Ed Ferreira/AE
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Em discurso, Dilma reforça defesa de Estado forte

Aclamada ontem como pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pregou o fortalecimento do Estado, mas fez questão de destacar que a preservação da estabilidade macroeconômica, com manutenção do equilíbrio fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante, serão a base das ações de seu governo.

Vera Rosa, Wilson Tosta e Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

20 Fevereiro 2010 | 14h40

 

“Não haverá retrocesso nem aventuras”, afirmou Dilma no 4º Congresso Nacional do PT, em Brasília, que aprovou as diretrizes de seu programa de governo. Em meio a promessas de continuar os investimentos sociais iniciados no governo Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra encontrou espaço para críticas à oposição.

 

"Não mudamos, como se fez no passado, as regras do jogo no meio da partida.” Com menos espontaneidade que Lula, a ministra se revelou um tanto dura ao falar e seguiu praticamente à risca o discurso escrito dias antes. Em um texto que começou com tom que deveria soar emocionado, citando os poetas Carlos Drummond de Andrade, mineiro, e Mário Quintana, gaúcho, e relembrando seu passado, ela afirmou que nunca esperou ser candidata.

 

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Íntegra do discurso de Dilma Roussef

Ouça a entrevista com o presidente Lula

“Jamais pensei que a vida viesse a me reservar tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo, com humildade, serenidade e confiança.” Depois de elogiar e relembrar os principais programas do governo Lula, Dilma começou a enumerar suas metas.

 

Garantiu que tudo será feito para manter a estabilidade econômica - uma cobrança que começou a aparecer depois que as primeiras diretrizes de seu provável programa de governo mostraram uma tendência mais à esquerda. No entanto, enfatizou a determinação de “continuar valorizando o servidor público” e “reconstituindo o Estado” e rebateu as críticas de que o governo petista inchou a máquina pública.

 

Continuidade

 

Em todo o discurso, as promessas de Dilma partiram do que foi feito por Lula e como ela poderá avançar, a partir daí. Educação, pré-sal, ampliação do programa Bolsa Família, Luz para Todos foram o centro das promessas da pré-candidata.

 

Mais emocionado, Lula assumiu o papel de avalista incondicional da candidatura de Dilma. Disse que a ministra é alvo do preconceito, mas está pronta para superar o desafio da campanha. “Eleger a Dilma é a coisa mais importante do meu governo”, destacou.

 

“Eleger a Dilma não é secundário para o presidente da República, é a coisa prioritária na minha vida neste ano.” Dizendo não resistir à combinação de “um microfone e um monte de gente”, Lula reagiu ao noticiário sobre o documento contendo diretrizes do programa de governo para a campanha de Dilma, cujo tom esquerdista foi reforçado.

 

“As pessoas que privatizaram este país estão incomodadas porque queremos fortalecer certos setores da economia brasileira. Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Se preparem. Mas isso não é ruim não. É bom.”

 

Pouco antes, ao abrir o discurso, Lula colou em Dilma a imagem de vítima do preconceito, primeiro por ser mulher e, segundo, por ter lutado contra o regime militar. “Essa menina, com 20 anos de idade, resolveu por opção própria colocar sua vida em risco, para garantir a democracia neste País”, declarou.

 

 

 

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