Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em encontro com Bolsonaro e Toffoli, Maia pede respeito a decisões dos outros Poderes

Declaração do presidente da Câmara vem após ministros do STF serem alvo de ataques nas redes sociais e de críticas de procuradores da Lava Jato

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2019 | 17h54

Anfitrião de um almoço que reuniu a cúpula dos Três Poderes neste sábado, 16, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu o respeito a decisões do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, mesmo quando não agrade.

“Se o Supremo, por exemplo, tomar uma decisão que me desagrade, eu tenho que respeitar a decisão”, afirmou Maia após o almoço, um churrasco na residência oficial do presidente da Câmara.

A declaração de Maia se dá após ministros do Supremo Tribunal Federal serem alvo de ataques nas redes sociais e de críticas de procuradores da Lava Jato. O motivo foi a decisão que definiu a Justiça Eleitoral como foro competente para julgar crimes como corrupção e lavagem de dinheiro quando associados ao caixa 2.

Conforme mostrou o Estado neste sábado, integrantes do partido de Bolsonaro, o PSL, inflaram essa reação. A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, chegou a ir para a frente do STF, com um alto-falante, ameaçar os ministros de impeachment.

Questionado sobre o fato de o próprio Bolsonaro ter compartilhado um vídeo do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), com críticas à decisão do Supremo, Maia disse não ter falado com o presidente sobre o assunto e pregou "liberdade de expressão".

“Toda crítica precisa ser respeitada num País que quer ser democrático, garantindo a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Mas a crítica não pode passar para uma agressão. Principalmente em relação a um poder que tem como função resguardar a Constituição", disse. "Não pode atacar e desrespeitar os ministros do Supremo."

Confraternização

Além de Maia e Bolsonaro, participaram da confraternização o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, além de 15 ministros do governo.

Segundo participantes, a tônica do encontro foi a união entre os Poderes.

“Foi um almoço social, sem agenda de trabalho", disse o ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz. “O próprio convite para o almoço já simboliza uma união dos três Poderes. Às vezes se resolve mais coisas em um churrasco do que em uma reunião formal”, afirmou.

Responsável pela articulação política do governo, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o encontro foi uma demonstração de que há um diálogo entre os três Poderes da República. Para ele, o governo não pode mais ter conflitos.

“O Brasil precisa sair do conflito, as autoridades máximas precisam saber sentar à mesa para conversar. É importante que poderes possam dialogar porque há um imenso desafio a ser vencido. É uma obrigação que os Poderes possam dialogar. Governo Bolsonaro busca o diálogo e o entendimento e esse encontro mostra isso”, disse.

O presidente da Câmara disse que decidiu realizar o churrasco após uma conversa com o próprio Bolsonaro, que pediu para chamá-lo. "O convite surgiu de uma conversa prévia de quando fui visitar Bolsonaro no Palácio da Alvorada", afirmou Maia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.