Em encontro com ruralistas, Campos tenta desfazer resistência contra Marina

Pela segunda vez em uma semana, governador pernambucano participa de evento do setor de agronegócios, que vê com ressalvas a aliança com ex-ministra

Atualizado às 12h55, Beatriz Bulla e Isadora Peron, de O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2013 | 12h09

São Paulo - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), reuniu-se novamente nesta segunda-feira, 18, com representantes do agronegócio, na Sociedade Rural Brasileira, na capital paulista. Na semana passada, Campos também encontrou-se com o setor e tentou minimizar a resistência do setor à ex-ministra Marina Silva, sua aliada. "Tanto eu quanto Marina temos interesse em fazer um diálogo franco, respeitoso com os setores", disse Campos ao deixar o evento.

Nos encontros, o governador vem enfrentando a resistência do setor à ex-ministra em razão das críticas feitas por ela de que o setor desrespeitaria o meio ambiente. "Ele é um bom engenheiro para construir uma ponte entre o agronegócio e a Marina", afirmou o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesario Ramalho, que até o momento vê o nome de Marina como uma "dificuldade a transpor". Campos é o provável candidato do PSB à Presidência em 2014 e a ex-ministra é sua principal aliada.

Ramalho revelou que já fez o convite a Marina Silva para um debate com o setor e pediu que Campos interceda pelo encontro.

"Nessa discussão, vamos vendo que há muitos pontos de convergência. Há muitas pessoas no agronegócio brasileiro que sabem que o valor da sustentabilidade é cada vez mais reclamado", disse Campos ao deixar o evento. O governador voltou a afirmar que a disposição entre os dois, na aliança PSB e Rede, é de dialogar, ainda que não haja consenso em todos os pontos.

Para o governador, o tempo agora é de "escuta" dos setores. Ramalho contou, contudo, que Campos já se dispôs a elaborar uma carta ao setor, com as diretrizes claras do que pretende estabelecer para o agronegócio.

A presidente da União das Indústrias de Cana de Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou que, durante o evento desta manhã, Campos contou que Marina está disposta a dialogar. Caso contrário, defendeu o governador, se colocaria na posição cômoda de "só jogar pedras", contou a presidente da Unica. "Como houve algumas declarações da Marina de que o agronegócio era retrógrado, foi positivo ele vir ouvir o setor", comentou a dirigente. Para Cesario Ramalho, a dificuldade do setor com Marina só será vencida "se ela não radicalizar".

O evento contou com cerca de 40 participantes, como os representantes da Bayer, Odebretch Agro e Unica, dentre outros integrantes do setor. Nesta tarde, Campos terá encontros com banqueiros e empresários em São Paulo.

Tudo o que sabemos sobre:
Camposagronegócio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.