Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em discurso, Maranhão se despede e assume que cometeu erros

Presidente interino lembrou que chegou ao cargo, há cerca de dois meses, "de forma inesperada e não desejada"

JULIA LINDNER, BRASÍLIA

13 de julho de 2016 | 23h04

Brasília - Ao abrir a sessão para a eleição da presidência da Câmara dos Deputados, o presidente interino, Waldir Maranhão (PP-MA), fez um discurso de despedida. Em sua fala, assumiu que cometeu erros, mas disse que a sua atuação também “mudou os rumos do País”. Com a escolha do sucessor do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o parlamentar reassume a vice-presidência da Casa até fevereiro do ano que vem.

"Nestes poucos meses, aprendi anos. Acertei e errei como qualquer um, mas não vou aqui ficar lamentando o passado. Tenho certeza que algumas decisões vão mudar o nosso país para melhor. O resto é página virada", disse. Para o presidente interino, "a História julgará a sua gestão". "Deixo esta Presidência sem mágoas e rancores e com a consciência limpa e tranquila. Continuarei no exercício da Vice-Presidência prestando lealdade ao meu Estado e ao nosso país", continuou.

Maranhão afirmou ainda que chegou ao cargo, há cerca de dois meses, "de forma inesperada e não desejada". "Estávamos vivendo um momento difícil para o Brasil. A minha postura desde o início foi exercer a interinidade com honestidade e honradez. Procurei em todos os atos que pratiquei seguir estritamente o regimento da Casa – mesmo aquele que se refere ao processo de cassação de mandato parlamentar", afirmou, fazendo referência ao processo contra Cunha.

Ele também relembrou a sua trajetória, afirmando ser um homem de origem "simples e humilde", filho mais velho de uma família de oito irmãos e pais semianalfabetos, até virar reitor da Universidade Estadual do Maranhão. 

"Desde o início tive a consciência de que o importante é o Brasil sair desta crise, em que há milhões de desempregados e um futuro incerto. Nós podemos e temos a obrigação de ajudar a mudar esta realidade. Quero desejar ao próximo presidente sucesso e votos para que possa exercer a função", concluiu.

Ao longo do dia, Maranhão mudou o horário do início da eleição duas vezes. Inicialmente prevista para as 16 horas, o começo da sessão foi alterado pelo presidente duas vezes. Primeiro, para as 19h, e, minutos depois, para as 17h30. Apesar de não ter apresentado nenhuma justificativa para a alteração, as medidas foram tomadas de receber parlamentares contra e a favor de Cunha. A primeira decisão ocorreu após Maranhão ter se reunido com um adversário de Cunha, o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). Ele mudou novamente de ideia depois de receber a visita do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), em seu gabinete.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.