Em encontro com Dilma, líderes do PMDB vão expor insatisfação

Após impasses em votações importantes no Congresso, Temer, Renan e Henrique Alves devem manifestar descontentamento com articulação política da presidente

Erich Decat - Agência Estado

03 Junho 2013 | 10h40

Brasília - No encontro que terão com a presidente Dilma Rousseff, previsto para esta tarde, os integrantes da cúpula do PMDB pretendem por na mesa as insatisfações da base aliada afloradas desde a votação da MP dos Portos, ocorrida no último dia 16. Estarão na reunião o vice-presidente da República, Michel Temer, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

 

Dilma e Alves terão um primeiro encontro público nesta manhã, em Natal. Será um momento de amenidades em que ambos posarão para fotos na cerimônia de entrega de 101 máquinas retroescavadeiras e 70 máquinas motoniveladoras a municípios do Estado do Rio Grande do Norte.

 

Para o encontro à tarde, já em Brasília, Alves tem dito a integrantes da bancada do PMDB, segundo o apurou a reportagem, que vai "expor a verdade" sobre as dificuldades da base no Congresso.

 

A "verdade" não está apenas no descontentamento do PMDB que, além de remoer o pouco espaço recebido na Esplanada na gestão Dilma, vem dando sinais de "rebeldia" a ponto de ser um dos partidos que mais deu apoio à criação da CPI da Petrobrás.

 

Ao conversar com lideranças dentro do próprio partido de Dilma, o PT, constata-se o receio de que o mal-estar na relação do Planalto com os aliados tenha chegado ao "limite" nas últimas semanas. "No começo víamos um ou outro se queixando, mas era começo de governo, ainda dava para resolver na conversa. Acontece que pouco foi feito de lá para cá e agora há um acúmulo de dois anos e meio, como segurar isso?", ponderou uma liderança do PT no Congresso. Parte do descontentamento está na falta de liberação de emendas e no engessamento dos projetos dos aliados que servirão de vitrine em 2014, ano de eleição.

 

Segundo parlamentares da base, na questão de visibilidade eleitoral, o Palácio do Planalto também tem priorizado a realização de ações ligadas aos ministérios que estão sob o guarda-chuva do PT. Dos atuais 39 ministérios, o partido tem 18.

 

Mercadante. Uma alternativa para os aliados conseguirem emplacar uma ação de visibilidade em seus redutos eleitorais está na execução de projetos dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas o problema nesse plano B apontado por lideranças no Congresso é a falta de acesso à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, responsável pelo PAC. "Tudo passa pela Belchior e quando não é com ela dizem para tratar com a Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucional, que já ficou claro que não resolve nada", disse um cacique da base aliada.

 

O sentimento de falta de autonomia de Ideli também recai sobre a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, que deixou de atuar apenas nos bastidores e passou a dar declarações sobre as votações de proposta de interesse do governo no Congresso. "Há uma desconexão total da coordenação política. Mas tudo passa pela lógica de que Dilma pensa que não precisa do Congresso para nada", avalia um integrante do partido de Dilma.

 

É diante desse vácuo na articulação política que alguns parlamentares acreditam que a inserção do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, no contato direto com o Congresso, poderá amenizar o clima beligerante dentro da própria base.

 

No entendimento de alguns parlamentares, Mercadante tem conhecimento aprofundado dos temas mais técnicos e "coragem" para dizer não a Dilma. Uma iniciativa que, para muitos, não é colocada em prática desde a saída de Antônio Palocci da Casa Civil, ocorrida no primeiro ano do governo da petista.

 

 

 

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