Em encontro, PT atacará política econômica do governo

O PT vai unir suas principais correntes para atacar a política econômica do governo Lula. A ofensiva contra o Banco Central (BC), presidido por Henrique Meirelles, será o centro da resolução política que o Diretório Nacional deve aprovar no sábado, um dia depois de comemorar os 27 anos do partido em um jantar com o presidente Lula, em Salvador. Lula já foi avisado de que o documento criticará a política monetária e cambial, pedirá mais ousadia na queda dos juros e cobrará da equipe econômica mais sintonia com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na prática, pretende puxar o governo para a esquerda. A reunião em Salvador marca a pré-estréia do 3º Congresso do PT, em julho, quando as correntes em guerra prometem fazer o acerto de contas e discutir os métodos de direção que levaram o partido a uma crise atrás da outra. É por isso que elas têm apresentado teses de contribuição ao debate. E um dos únicos pontos que as une é o bombardeio à taxa de juros. "É posição unânime no PT que a redução de juros tem de ser mais acelerada e mais vigorosa", disse ao Estado um ministro. Ele afirmou, porém, que a crítica "não será fulanizada", ou seja, Meirelles não será atacado nominalmente. Apoiado pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), o ataque ao BC tem vários defensores, de ministros à esquerda petista, passando pelo ex-ministro José Dirceu. Ontem mesmo Aloizio Mercadante (SP), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, disse que o Copom errou ao desacelerar a queda dos juros. "Certamente essa decisão foi errada", afirmou. Apesar das divergências com Dirceu, o ministro Tarso Genro vai em direção quase idêntica quando o tema é economia. No documento Mensagem ao Partido, assinado por ele e mais 216 petistas - incluindo os governadores Ana Júlia Carepa (Pará), Marcelo Déda (Sergipe) e Wellington Dias (Piauí) -, a defesa da mudança na economia é clara. O texto, lançado no site do PT ontem, recomenda "um novo padrão de gestão monetária e cambial", visando ao crescimento e ao emprego, e defende o controle do capital de curto prazo, considerado "apenas especulativo e instável".

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