Em entrevista, Aécio fala de simplificação de tributos

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, pretende resgatar a confiança dos investidores na economia brasileira. "O nosso governo cria um clima mais sereno no mercado", declarou em entrevista ao programa GloboNews Eleições, comandado pela jornalista Renata Lo Prete, noite de sexta-feira, 13.

LUANA PAVANI, Agência Estado

14 Junho 2014 | 13h30

O senador e ex-governador de Minas Gerais também defendeu o que chama de "reorganização do Estado brasileiro". O plano passa por corte de ministérios, ações de redesenho da máquina pública, reforço das agências reguladoras e, assim que for eleito, a criação de uma secretaria para simplificação do sistema tributário. O candidato diz estar trabalhando com vários órgãos e recebendo contribuições de associações comerciais na questão para buscar "a diminuição horizontal da carga tributária."

Ele explicou que o ajuste fiscal será feito, mas não será do dia para a noite. "E o tamanho dele dependerá do desmonte do atual governo vem fazendo. Mas é natural termos uma política fiscal mais austera e mais transparente. O governo atual aposta na maquiagem dos números e isso tem agravado a situação", disse.

No primeiro bloco do programa, Aécio afirmou que o primeiro ano de governo será difícil. "O sentimento dos especialistas é que não teremos um ano fácil em 2015. Economia é expectativa, e a vitória do atual governo gerará expectativa inflacionária, de descontrole fiscal e de absoluta falta de transparência nas contas públicas. A nossa vitória pode trazer a expectativa oposta." Segundo o candidato, a sua eventual vitória poderia gerar "um ambiente de maior serenidade" para "aplicar políticas públicas mais adequadas ao crescimento e ao controle inflacionário."

Entretanto, Aécio diz que não conseguirá trazer a inflação para o centro da meta em 2015. "Isso é um projeto que estamos discutindo com a equipe econômica para dois a três anos". O candidato também falou sobre a retomada do crescimento econômico. "Tenho absoluta convicção que a adoção de novas políticas públicas, a reorganização do Estado brasileiro, o resgate da confiança do investidor nos permitirá sair da lanterna de crescimento da América do Sul (...) que o País não merece". Disse ainda que é preciso reestatizar as empresas públicas, "devolvê-las aos brasileiros."

Quanto aos programas sociais, defendeu que várias das bolsas atuais nasceram no governo FHC e disse que um ponto positivo da gestão Lula foi unificar esses programas. Citou dados de sua gestão no Estado de Minas Gerais para defender meritocracia e eficiência na administração pública federal. "O que for bom desse governo (Dilma), vamos aprimorar."

No segundo bloco da entrevista, tratou da gestão do setor elétrico. Questionado sobre a falta de planejamento na época do governo Fernando Henrique Cardoso, que resultou no apagão de 2001, respondeu que não é advogado de defesa do governo FHC, alegando que o tempo se encarrega de provar isso, mas que na época o foco era controle da inflação, "um objetivo que se sobrepunha a todos os outros", e o período de ausência de chuvas foi grande.

O apagão, admitiu, prejudicou o saldo do segundo mandato do governo FHC. Aécio reconheceu que também há seca agora, mas que, num momento de estabilidade econômica, não houve planejamento. "Ao contrário, a presidente, de maneira populista, fez uma perversa intervenção no setor, que afugentou investidores", explicando que o Tesouro tem de socorrer as distribuidoras agora. Citou que a Cemig perdeu quase um quarto do seu valor "num passe de mágica, por causa de uma canetada" do governo.

"A verdade é que o governo do presidente Lula surfou na bendita herança do governo PSDB. E qualquer que seja o próximo presidente da República vai amargar a maldita herança do governo da presidente Dilma".

Na questão do sistema partidário nacional, o candidato defendeu o resgate da cláusula de barreira. "Sou o único candidato que tem a coragem de dizer aos aliados que se preparem para alcançar o mínimo de representatividade na sociedade para terem funcionamento parlamentar. Porque não quero apenas ganhar a eleição, eu quero governar".

Disse defender cláusula de desempenho, redução do número de partidos, mandato de cinco anos para todos os cargos, voto distrital misto, além de fim da reeleição. E aproveitou para tecer mais uma crítica: "A agenda da presidente é a de uma candidata. A reeleição acabou de ser desmoralizada pela atual presidente da República."

Quanto a denúncias de desvios e corrupção que também envolvem o PSDB, Aécio respondeu que faltam provas e que não é responsabilidade de um partido político. "Respondo pela minha vida, absolutamente correta."

Mais conteúdo sobre:
eleições Aécio entrevista

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.