Em entrevista, Lula volta a criticar campanha de Serra

Presidente ressaltou a 'desfaçatez' do período eleitoral e ressaltou episódio da bolinha de papel ao dizer que 'povo não merecia aquilo'

Anne Warth e Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

24 de novembro de 2010 | 12h33

SÃO PAULO - No final da entrevista desta quarta-feira, 24, a blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar duramente o episódio em que o candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB), foi atingido por um objeto circular em uma caminhada de campanha no segundo turno, em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, minutos depois de ser atingido por uma bolinha de papel. Segundo Lula, nunca houve tanta desfaçatez em uma campanha. E citou que já havia sido derrotado em três campanhas presidenciais, mas nunca dessa maneira.

Lula disse que não iria falar sobre o assunto na ocasião (reta final do segundo turno da campanha presidencial), mas quando viu "a reportagem e vi a cena patética que estavam montando", pensou que a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), era mulher e não devia lembrar do episódio envolvendo o goleiro Rojas (da seleção do Chile, que fingiu ter sido atingido por um rojão no gramado do Maracanã, no jogo contra o Brasil que valia classificação para a Copa do Mundo), que foi uma mentira. "Eu fiquei decepcionado porque tentaram inventar uma outra história, um objeto invisível que até agora não mostraram. Não precisa disso, gente. O povo não merecia aquilo, aquilo era para culpar o PT, quando na verdade a violência foi o desrespeito ao ser humano". E lembrou que foi por essa razão que disse que Serra tinha que pedir desculpas ao povo brasileiro.

Sofrimento

Ao responder à pergunta de um internauta, Lula disse que o dia em que sofreu mais no exercício da Presidência da República foi no acidente da TAM, ocorrido em São Paulo. "Eu nunca vi tanta leviandade. Eu estava na minha sala, era 6 e pouco, recebi informação de que tinha fogo no Aeroporto Santos Dumont (no Rio), numa sala que tinha móveis novos, muito material plástico e cadeira, fez fumaça negra e suspendeu os voos. Eu estava recebendo essa informação quando entra um companheiro falando de fogo num hangar da TAM em São Paulo. Eu liguei a TV e daqui a pouco fala em 200 passageiros, culpa do governo, a pista, não sei das quantas, aí eu fiquei na minha sala das 19 horas até quase meia noite, cada hora a notícia era pior e o governo carregava 200 mortos nas costas".

Ainda sobre o episódio do acidente da TAM, Lula disse, sem citar o nome do então governador de São Paulo na ocasião, o tucano José Serra: "E o governador (José Serra) correu para ver o incêndio, e acho que eles pensaram, agora sim pegamos o Lula e vamos trucidar. Passa um dia, um dia e meio, e recebo telefonema sobre uma fita feita pela Infraero e que tem uma coisa de um delegado que tinha fita e não queria dar", disse. "Mandei o Tarso Genro entregar, aí eu assisti à fita e tive a sensação de alívio por ter descoberto a verdade, depois que ficou patente que não era problema de pista, que tinha sido um erro", acrescentou. Segundo o presidente, "aquele para mim foi o dia mais triste de 8 anos de mandato. Trouxe pilotos e especialistas para conversar e ninguém falava de erro humano, somente depois, foi o dia mais nervoso e triste da minha vida. Não quero nunca mais que isso se repita".

Depois que falou da tristeza, disse que no exercício da Presidência teve também o lado alegre. "Uma coisa que vocês vão perceber é que fizemos tanta coisa que nem nós sabemos o que fizemos. Estava vendo a campanha na TV e eu ficava nervoso, fui homenageado no Aeroporto de Palmas, uma escola de ensino integral com orquestra e fanfarra para me homenagear. Somente ontem tive ideia de que tem dez mil escolas no país com todos (estudantes) aprendendo música", disse. "Fico imaginando o que será do Brasil daqui a 10 ou 15 anos, será uma coisa estupenda. Menininha estudando violino, flauta, 10 horas estudando na escola e mais 2 estudando música, é possível ter isso em todo o Brasil", acrescentou.

Apesar da afirmativa, disse que o País ainda precisa fazer muito mais, mas seu governo mostrou que é possível fazer. "Eu acho que a eleição da Dilma é uma oportunidade extraordinária de aperfeiçoar. Ela conhece a máquina, vai indicar pessoas leais a ela, obviamente tem que costurar com partidos, eu estarei na arquibancada, torcendo (por ela) e para o Corinthians".

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