Em documento, deputados petistas pedem crescimento econômico

Um grupo de 30, do total 93 deputados que compõem a bancada do PT na Câmara, divulgou um documento pedindo mudanças nos rumos da política econômica do governo. Intitulado Tomar o Rumo do Crescimento Já, o documento prega a necessidade de baixar os juros. "Está na hora de baixar os juros, investir na produção, atacar os gargalos da infra-estrutura que impedem a retomada do crescimento; abrir crédito para os médios, pequenos e microempreendimentos nacionais; gerar empregos e redistribuir renda", afirma o documento. Segundo seus autores, há necessidade de acelerar a transição rumo a uma nova fase da política econômica. "Cresce o número dos que se apercebem da impossibilidade de combinar política econômica conservadora com política social progressista", sustentam. O deputado Chico Alencar (PT-RJ), um dos signatários do documento, disse que o grupo pretende contribuir com o governo. "Não somos outra leva de radicais nem rebeldes", argumentou. "Queremos marcar uma mudança de eixo: sai o vigiar e punir e entra o analisar e influir. Queremos simplesmente ser protagonistas do nosso governo". O ex-líder do PT na Câmara Walter Pinheiro (BA), outro signatário do documento, disse que o grupo não quer um foco de caráter pessoal, mas sim entrar no mérito das questões. "Queremos mudar o foco", disse. "A bancada não pode ficar se reunindo para discutir se corta um dedo ou não, mas discutir propostas. Não queremos atacar nem ser atacados. Queremos contribuir para o debate".CríticasO grupo critica a política econômica do governo. Segundo o texto, a fragilidade financeira do País vem do fato de ter-se tornado "importador de capital", submetendo-se à lógica do capital financeiro. O Brasil, segundo esses parlamentares, é "refém de uma armadilha recessiva", sem poder livrar-se dela. De acordo com essa análise, há necessidade de um ajuste definitivo, ?que exige sempre mais aperto financeiro, superávits fiscais, juros siderais para ganhar confiabilidade dos rentistas e esperar compreensão do insaciável e especulativo mercado financeiro internacional". Para o grupo de petistas, as conseqüências dessa política são desastrosas e tornam inevitável a recessão econômica, aumentam o desemprego e provocam queda na renda, "como já mostram todos os indicadores." Ainda na análise, essa política aumenta a capacidade ociosa da indústria, e os cortes orçamentários inviabilizam o investimento produtivo e o atendimento a direitos universais e à cidadania. "Com esse arrocho, nem políticas compensatórias voltadas para os mais pobres têm viabilidade. Superávit primário máximo é sinônimo de Estado mínimo, funcionalismo desmotivado, educação e saúde com verbas cortadas e cultura sem recursos." Os signatários do documento querem que a fase de transição da economia seja mais rápida. Um deles, o deputado Henrique Fontanta (RS), disse, na entrevista em que o texto foi divulgado, que até agora a política econômica é correta e que o grupo quer contribuir para acelerar a transição para nova economia. A frase que encerra o texto é: Segunda fase já!.Na mesma entrevista, o deputado Chico Alencar (RJ) afirmou que, antes da divulgação do documento, uma cópia foi enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros.

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