Em entrevista, Lula diz que ideologia não afetará relação com Chávez

Ao 'Expansión' de Madri, Lula disse que Brasil faz papel de 'moderador' no continente.

BBC Brasil, BBC

17 Setembro 2007 | 06h25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não vai deixar sua política externa para a América Latina se contaminar pelas diferenças ideológicas em relação ao presidente venezuelano Hugo Chávez.Em uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal econômico espanhol Expansión, o presidente afirmou que o país exerce na região um papel de "moderador em favor da estabilidade política e institucional"."Com a Venezuela, prefiro deixar de lado a orientação ideológica e valorizar o desejo de integração regional", declarou, segundo o diário.A entrevista é publicada no dia em que Lula cumpre agenda de negócios e compromissos de Estado na capital espanhola, Madri.O presidente pediu que os empresários espanhóis - que detêm hoje o segundo maior estoque de investimentos no país, atrás apenas dos americanos - direcionem recursos também para as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), com o qual o governo pretende atrair cerca de meio bilhão de reais para obras de infra-estrutura.Lula defendeu a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dar mais peso à voz dos países emergentes, e descartou que o país queira fazer parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por considerá-la "incompatível" com fóruns como o G-77, que reúne economias emergentes.O presidente elogiou ainda a importância dos países em desenvolvimento nas negociações para liberalização do comércio mundial promovidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC)."Graças ao G-20 (grupo que representa os emergentes na OMC), as potências agrícolas evitamos que as grandes economias decidissem a liberalização deste setor", afirmou o presidente, segundo o Expansión.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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