Em encontro com Lula, Renan não quer discutir licença

Presidente e senador se reúnem nesta terça; Planalto avalia que saída de Renan facilitará votação da CPMF

Christiane Samarco,

18 de setembro de 2007 | 10h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), têm encontro marcado para esta terça-feira, 18, no Palácio do Planalto, mas a discussão sobre uma licença da presidência do Congresso ou eventual viagem de férias do senador deverão ficar fora da pauta. A despeito dos apelos públicos de correligionários, líderes do governo e de partidos da base aliada, para que Renan saia de cena e facilite a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a disposição do senador é não dar sequer espaço ao presidente Lula para que trate desse assunto na conversa. Veja também:Até oposição admite arquivar segundo processo contra RenanEspecial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado  Nas discussões sobre a CPMF, Renan se vê, atualmente, como solução, e não como problema. Mas um líder governista disse na segunda-feira à Agência Estado que tanto o Palácio do Planalto como as forças políticas que ajudaram o senador a se livrar da cassação avaliam que o afastamento dele do cargo de presidente é um "um fator facilitador" nas negociações para aprovar a CPMF. Na avaliação de um líder governista, todos, inclusive os principais aliados de Renan, como o senador José Sarney (PMDB-AP) e os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), partilham do entendimento de que o melhor cenário para o Planalto é ter o presidente do Senado fora da Casa "por uns dias, quem sabe um mês". Tanto assim que, segundo o líder, o governo decidiu suspender qualquer negociação em torno da CPMF no Senado, para dar prioridade total à operação pelo afastamento de Renan. Ainda assim, o presidente do Senado não demonstra qualquer intenção de ceder aos que querem vê-lo longe do Congresso e de Brasília. Segundo um amigo de Renan que acompanha cada lance do caso, o movimento dos governistas para afastar o presidente do Senado não passa de uma tentativa de "arranjar uma desculpa para justificar dificuldades do governo", que há anos não tem maioria na Casa. "Se ganhou, ganhou. O governo que lide com o novo cenário", desafia o interlocutor de Renan, certo de que fala exatamente o que pensa o presidente da Casa.

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