio, a ser otimista com o país e ter uma atitude semelhante àquela que ele e outros integrantes tiveram em Copenhague quando o Rio foi anunciado sede da Olimpíada de 2016.

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