Em disputa, grupo ligado a Tarso critica apoio a Renan

Agora, petistas fazem mea culpa e afirmam que é preciso não ter medo de contrariar vontades de Lula

Vera Rosa, Estadão

06 de outubro de 2007 | 22h45

Às vésperas da eleição que renovará suas direções, em dezembro, o PT usa o desgaste provocado pela absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para apimentar a luta interna petista. Documento divulgado neste sábado pelo grupo "Mensagem ao Partido", capitaneado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, critica agora não apenas os senadores que lavaram as mãos como a omissão da cúpula do PT no episódio. "Os senadores petistas que se abstiveram ou votaram pela absolvição de Renan, assim como o silêncio da direção, desgastaram o PT", diz um trecho da plataforma intitulada "Uma nova direção para mudar o PT". O texto foi aprovado durante plenária, realizada em São Paulo, que lançou a candidatura do deputado José Eduardo Cardozo (SP) à presidência do PT. O documento destaca que a omissão do PT custou caro ao partido. "Não apenas o senador acusado, mas o próprio Senado, passa agora a ser julgado publicamente de forma negativa, o que pode enfraquecer as convicções democráticas do povo", afirma o capítulo que trata da reforma política. Na outra ponta, o antigo Campo Majoritário, que homologou neste sábado a candidatura à reeleição do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), pisa em ovos quando o assunto é Renan. Motivo: a corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer mexer no vespeiro porque o governo precisa de Renan para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O presidente do Senado contou com a ajuda do PT, no último dia 12, para se livrar da acusação de pagar despesas pessoais com dinheiro de uma empreiteira. Foram 40 votos favoráveis à sua absolvição, 35 pela perda de mandato e seis abstenções. Na lista dos petistas que se abstiveram estava o senador Aloízio Mercadante (PT-SP). Diante da avalanche de críticas, Mercadante agora prega publicamente o afastamento de Renan. Além disso, a posição da bancada do PT nas próximas votações sobre o imbróglio é imprevisível. Pesam contra o presidente do Senado outras três denúncias. A primeira o acusa de ter beneficiado a Schincariol depois que a cervejaria comprou uma fábrica superfaturada de seu irmão; a segunda diz que ele usou laranjas para adquirir veículos de comunicação em Alagoas e a terceira, que participou de desvio de verbas em ministérios dirigidos pelo PMDB. Além disso, outro processo contra Renan pode ser aberto. O Democratas afirmou que pretende abrir uma representação contra o presidente do Senado por causa das suspeitas que caem contra ele de ter comandado uma operação de investigação comandada contra os senadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Demóstenes Torres (DEM-GO).  "A direção do PT errou ao não se posicionar contra Renan", diz o deputado Jilmar Tatto (SP), também candidato ao comando do partido, ao fazer mea-culpa. Terceiro-vice-presidente do PT, Tatto afirma que "o partido não pode ter medo de contrariar Lula".

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