Sergio Neves/AE
Sergio Neves/AE

Em época de campanha aparecem 'picaretas', alerta Lula

Presidente diz que nunca deixou de atender prefeitos e governadores com base na filiação partidária

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

26 de junho de 2009 | 14h43

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou nesta sexta-feira, 26, que em época de eleições aparecem "picaretas" pretendendo "fazer de coisa séria um trampolim para a campanha". "Eu gostaria que entre nós prevalecesse apenas o compromisso da verdade, da mais absoluta verdade e somente a verdade", disse a cerca de 3,5 mil pessoas, a maioria pescadores, que se reuniram no Centro de Eventos de Itajaí, no litoral de Santa Catarina, a cerca de 80 quilômetros de Florianópolis.

 

Segundo ele, nenhum governador ou prefeito poderá dizer que, nos quase sete anos de mandato, deixou de fazer alguma coisa em razão da filiação partidária da autoridade. "O que vale para fazer uma coisa é saber primeiro se a obra é necessária e, segundo, se tem projeto que pode ser concluído", acentuou. Por isso, pediu que a verdade prevaleça sempre. "Porque está chegando a época da campanha e começam a aparecer alguns picaretas neste país querendo fazer de coisa séria um trampolim para campanha", ressaltou. "E não é possível a gente permitir isso."

 

Durante a sanção da Lei de Pesca e Aquicultura, Lula pediu que o ministro da Pesca e Aquicultura - pasta criada oficialmente ontem -, Altemir Gregolin, faça uma campanha de conscientização para que os pescadores sejam realmente beneficiados. "Não tem coisa mais triste que a gente brigar, disponibilizar dinheiro para alguma coisa e, depois que passam três, quatro, cinco ou seis meses, a gente perceber que aquela coisa não aconteceu", disse.

 

Lula não perdeu a oportunidade de criticar a burocracia da máquina pública num discurso que ele classificou como "desabafo", após cobrança do prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP), para as obras de restauração do porto atingido pelas enchentes no ano passado. "No Brasil, hoje, tem mais gente para não permitir que se faça do que gente para fazer", afirmou. "O Brasil passou quase 30 anos sem dinheiro para investimento e foi destruindo a máquina de execução." Apesar de também se incluir, como constituinte, entre os que contribuíram para isso, ele não deixou de ressaltar os defeitos que vê em seus antecessores.

 

"A máquina de fiscalização é mais eficiente que a de execução porque se estabeleceu neste país a teoria do estado mínimo, de que era preciso privatizar tudo, que o Estado não precisava de nada, que a escola técnica tinha que ser privatizada, que a Petrobras não valia nada, a Vale do Rio Doce não valia nada", afirmou. "Na hora em que predominou essa teoria, o Estado foi desmontado e se criou uma indústria de fiscalização poderosa."

 

Consciente de que a oposição tem feito críticas em razão de atraso em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula tratou de justificar que muitas delas esbarram na burocracia, entre elas a licença ambiental. "Este país foi construído para não funcionar", desabafou. "É preciso que a gente encontre um jeito de permitir que as coisas aconteçam neste país para que a gente possa anunciar uma obra e ela acontecer."

 

Lula disse ao governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que viajará segunda-feira para a Líbia, mas deixará a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que não esteve em Itajaí, incumbida de convidá-lo para tratar da restauração do porto, para o qual o próprio presidente liberou R$ 350 milhões há mais de seis meses. "Eu já estava pensando que vinha aqui para inaugurar e ainda tem problemas, quero saber o que está acontecendo", acentuou o presidente.

 

O presidente destacou, ainda, que estava terminando muito bem a semana que considerou boa. "Deus está olhando um pouco este País, as coisas estão acontecendo e aquelas aves de mau agouro que ficaram torcendo para as coisas não darem certo não sabem o que falar. Estava dizendo ao prefeito que é preciso tomar muito cuidado, pois se a gente permitir misturar a coisa séria com a política do dia a dia é uma das razões pelas quais esse país é atrasado, a gente não dá o salto de qualidade que teria de dar", afirmou.

 

No início do discurso, ao nominar as autoridades, Lula destacou que o público não conhecia alguns deputados porque eles vieram de outros Estados. Mas pediu palmas para todos, alegando que eles ajudaram na aprovação da lei sancionada. "De vez em quando a gente ouve muitas críticas aos deputados, mas se for colocar na balança as coisas ruins e as coisas boas, vai saber que as coisas boas, os que tentam ajudar o governo, são infinitamente maiores que qualquer outra coisa que tem acontecido no Congresso Nacional", disse.

 

O tom eleitoral do evento ficou por conta do presidente da Confederação Nacional de Pescadores, Ivo da Silva, que agradeceu ao presidente a sanção da lei por meio de um verso: "Que o ano de 2010 demore muito para passar/E que os próximos quatro anos passem rápido para o Lula voltar". Foi bastante aplaudido.

 

Antes de deixar o local, Lula disse ter lamentado a derrota do Internacional para a LDU por 1 a 0, mas ficou feliz com a vitória do Brasil, pelo mesmo placar, contra a África do Sul. "Mais feliz estarei quando o Corinthians ganhar, quarta-feira, do Internacional, pela Copa do Brasil. Lá no Rio Grande do Sul (para onde iria depois) eu não posso dizer isso porque vou torcer contra o Internacional. Lá eu tenho que fazer a média, e, para fazer a média, eu tenho que dizer que quero o empate. Eu amo tanto o Corinthians quanto o Internacional que quero o empate, porque o empate desclassifica o Internacional e classifica o Corinthians, mas ninguém perde com isso", brincou.

 

Texto atualizado às 16h26

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2010Lulacampanha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.