Marcos Correa/PR/AFP
Marcos Correa/PR/AFP

Em duas semanas, Bolsonaro teve de entregar a cabeça de dois ministros; leia análise

Cada vez mais dependente da blindagem do Centrão, presidente enfrenta seu momento de maior vulnerabilidade política

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 14h30

BRASÍLIA - Enfraquecido politicamente pela pandemia fora de controle, Jair Bolsonaro não teve como impedir a queda do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Em duas semanas, é o segundo ministro que o presidente precisou entregar a cabeça para conter a crise no seu governo. No dia 15, ele anunciou a entrada do médico Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo Pazuello.

O militar caiu por sua ineficiência no enfrentamento do coronavírus. Já Araújo, que balançava no cargo por atrapalhar as negociações com outros países em prol de acordos no combate à pandemia, entornou de vez o caldo ao atacar a senadora Kátia Abreu (PP-TO) pelas redes sociais, associando a pressão por sua demissão aos interesses chineses na implantação do sistema 5G.

Cada vez mais dependente da blindagem política do centrão no Congresso, Bolsonaro enfrenta seu momento de maior vulnerabilidade política. Desgastado pelos seguidos recordes no número de mortes causadas pela pandemia, Bolsonaro tem feito mais alterações dentro da sua equipe. Demitiu o secretário especial de Comunicação, Fábio Wajngarten, o substituindo pelo almirante Flávio Rocha. Na área econômica, já tinha rifado o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, e levado o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, a pedir para sair da instituição.

Outro que também deve ser dispensado é o assessor especial Filipe Martins, responsável pelo aconselhamento de Bolsonaro na área internacional. Integrante da ala ideológica, ele ficou em situação insustentável depois de ser flagrado fazendo um gesto entendido como ofensivo pelos senadores, durante audiência com Ernesto Araújo na Comissão de Relações Exteriores.

Com o clima político instável, a crise parece longe de terminar e há quem aposte em novas demissões dentro do governo.

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