Johannes EISELE / AFP
Jair Bolsonaro durante a 74ª Assembleia-Geral das Nações Unidas  Johannes EISELE / AFP

Em discurso desafiador na ONU, Bolsonaro ataca ‘colonialismo’ na questão ambiental

Presidente fez menção direta à França, país que esteve na linha de frente das críticas ao Brasil na questão da Amazônia

Beatriz Bulla, Giovana Girardi, Ricardo Leopoldo e Paulo Beraldo, Enviados especiais

24 de setembro de 2019 | 11h40
Atualizado 25 de setembro de 2019 | 05h42

NOVA YORK – Em sua estreia na Assembleia-Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça-feira, 24, um discurso no qual classificou como “falácia” a tese de que a Amazônia “é patrimônio da humanidade” e criticou o que chamou de “espírito colonialista” de países que recentemente questionaram o compromisso do País com a preservação ambiental. Durante sua fala de 32 minutos, recheada de referências religiosas, Bolsonaro surpreendeu ao não adotar uma retórica conciliatória. Ele reforçou na tribuna internacional o discurso mais ideológico ao afirmar que o Brasil esteve “à beira do socialismo” e atacar adversários políticos e países como Cuba e Venezuela

A Assembleia-Geral da ONU se tornou, na prática, o maior teste de política externa de Bolsonaro. Para observadores das relações exteriores, o discurso do brasileiro, com foco no confronto, rompeu uma tradição da diplomacia brasileira – baseada na moderação e no pragmatismo – e pode causar prejuízos futuros para setores exportadores e a consolidação de acordos de livre-comércio. 

“Isso vai afetar muito as perspectivas do agronegócio brasileiro, da exportação do Brasil em geral”, disse Rubens Ricupero, ex-ministro e ex-embaixador nos Estados Unidos

O conteúdo da fala, contudo, agradou aos políticos alinhados ao presidente. “Foi um discurso histórico que teve como base Deus, pátria e família”, afirmou o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), primeiro-vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e descendente da antiga família real. 

Ao rebater as críticas envolvendo as queimadas na Amazônia, o presidente brasileiro reiterou a tese da defesa da soberania nacional. Ele fez menção direta à França, país que esteve na linha de frente das críticas ao Brasil na discussão sobre a preservação da floresta. Bolsonaro voltou a sustentar a teoria de que as nações que o criticam têm interesse comercial nas riquezas minerais do Brasil. E, neste tema, associou a mídia a “mentiras”.  

“Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista”, disse Bolsonaro, sem citar o presidente francês, Emmanuel Macron

“É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade, e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo. Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista”, afirmou. “Ela (Amazônia) não está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia. Cada um de vocês pode comprovar o que estou falando agora. Não deixem de conhecer o Brasil, ele é muito diferente daquele estampado em muitos jornais e televisões”, disse o presidente. 

Bolsonaro não citou nominalmente, mas deixou claro que suas críticas estavam direcionadas a líderes como Macron e saudou, como aliado, o americano Donald Trump. “Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania! Um deles por ocasião do encontro do G-7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta”, afirmou Bolsonaro. Depois de discursar, Bolsonaro se sentou na plateia do plenário da ONU para assistir à fala de Trump. 

América Latina

O brasileiro iniciou sua fala citando que assumiu um País que estava “à beira do socialismo”, fortemente influenciado por Cuba e Venezuela. Em tom irônico, afirmou que “o socialismo está dando certo na Venezuela: todos estão pobres e sem liberdades”. E disse que o Foro de São Paulo – que reúne partidos de esquerda da América Latina – “continua vivo e tem que ser combatido”. 

+ Carlos Melo: Bolsonaro emerge como pastiche de Trump

O plenário estava com lotação praticamente completa durante o discurso de Bolsonaro. Perante líderes de outros 192 países, Bolsonaro disse que não se pode apagar “nacionalidades” em nome de um “interesse global abstrato”. “Esta não é a Organização do Interesse Global. É a Organização das Nações Unidas.” Uma das líderes presentes para ouvir o brasileiro foi Angela Merkel, chanceler da Alemanha, que aplaudiu sem entusiasmo quando Bolsonaro encerrou seu discurso. Mais tarde, o presidente brasileiro negou ter sido agressivo e classificou o próprio discurso como objetivo e contundente.  

* OS REPÓRTERES PAULO BERALDO E GIOVANA GIRARDI VIAJARAM A CONVITE DA ONU E DA ORGANIZAÇÃO NO PEACE WITHOUT JUSTICE, RESPECTIVAMENTE

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Veja o discurso completo de Bolsonaro na Assembleia-Geral das Nações Unidas

Na ONU, presidente reforçou posição contra socialismo, criticou corrupção e condenou a mídia por cobertura da Amazônia

João Ker, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 11h44

O presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro a discursar durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, que reuniu quase 200 líderes internacionais em Nova York na manhã desta terça-feira, 10. Acompanhado por Michelle Bolsonaro, pela indígena Ysany Kalapalo, pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o presidente falou por mais de 30 minutos.

No discurso, Bolsonaro começou atacando o socialismo e, ao longo da fala, abordou temas como a soberania do Brasil sobre a Amazônia, a presença de Ysany Kalapalo, que foi criticada por representantes de 16 povos indígenas, e sua política de privatizações. Outros temas abordados pelo presidente foram a chamada “ideologia de gênero” e a suposta perseguição religiosa contra cristãos e evangélicos.

Abaixo, confira a íntegra do discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral das Nações Unidas:

Apresento aos senhores um novo Brasil, que ressurge depois de estar à beira do socialismo. Um Brasil que está sendo reconstruído a partir dos anseios e dos ideais de seu povo. No meu governo, o Brasil vem trabalhando para reconquistar a confiança do mundo, diminuindo o desemprego, a violência e o risco para os negócios, por meio da desburocratização, da desregulamentação e, em especial, pelo exemplo. Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições.

Em 2013, um acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional. Foram impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% de seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais, como o de ir e vir. Um verdadeiro trabalho escravo, acreditem...

Respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU! Antes mesmo de eu assumir o governo, quase 90% deles deixaram o Brasil, por ação unilateral do regime cubano. Os que decidiram ficar, se submeterão à qualificação médica para exercer sua profissão. Deste modo, nosso país deixou de contribuir com a ditadura cubana, não mais enviando para Havana 300 milhões de dólares todos os anos.

A história nos mostra que, já nos anos 60, agentes cubanos foram enviados a diversos países para colabora com a implementação de ditaduras. Há poucas décadas tentaram mudar o regime brasileiro e de outros países da América Latina. Foram derrotados! Civis e militares brasileiros foram mortos e outros tantos tiveram suas reputações destruídas, mas vencemos aquela guerra e resguardamos nossa liberdade.

Na Venezuela, esses agentes do regime cubano, levados por Hugo Chávez, também chegaram e hoje são aproximadamente 60 mil, que controlam e interferem em todas as áreas da sociedade local, principalmente na Inteligência e na Defesa. A Venezuela, outrora um país pujante e democrático, hoje experimenta a crueldade do socialismo.  

O socialismo está dando certo na Venezuela! Todos estão pobres e sem liberdade!

O Brasil também sente os impactos da ditadura venezuelana. Dos mais de 4 milhões que fugiram do país, uma parte migrou para o Brasil, fugindo da fome e da violência. Temos feito a nossa parte para ajudá-los, através da Operação Acolhida, realizada pelo Exército Brasileiro e elogiada mundialmente.

Trabalhamos com outros países, entre eles os EUA, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela, mas também nos empenhamos duramente para que outros países da América do Sul não experimentem esse nefasto regime. O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido.

XX—XX—XX—XX

Senhoras e Senhores,

Em busca de prosperidade, estamos adotando políticas que nos aproximem de países outros que se desenvolveram e consolidaram suas democracias. Não pode haver liberdade política sem que haja também liberdade econômica. E vice-versa. O livre mercado, as concessões e as privatizações já se fazem presentes hoje no Brasil. A economia está reagindo, ao romper os vícios e amarras de quase duas décadas de irresponsabilidade fiscal, aparelhamento do Estado e corrupção generalizada. A abertura, a gestão competente e os ganhos de produtividade são objetivos imediatos do nosso governo.

Estamos abrindo a economia e nos integrando às cadeias globais de valor. Em apenas oito meses, concluímos os dois maiores acordos comerciais da história do país, aqueles firmados entre o Mercosul e a União Europeia e entre o Mercosul e a Área Europeia de Livre Comércio, o EFTA. Pretendemos seguir adiante com vários outros acordos nos próximos meses.

Estamos prontos também para iniciar nosso processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Já estamos adiantados, adotando as práticas mundiais mais elevadas em todo os terrenos, desde a regulação financeira até a proteção ambiental.

XX—XX—XX—XX

Senhorita YSANY KALAPALO, agora vamos falar de Amazônia.

Em primeiro lugar, meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade e riquezas minerais. Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente. 

Nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas. Vale ressaltar que existem também queimadas praticadas por índios e populações locais, como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência. Problemas qualquer país os tem. Contudo, os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico.

É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo. Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista.  Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania! Um deles por ocasião do encontro do G7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta.

Em especial, ao Presidente Donald Trump, que bem sintetizou o espirito que deve reinar entre os países da ONU: respeito à liberdade e à soberania de cada um de nós. Hoje, 14% do território brasileiro está demarcado como terra indígena, mas é preciso entender que nossos nativos são seres humanos, exatamente como qualquer um de nós. Eles querem e merecem usufruir dos mesmos direitos de que todos nós. Quero deixar claro: o Brasil não vai aumentar para 20% sua área já demarcada como terra indígena, como alguns chefes de Estados gostariam que acontecesse. Existem, no Brasil, 225 povos indígenas, além de referências de 70 tribos vivendo em locais isolados. Cada povo ou tribo com seu cacique, sua cultura, suas tradições, seus costumes e principalmente sua forma de ver o mundo. 

A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o Cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia. Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas. O Brasil agora tem um presidente que se preocupa com aqueles que lá estavam antes da chegada dos portugueses. O índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terras ricas. Especialmente das terras mais ricas do mundo. É o caso das reservas Ianomâmi e Raposa Serra do Sol. Nessas reservas, existe grande abundância de ouro, diamante, urânio, nióbio e terras raras, entre outros.

E esses territórios são enormes. A reserva Ianomâmi, sozinha, conta com aproximadamente 95 mil km2, o equivalente ao tamanho de Portugal ou da Hungria, embora apenas 15 mil índios vivam nessa área. Isso demonstra que os que nos atacam não estão preocupados com o ser humano índio, mas sim com as riquezas minerais e a biodiversidade existentes nessas áreas.

CARTA

A Organização das Nações Unidas teve papel fundamental na superação do colonialismo e não pode aceitar que essa mentalidade regresse a estas salas e corredores, sob qualquer pretexto. Não podemos esquecer que o mundo necessita ser  alimentado. A França e a Alemanha, por exemplo, usam mais de 50% de seus territórios para a agricultura, já o Brasil usa apenas 8% de terras para a  rodução de alimentos. 61% do nosso território é preservado!

Nossa política é de tolerância zero para com a criminalidade, aí incluídos os crimes ambientais. Quero reafirmar minha posição de que qualquer iniciativa de ajuda ou apoio à preservação da Floresta Amazônica, ou de outros biomas, deve ser tratada em pleno respeito à soberania brasileira. Também rechaçamos as tentativas de instrumentalizar a questão ambiental ou a política indigenista, em prol de interesses políticos e econômicos externos, em especial os disfarçados de boas intenções.

Estamos prontos para, em parcerias, e agregando valor, aproveitar de forma sustentável todo nosso potencial.

XX—XX—XX—XX

O Brasil reafirma seu compromisso intransigente com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e da liberdade, de expressão, religiosa e de imprensa. É um compromisso que caminha junto com o combate à corrupção e à criminalidade, demandas urgentes da sociedade brasileira. Seguiremos contribuindo, dentro e fora das Nações Unidas, para a construção de um mundo onde não haja impunidade, esconderijo ou abrigo para criminosos e corruptos.

Em meu governo, o terrorista italiano Cesare Battisti fugiu do Brasil, foi preso na Bolívia e extraditado para a Itália. Outros três terroristas paraguaios e um chileno, que viviam no Brasil como refugiados políticos, também foram devolvidos a seus países. Terroristas sob o disfarce de perseguidos políticos não mais encontrarão refúgio no Brasil. Há pouco, presidentes socialistas que me antecederam desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento, tudo por um projeto de poder absoluto.

Foram julgados e punidos graças ao patriotismo, perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o Dr. Sérgio Moro, nosso atual Ministro da Justiça e Segurança Pública. Esses presidentes também transferiram boa parte desses recursos para outros países, com a finalidade de promover e implementar projetos semelhantes em toda a região. Essa fonte de recursos secou.

Esses mesmos governantes vinham aqui todos os anos e faziam descompromissados discursos com temas que nunca atenderam aos reais interesses do Brasil nem contribuíram para a estabilidade mundial. Mesmo assim, eram aplaudidos. Em meu país, tínhamos que fazer algo a respeito dos quase 70 mil homicídios e dos incontáveis crimes violentos que, anualmente, massacravam a população brasileira. A vida é o mais básico dos direitos humanos. Nossos policiais militares eram o alvo preferencial do crime. Só em 2017, cerca de 400 policiais militares foram cruelmente assassinados. Isso está mudando.

Medidas foram tomadas e conseguimos reduzir em mais de 20% o número de homicídios nos seis primeiros meses de meu governo. As apreensões de cocaína e outras drogas atingiram níveis recorde. Hoje o Brasil está mais seguro e ainda mais hospitaleiro. Acabamos de estender a isenção de vistos para países como Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá, e estamos estudando adotar medidas similares para China e Índia, dentre outros.

Com mais segurança e com essas facilidades, queremos que todos possam conhecer o Brasil, e em especial, a nossa Amazônia, com toda sua vastidão e beleza natural. Ela não está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia. Cada um de vocês pode comprovar o que estou falando agora. Não deixem de conhecer o Brasil, ele é muito diferente daquele estampado em muitos jornais e televisões!

XX—XX—XX—XX

A perseguição religiosa é um flagelo que devemos combater incansavelmente. Nos últimos anos, testemunhamos, em diferentes regiões, ataques covardes que vitimaram fiéis congregados em igrejas, sinagogas e mesquitas. O Brasil condena, energicamente, todos esses atos e está pronto a colaborar, com outros países, para a proteção daqueles que se veem oprimidos por causa de sua fé.

Preocupam o povo brasileiro, em particular, a crescente perseguição, a discriminação e a violência contra missionários e minorias religiosas, em diferentes regiões do mundo. Por isso, apoiamos a criação do 'Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença'. Nessa data, recordaremos anualmente aqueles que sofrem as consequências nefastas da perseguição religiosa.

É inadmissível que, em pleno Século XXI, com tantos instrumentos, tratados e organismos com a finalidade de resguardar direitos de todo tipo e de toda sorte, ainda haja milhões de cristãos e pessoas de outras religiões que perdem sua vida ou sua liberdade em razão de sua fé. A devoção do Brasil à causa da paz se comprova pelo sólido histórico de contribuições para as missões da ONU.

Há 70 anos, o Brasil tem dado contribuição efetiva para as operações de manutenção da paz das Nações Unidas. Apoiamos todos os esforços para que essas missões se tornem mais efetivas e tragam benefícios reais e concretos para os países que as recebem. Nas circunstâncias mais variadas – no Haiti, no Líbano, na República Democrática do Congo –, os contingentes brasileiros são reconhecidos pela qualidade de seu trabalho e pelo respeito à população, aos direitos humanos e aos princípios que norteiam as operações de manutenção de paz.

Reafirmo nossa disposição de manter contribuição concreta às missões da ONU, inclusive no que diz respeito ao treinamento e à capacitação de tropas, área em que temos reconhecida experiência. 

XX—XX—XX—XX

Ao longo deste ano, estabelecemos uma ampla agenda internacional com intuito de resgatar o papel do Brasil no cenário mundial e retomar as relações com importantes parceiros. Em janeiro, estivemos em Davos, onde apresentamos nosso ambicioso programa de reformas para investidores de todo o mundo. Em março, visitamos Washington onde lançamos uma parceria abrangente e ousada com o governo dos Estados Unidos em todas as áreas, com destaque para a coordenação política e para a cooperação econômica e militar.

Ainda em março, estivemos no Chile, onde foi lançado o PROSUL, importante iniciativa para garantir que a América do Sul se consolide como um espaço de democracia e de liberdade. Na sequência, visitamos Israel, onde identificamos inúmeras oportunidades de cooperação em especial na área de tecnologia e segurança. Agradeço a Israel o apoio no combate aos recentes desastres ocorridos em meu país. 

Visitamos também um de nossos grandes parceiros no Cone Sul, a Argentina. Com o Presidente Mauricio Macri e nossos sócios do Uruguai e do Paraguai, afastamos do Mercosul a ideologia e conquistamos importantes vitórias comerciais, ao concluir negociações que já se arrastavam por décadas. Ainda este ano, visitaremos importantes parceiros asiáticos, tanto no Extremo Oriente quanto no Oriente Médio. Essas visitas reforçarão a amizade e o aprofundamento das relações com Japão, China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. Pretendemos seguir o mesmo caminho com todo o mundo árabe e a Ásia.

Também estamos ansiosos para visitar nossos parceiros, e amigos, na África, na Oceania e na Europa. Como os senhores podem ver, o Brasil é um país aberto ao mundo, em busca de parcerias com todos os que tenham interesse de trabalhar pela prosperidade, pela paz e pela liberdade.

XX—XX—XX—XX

Senhoras e Senhores,

O Brasil que represento é um país que está se reerguendo, revigorando parcerias e reconquistando sua confiança política economicamente. Estamos preparados para assumir as responsabilidades que nos cabem no sistema internacional. Durante as últimas décadas, nos deixamos seduzir, sem perceber, por sistemas ideológicos de pensamento que não buscavam a verdade, mas o poder absoluto. 

A ideologia se instalou no terreno da cultura, da educação e da mídia, dominando meios de comunicação, universidades e escolas. A ideologia invadiu nossos lares para investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável, a família. Tentam ainda destruir a inocência de nossas crianças, pervertendo até mesmo sua identidade mais básica e elementar, a biológica. 

O politicamente correto passou a dominar o debate público para expulsar a racionalidade e substituí-la pela manipulação, pela repetição de clichês e pelas palavras de ordem. A ideologia invadiu a própria alma humana para dela expulsar Deus e a dignidade com que Ele nos revestiu. E, com esses métodos, essa ideologia sempre deixou um rastro de morte, ignorância e miséria por onde passou. 

Sou prova viva disso. Fui covardemente esfaqueado por um militante de esquerda e só sobrevivi por um milagre de Deus. Mais uma vez agradeço a Deus pela minha vida. A ONU pode ajudar a derrotar o ambiente materialista e ideológico que compromete alguns princípios básicos da dignidade humana. Essa organização foi criada para promover a paz entre nações soberanas e o progresso social com liberdade, conforme o preâmbulo de sua Carta.

Nas questões do clima, da democracia, dos direitos humanos, da igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, e em tantas outras, tudo o que precisamos é isto: contemplar a verdade, seguindo João 8,32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Todos os nossos instrumentos, nacionais e internacionais, devem estar direcionados, em última instância, para esse objetivo. Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um “interesse global” abstrato. 

Esta não é a Organização do Interesse Global!

É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer!

Com humildade e confiante no poder libertador da verdade, estejam certos de que poderão contar com este novo Brasil que aqui apresento aos senhores e senhoras. 

Agradeço a todos pela graça e glória de Deus!

Meu muito obrigado.

 

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    Veja quem foi alvo de ataques de Bolsonaro em seu discurso na ONU

    Cuba, Venezuela, ONGs e a imprensa foram citados diretamente; Macron, Lula e Dilma, indiretamente. Leia trechos

    Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

    24 de setembro de 2019 | 12h58

    SÃO PAULO - Em seu discurso de cerca de meia hora na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro fez críticas aos governos de Cuba e da Venezuela, à imprensa, a organizações não governamentais ambientais. Sem citar nomes, também mirou ações tomadas pela França, durante a crise da Amazônia, e aos governos que o antecederam, de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

    França 

    O ataque ao governo francês se deu na metade do discurso, quando o presidente se pronunciou sobre a questão ambiental. Bolsonaro disse que é uma “falácia” dizer que a Amazônia é um “patrimônio do humanidade” e comentou atitudes da França sem citar diretamente o País.

    “Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista”, disse. “Um deles por ocasião do encontro do G7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta”, continuou, para fazer um agradecimento direto ao presidente do Estados Unidos, Donald Trump.

    Cuba e Venezuela

    A citação a Cuba se deu nos primeiros minutos do pronunciamento, após o presidente dizer que o Brasil esteve “muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada”. Neste contexto, falou do país caribenho.

    “Em 2013, um acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional. Foram impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% de seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais, como o de ir e vir. Um verdadeiro trabalho escravo, acreditem”, disse.  "Respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU."

    Na sequência, Bolsonaro fez relação entre o regime cubano e a instabilidade política na América do Sul nos anos 1960, quando ditaduras militares contrárias a Cuba foram instauradas na região. 

    “A história nos mostra que, já nos anos 60, agentes cubanos foram enviados a diversos países para colaborar com a implementação de ditaduras. Há poucas décadas, tentaram mudar o regime brasileiro e de outros países da América Latina. Foram derrotados. Civis e militares brasileiros foram mortos e outros tantos tiveram suas reputações destruídas, mas vencemos aquela guerra e resguardamos nossa liberdade.”

    A partir daí, o presidente relacionou os governos de Cuba e da Venezuela.

    “Na Venezuela, esses agentes do regime cubano, levados por Hugo Chávez, também chegaram e hoje são aproximadamente 60 mil, que controlam e interferem em todas as áreas da sociedade local, principalmente na Inteligência e na Defesa.” 

    O presidente disse que a Venezuela “hoje experimenta a crueldade do socialismo” e emendou: “O socialismo está dando certo na Venezuela. Todos estão pobres e sem liberdade.”

    Depois de citar a crise de refugiados venezuelanos enfrentada pelo Brasil, o presidente fechou o tema fazendo uma referência ao Foro de São Paulo, organização que reúne partidos de esquerda da América Latina. “O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido.”

    Imprensa

    Em outro ponto dos discurso, Bolsonaro passou a falar das queimadas na região da Amazônia, que lhe renderam críticas internacionais.

    O presidente classificou as notícias sobre o tema como “ataques sensacionalistas” partidos de parte da mídia.  “Os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico.”

    ONGs e cacique Raoni

    Ainda comentando a questão ambiental, e entrando no campo da questão indígena, o presidente mirou as ONGs que atuam no tema e o líder da etnia caiapó cacique Raoni. Ele disse que o líder não representava a totalidade do pensamento dos índios brasileiros, que se dividem em 225 povos.

    “Muitas vezes alguns desses líderes, como o Cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”, afirmou o presidente.

    “Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas.”

    Lula e Dilma

    Em outro ponto do discurso, o presidente fez sua descrição sobre a atuação dos “presidentes socialistas” que o antecederam, sem citar os nomes de Dilma ou Lula, citando casos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato ‒ mencionando a atuação do juiz Sérgio Moro.

    “Há pouco, presidentes socialistas que me antecederam desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento, tudo por um projeto de poder absoluto”, disse Bolsonaro. “Esses presidentes também transferiram boa parte desses recursos para  outros países, com a finalidade de promover e implementar projetos semelhantes em toda a região. Essa fonte de recursos secou.”

    Ao tratar dos ex-presidentes,  Bolsonaro ainda fez uma crítica ao plenário da Assembleia-Geral da ONU. “Esses mesmos governantes vinham aqui todos os anos e faziam descompromissados discursos com temas que nunca atenderam aos reais interesses do Brasil nem contribuíram para a estabilidade mundial. Mesmo assim, eram aplaudidos.”

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    Bolsonaro diz que fez discurso 'objetivo e contundente' e nega agressividade

    Em sua estreia na ONU, Bolsonaro fez um discurso desafiador e reiterou temas caros ao 'bolsonarismo'

    Beatriz Bulla e Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

    24 de setembro de 2019 | 14h41

    NOVA YORK - O presidente Jair Bolsonaro disse que o discurso feito na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, nesta manhã, “não foi agressivo”. “Foi um discurso bastante objetivo e contundente, não foi agressivo, eu estava buscando restabelecer a verdade das questões que estamos sendo acusados no Brasil”, disse Bolsonaro a jornalistas.

    A jornalistas, o presidente brasileiro disse que não citou diretamente o presidente da França, Emmanuel Macron. “Eu não citei o nome do Macron, nem da Angela Merkel (chanceler da Alemanha), citei a França e a Alemanha como países em que mais de 50% do seu território é usado na agricultura, no Brasil é apenas 8 (%), tá ok?”, disse.

    Em sua estreia na ONU, Bolsonaro fez um discurso desafiador e reiterou conceitos do “bolsonarismo” ao atacar o socialismo e o que ele classificou como “ambientalismo radical” e “indigenismo ultrapassado”. Nas críticas, o presidente brasileiro fez menção direta à França, país que esteve na linha de frente das críticas ao Brasil na questão da Amazônia.

    Bolsonaro disse a jornalistas que deve encontrar o presidente americano, Donald Trump, nesta noite. “Hoje à noite devemos estar juntos no coquetel”, disse.

    Depois de discursar, o presidente foi para a plateia do plenário da ONU para assistir ao discurso do presidente dos Estados Unidos. De lá, voltou ao hotel onde está hospedado e saiu no início da tarde para almoçar. Questionado sobre onde iria almoçar, Bolsonaro disse que iria “comer num podrão aí fora, aí” e depois que não tem “a menor ideia” de onde iria comer.

    O presidente não teve encontros bilaterais agendados com líderes de outros países durante sua passagem que deve durar cerca de 30 horas em Nova York. A justificativa do Planalto e do Itamaraty para a ausência de outros compromissos oficiais é a condição de saúde do presidente, que se recupera de uma cirurgia. Ele chegou no fim da tarde da segunda-feira ao hotel onde está hospedado em Nova York e saiu para jantar em um restaurante italiano próximo, por cerca de duas horas. Ele ainda segue limitações de alimentação, segundo médicos.

    Bolsonaro terá, durante a tarde, um encontro com o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. Ele já elogiou a política de “tolerância zero” de Giuliani durante gestão da cidade para reduzir índices de criminalidade. A agenda do presidente prevê a volta a Brasília ainda na noite desta terça-feira.

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      Na ONU, presidente amplia, em vez de reduzir, ‘pontos de atritos’ internos e externos

      Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

      24 de setembro de 2019 | 13h15

      Mais incisivo na forma e no conteúdo, e em alguns momentos até mais agressivo do que em discursos anteriores, dentro e fora do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro manteve na sua estreia na abertura da Assembleia-Geral da ONU o ponto central da personalidade do seu governo: a ideologia - termo, aliás, citado cinco vezes em vinte minutos.

      Ao iniciar o discurso, no ataque e em tom grave, ele disse ao mundo algo bastante questionável entre políticos, juristas, analistas e estudiosos: que o Brasil esteve “à beira do socialismo” com seus antecessores diretos. Esteve mesmo? Quando? E o que caracterizou isso?

      A história registrará, e a realidade mostra, que os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff cometeram erros graves e sucessivos, mas nenhum dos dois tentou implantar socialismo nenhum. Até porque sabiam que não havia e não há ambiente e a chance seria próxima de zero.

      Além de atacar diretamente Cuba e Venezuela, o presidente brasileiro também mirou na Alemanha e na França. Citou os dois, não seus presidentes, e mandou recados nada sutis. Exemplo: “um ou outro país, em vez de ajudar (no combate às queimadas), embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista”.

      Evaporou-se a expectativa, e até o compromisso assumido por Bolsonaro, de baixar a poeira, reduzir a beligerância. Ao contrário, como registra o diplomata aposentado Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington, o presidente “não focou adequadamente as críticas ao meio ambiente e fez o contrário do esperado: ampliou os pontos de atrito no exterior”.

      Com tantos dados importantes citados na véspera pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, sobre o combate aos incêndios, Bolsonaro preferiu manter o discurso ideológico, fazer meia dúzia de ácidas críticas à mídia, nacional e internacional, e atribuiu todos os problemas políticos e diplomáticos gerados por desmatamentos e queimadas a uma única fonte: “os ataques sensacionalistas por grande parte da mídia”.

      Ele, aliás, foi contraditório. Apesar dos ataques aos governos anteriores, em todas as áreas, admitiu que, enquanto a França e a Alemanha usam mais de 50% de seus territórios para agricultura, o Brasil usa apenas 8% e, com uma exclamação, declarou: “61% do nosso território é preservado!. Faltou dizer graças a quem, ou ao que: aos governantes, às instituições, às ONGs, aos institutos científicos que monitoram a Amazônia e outros biomas.

      Além de atirar em seus inimigos e externos e internos, atribuindo a facada da campanha a um “militante de esquerda”, o presidente também atacou o cacique Raoni – “usado como peça de manobra por governos estrangeiros” - e introduziu a sua candidata a líder indígena, a jovem Ysany Kalapalo, da Reserva do Xingu, que quase simultaneamente ao discurso já enfrentava um manifesto crítico a ela de 16 caciques indígenas. Pelo visto, o presidente não só ampliou os pontos de atrito “no exterior”, como disse Rubens Barbosa, mas também internamente.

      De positivo destaca-se a forma. Jair Bolsonaro estava firme, bem treinado, manejou sem dificuldade o equipamento transparente e leu sem gaguejar, com voz clara e fluente. Destaque-se também o trecho em que ele refaz seu compromisso com a abertura da economia e a redução do risco para negócios, por meio da desburocratização e da desregulamentação.

      Aliás, uma curiosidade: o presidente só citou um único ministro, Sérgio Moro, da Justiça, “um juiz que é símbolo no meu país”. Nenhuma referência, por exemplo, ao outro “superministro” do governo, Paulo Guedes, da Economia, igualmente importante no ambiente internacional.

      No frigir dos ovos, Bolsonaro falou principalmente para seu público interno e para os líderes da direita emergente no mundo que concordam com ele, por exemplo, na delicada questão da “família”. Segundo o presidente brasileiro, “a ideologia se instalou no terreno da cultura, da educação e da mídia, dominando meios de comunicação, universidades e escolas”. Olha aí mais “pontos de atrito”...

      Para ele, a ideologia invadiu até “os nossos lares para investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável, a família (...), pervertendo até mesmo sua identidade mais básica e elementar, a biológica”. Muito ideológico e abstrato, o presidente foi pouco objetivo e propositivo. Exportadores, produtores e diplomatas esperavam muito mais.

      Ah! O presidente prometeu paz, democracia, liberdade de expressão, mas os grandes ausentes do discurso foram a pobreza, a miséria, a desigualdade social, ou seja, os mais cruéis males brasileiros.

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      Análise: Tergiversação e constrangimento na ONU

      Não é de admirar que Bolsonaro tenha subido à tribuna da Assembleia-Geral disposto a dobrar a aposta

      Carlos Melo*, O Estado de S. Paulo

      24 de setembro de 2019 | 12h26

      Coberto de expectativas e incertezas, numa sessão presidida pela Nigéria, o presidente Jair Bolsonaro tomou lugar na tribuna da Assembleia-Geral da ONU. Com muito desgaste, o Brasil ocupou posição central nas atenções do mundo nos últimos meses; o País que sempre teve o que dizer sobre preservação ambiental de repente passou a negar os problemas do clima e transformou-se num dos grandes verdugos do meio ambiente. Esperava-se que o presidente desfizesse esta impressão.

      Com efeito, desde a campanha eleitoral, Bolsonaro tem agido de modo no mínimo controverso. Instiga ambientalistas, cientistas, indigenistas, a mídia internacional; de modo arrebatado, nada cauteloso, tem insistido em anunciar um modelo de desenvolvimento que, praticamente, se daria a despeito - ou até ao arrepio - de cuidados com a natureza, indiferente a consequências sociais, políticas, climáticas e ambientais desse tipo de ação. Alheio ao potencial político do tema.

      Como assinalou editorial de O Estado, o clima tornou-se uma questão política: “a questão climática é uma das poucas capazes de mobilizar hoje uma juventude crescentemente alheia à política e fechada em suas redes sociais (...) a nenhum governante é permitido ignorar esse fenômeno, que consolida o tema ambiental como o principal tópico político no planeta”. Trata-se do tema internacional de maior sensibilidade política.

      A postura assumida no Brasil, no entanto, não reflete posicionamento isolado nem impensado: Bolsonaro e seus aliados mais próximos têm se alinhado a uma visão internacional tão medieval quanto agressiva, que enxerga a China como o grande inimigo do Ocidente, critica a globalização e, em alguns casos, chega mesmo a negar que a terra seja redonda.

      Ao mesmo tempo em que o mundo vivia a expectativa de seu discurso, o Brasil tomava conhecimento do encontro de seu filho, Eduardo, com Steve Bannon - o ex- estrategista de Donald Trump, agitador da direita internacional e hoje persona non grata na Casa Branca. O indicado à embaixada do Brasil em Washington posava ao lado do guru internacional, indicando que a Amazônia é usada por “globalistas” (sic) para atacar o Brasil e o presidente da República.

      Com isso tudo, não seria mesmo de esperar um gesto de conciliação; uma mão estendida ao entendimento mundial. De modo que não é de admirar que Bolsonaro tenha subido à tribuna da Assembleia-Geral disposto a dobrar a aposta.

      Antes de tudo, seu discurso caminhou pela via da tergiversação e por suas fantasias particulares e de grupo. Martirizando-se como vítima de uma conspiração “de esquerda” que a polícia de seu governo não foi capaz de comprovar, agradeceu por sua vida assumindo o caráter de herói. Depois, afirmou estar disposto a restituir a verdade, a sua verdade. Buscou assim seus espantalhos de costume, favoritos: “o Brasil ressurge depois de estar à beira do socialismo”, disse. Apontou um País em que havia ataques aos valores da família; ao mesmo tempo em que apelou ao perigo comunista, nominando a Venezuela e a Cuba. Voltamos à Guerra Fria, uma esquálida, guerra fria, admita-se.

      Em contraposição ao perigo socialista que se delineava, buscou o conforto - desde sempre controverso - do “sucesso” que alardeia de ações econômicas de seu governo, que ainda hoje ostenta índices tenebrosos de desemprego e estagnação econômica; que começa a recolher críticas de inação e falta de projeto. No campo do combate à corrupção, escudou-se na popular figura de Sérgio Moro,  ostentando-o como um bibelô, outdoor. Sem revelar que o tem esvaziado, num conflito já quase explícito. Jactou-se do que ainda não fez de modo tão sincero que talvez acredite mesmo que já o tenha feito.

      Em relação à Amazônia, de fato, não houve acordo. Não explicou a contrariedade com os dados do Inpe, sua rejeição à comunidade científica e muito menos a chuva de fuligem que cobriu a cidade de São Paulo, há algumas semanas. Pelo contrário, afirmou um “compromisso solene com a Amazônia”, indicando que “somos um dos países que mais protegem o meio ambiente” sem perceber que, por questão lógica, torna-se obrigado a reconhecer o esforço de governos anteriores, posto que o seu tem apenas pouco menos de 9 meses.

      Minimizando os problemas, admitiu, sim, a existência de queimadas criminosas, mas causou constrangimento ao afirmar “também praticadas por índios”, preferindo mencioná-los ao invés de reconhecer ação de grileiros e maus agricultores. No mais, tudo seria obra de “ataques sensacionalistas despertados pela mídia internacional” e - sem citar a França - de “um ou outro país” que “de forma desrespeitosa” atenta contra a soberania do País.

      Nas entrelinhas, foi um discurso de confrontação à França e à Europa, como também de alinhamento e bajulação a Donald Trump. O qual, aliás, falando logo após o brasileiro, martelou nas mesmas teclas de Bolsonaro: Venezuela, Socialismo e Cuba (eis aqui a conexão com Bannon). Aos olhos do mundo, Bolsonaro emerge como pastiche de Trump.

      Voltando à questão indígena, Bolsonaro indicou interesses claros: “O Brasil não aumentará sua área indígena”, lançando os olhos sobre as riquezas das reservas Yanomami e Serra do Sol. Atirou no espantalho das ONGs e revelou aí sua estratégia: dividir o inimigo, desqualificando sua liderança: Raoni “é massa de manobra (...) acabou o monopólio do senhor Raoni (...) a visão de um líder indígena não representa” todos os índios. Comprovou isto lendo carta de “uma comunidade indígena” que hipotecava a ele, Bolsonaro, total apoio.

      Ao final, fez lembrar Carlos Alberto Parreira, que após os 7 x1, sacou do bolso a carta de uma tal de “Dona Lúcia”, acrítica e solidária ao técnico Felipão. Por quanto tempo ainda esse sentimento de 7 x 1 acompanhará o Brasil?

      * CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR DO INSPER

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      Análise: Discurso de Bolsonaro na ONU isola ainda mais o Brasil

      Ao invés de promover diálogo, presidente manda indiretas a líderes europeus e adota tom conspiracionista

      Lucas Leite *, O Estado de S.Paulo

      24 de setembro de 2019 | 17h37

      O presidente Jair Bolsonaro discursou na manhã desse 24 de setembro durante encontro de chefes de Estado e governo na Assembleia-Geral da ONU. Como praxe, o Brasil abre os discursos e, historicamente, costuma ressaltar o valor das instituições, defender o multilateralismo e o direito internacional. Não dessa vez.

      Em um discurso que parecia por vezes improvisado ou mesmo afastado das grandes construções narrativas que marcaram o posicionamento brasileiro via Itamaraty, Bolsonaro mais uma vez se afastou das nossas tradições diplomáticas e reiterou nossa posição ao lado de líderes e grupos conspiracionistas.

      Ao invés de promover a abertura do diálogo, o presidente brasileiro preferiu mandar indiretas aos líderes europeus e exaltar seu colega americano, Donald Trump. Esquece, contudo, Jair Bolsonaro, que o tão aclamado acordo de livre-comércio com a União Europeia (que ainda é apenas uma promessa cada vez mais distante) precisa passar pela aprovação de parlamentos europeus onde sua popularidade é cada vez menor e seu discurso cada vez mais combatido.

      TV Estadão: Assista à íntegra do discurso de Jair Bolsonaro na ONU

      O tom conspiracionista acertou diretamente na mídia, acusada de mentir sobre a realidade brasileira, e se inspirou nas sandices anti-globalistas de que nosso país foi resgatado de uma iminente revolução socialista patrocinada por Cuba e Venezuela.

      Em termos práticos, o Brasil se isola ainda mais. A tradição de país mediador, aberto e tolerante, dá espaço a um país que julga mais importante a orientação sexual de seus cidadãos que o combate às desigualdades. Pior ainda: que adota um discurso soberanista em um período que exige entender justamente o transnacional, o diverso, o “outro”. A vergonha agora foi internacionalizada.

      *DOUTOR EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS E PROFESSOR DA FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO (FAAP)

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      Questão indígena domina discurso de Bolsonaro na ONU; lideranças criticam

      Presidente leu carta que fala em ‘indigenismo ultrapassado’ e ‘ambientalismo radical’

      Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

      24 de setembro de 2019 | 20h18
      Atualizado 26 de setembro de 2019 | 10h43

      NOVA YORK – A expectativa era que as queimadas na Amazônia tomassem a maior parte da fala de Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU, mas o tema que dominou o discurso do presidente foi questão indígena no Brasil.

      Bolsonaro, que falou em “ambientalismo radical” e “indigenismo ultrapassado” ao ler uma carta atribuída a uma comunidade indígena, também criticou o líder da etnia caiapó cacique Raoni, indicado ao prêmio Nobel da Paz.

      Segundo Bolsonaro, o cacique é “peça de manobra” de governos estrangeiros. “Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas”, disse Bolsonaro.

      Líderes indígenas brasileiros que vieram para Nova York acompanhar a marcha contra as mudanças climáticas e a Cúpula do Clima da ONU fizeram uma forte manifestação de repúdio às declarações do presidente.

      “Hoje foi um dia de terror para os povos indígenas do Brasil e do mundo. Bolsonaro fez um discurso de intolerância e muita truculência. Essa fala será histórica, infelizmente, porque mancha o legado brasileiro nas Nações Unidas”, afirmou Sônia Guajajara, da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, e coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

      “Ele nos chamou de animais (na verdade foi homens) das cavernas e ainda desrespeitou o nosso grande líder, o cacique Raoni, que foi nomeado ao prêmio Nobel da Paz. Bolsonaro se colocou mundialmente como uma ameaça concreta a Amazônia, como um porta-voz do agronegócio e da exploração mineral, com uma posição do século 19”, continuou a líder indígena, que foi candidata à vice-presidência na chapa de Guilherme Boulos no ano passado.

      "Bolsonaro mente quando nega como patrimônio da humanidade. A Amazonia é sim patrimônio da humanidade, como ousa dizer manha mentira? Ela não pertence a nenhum de nós, mas é de todos nós”, disse.

      Sonia, Dinamam Tuxá, Cristiane Pankarau e a jovem Artemisa Xakriabá, de 19 anos, que discursou durante a marcha pelo clima na sexta-feira, em Nova York, falaram com a imprensa algumas horas depois do discurso de Bolsonaro.

      O cacique Raoni Metuktire, citado diretamente pelo presidente como alguém usado “como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”, também estava previsto para falar com a imprensa, mas passou mal e se dirigiu para o aeroporto para voltar ao Brasil.

      Acompanhado da indígena Ysani Kalapalo, do Xingu, que se declara uma “indígena do século 21”, Bolsonaro improvisou em relação ao discurso que tinha levado escrito e decretou: “Acabou o monopólio do senhor Raoni”, ao argumentar que Ysani teria poder de representatividade dos povos indígenas por ter sido endossada em carta do Grupo dos Agricultores Indígenas do Brasil, assinada por 52 etnias.

      “Dizer que Raoni é usado por interesses estrangeiros reforça uma prática da ditadura, de achar que não temos capacidade. Não estamos sendo usados por ninguém, estamos aqui respondendo aos pedidos da mãe-terra”, disse Sonia.

      Ela também comentou a presença de Ysani: “Somos uma enorme diversidade. São 305 povos indígenas no Brasil. Não podemos de forma alguma esperar que todos tenham o mesmo pensamento. Mas ao trazer uma indígena do seu lado, Bolsonaro reforça o espírito de colonizador, de ditadura, de tutela. De ele querer dizer quem nos representa. Ela pode representar o governo dele, mas não os indígenas”.

      No sábado, tepresentantes de 16 povos do Parque Indígena do Xingu, onde vive Ysani, divulgaram uma carta de repúdio à presença dela na comitiva. "O governo brasileiro ofende as lideranças indígenas do Xingu e do Brasil ao dar destaque a uma indígena que vem atuando constantemente em redes sociais com objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento indígena do Brasil", dizia o texto.

      O documento foi assinado por líderes dos povos Aweti, Matipu, Mehinako, Kamaiurá, Kuikuro, Kisedje, Ikpeng, Yudjá, Kawaiweté, Kalapalo, Narovuto, Waurá, Yawalapiti, Nafukuá e Tapayuma, todos localizados no Parque do Xingu, considerado uma das maiores reservas indígenas do mundo. 

      Em Nova York, Dinaman Tuxá, também da Apib, disse que os indígenas ficaram bastante assustados com o pronunciamento de Bolsonaro na ONU. “Mas pelo menos agora nós e vocês tiveram certeza que tudo o que a gente vem falando nesses nove meses de governo é verdade. As denúncias que os povos indígenas trouxeram à tona são verdadeiras. Bolsonaro declarou que vai abrir mineração em terra indígena e não apresentou nada de concreto para combater os incêndios na Amazônia”, afirmou.

      “É uma tristeza ver, como jovem, depois de marchar com milhares de outros jovens pelas ruas pela proteção do nosso planeta, ver o nosso presidente falar que é a gente que põe fogo na floresta. Dá muita raiva, tristeza e vergonha”, resumiu Artemisa.

      Em Brasília, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Roque Paloschi,  leu um artigo em solidariedade aos povos indígenas e a Raoni durante o lançamento do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados 2018, na tarde desta terça. 

      “A agressividade nos discursos do presidente da República e de membros do seu governo servem de combustível para a violência cometida contra os territórios e a vida dos povos originários, cidadãos e cidadãs de primeira hora de nosso querido Brasil”, escreveu o presidente do Cimi. 

      Recuo

      Logo depois que a lista de assinaturas da carta dos Índios Agricultores veio à tona, áudios de alguns dos signatários começaram a circular em grupos de Whatsapp dizendo que não endossavam a indígena.

      Um deles é do indígena Rony Pareci, do povo Haliti-Pareci, que cultiva soja em terra indígena e foi visitado pelos ministros Ricardo Salles (Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura) em fevereiro. Ele defende agricultura em terras indígenas, mas disse que não concorda muito com a forma com que Ysani se expõe.

      “Eu nunca fui contra ninguém, é direito dela de expor, debater, fazer a reflexão do jeito dela, mas meu ponto de vista eu vejo muito exagerado (o ponto dela), muito constrangedor, que em vez de somar, às vezes traz uma imagem negativa. A forma dela expor acaba sendo muito negativo. A conduta dela acaba sendo muito negativa. Peço para retirar meu nome desse documento”, diz para um grupo de Whatsapp dos Índios Agricultores.

      * A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO NO PEACE WITHOUT JUSTICE

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      Moro elogia e Doria critica fala na ONU

      Citado, ministro da Justiça classifica discurso de Bolsonaro como ‘assertivo’; governador de SP diz que o texto foi ‘inadequado’ e ‘inoportuno’

      Thiago Faria e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

      24 de setembro de 2019 | 22h52

      BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) – dois nomes já cotados para a disputa presidencial de 2022 –, emitiram opiniões opostas sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro na 74.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas. Citado pelo presidente, Moro classificou o discurso como “assertivo”. Já Doria afirmou que o texto lido por Bolsonaro foi inadequado” e “inoportuno”. 

      O ministro elogiou a abordagem de temas como “soberania, liberdade, democracia, abertura econômica, preservação da Amazônia, oportunidades e desenvolvimento para a população brasileira”. Moro se manifestou ontem em seu perfil no Twitter. “Na ONU, PR @jairbolsonaro reitera ao mundo seu compromisso contra o crime e a corrupção”, escreveu o ex-juiz da Lava Jato.

      No discurso, Bolsonaro chegou a creditar a Moro o julgamento e a punição de “presidentes socialistas que me antecederam”, a quem ele acusou de desviar “centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do Parlamento”. Quando era juiz federal de Curitiba, Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje cumpre pena. O petista já discursou na ONU em 2003, 2004, 2006, 2007, 2008 e 2009.

      Durante entrevista coletiva ontem em São Paulo, o governador João Doria disse que o discurso de Bolsonaro é “sem referências que pudessem trazer respeitabilidade e confiança ao Brasil, no plano ambiental, no plano econômico e no plano político”. “Lamento que o presidente tenha perdido mais uma oportunidade para o Brasil”, declarou o governador, para quem a fala do presidente brasileiro estava carente de “bom senso” e “humildade”.

      Para Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata derrotada nas três últimas eleições presidenciais, Bolsonaro tentou “negar a realidade dos fatos”. Para ela, o presidente “atacou os povos indígenas ao contestar a liderança do cacique Raoni, como se fosse peça de manobra de governos estrangeiros, e sugeriu o absurdo de que as queimadas na Amazônia podem ter sido causadas por uma prática cultural dos índios e das populações locais”.

      Congresso

      O discurso dividiu opiniões no Congresso. Para parlamentares alinhados ao governo, a fala foi “própria de estadistas”, enquanto opositores demonstraram desconforto.

      O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) classificou o discurso do presidente como “deplorável”. Para ele, Bolsonaro rompeu a tradição multilateral brasileira e errou gravemente ao atacar povos indígenas. “Envergonhou o Brasil, rompeu a tradição multilateral brasileira, atacou nações amigas do Brasil tradicionalmente, como a França. Se colocou sujeito aos Estados Unidos e não teve a reciprocidade no discurso seguinte, de Donald Trump.”

      O PT divulgou nota em que classificou o discurso como “de um deprimente espetáculo”. “O Partido dos Trabalhadores teve a honra e a responsabilidade de levar dois presidentes à ONU e ambos – Lula e Dilma Rousseff – proclamaram na Assembleia-Geral os valores da paz, do diálogo entre povos”, diz o texto. No lugar disso, segundo a nota, “Bolsonaro despeja seu ódio virulento”.

      Já o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), aliado de Bolsonaro, avaliou o pronunciamento como “histórico”. “Nosso Brasil entrou definitivamente para o grupo das nações que ditam os rumos da humanidade!”, escreveu no Twitter.

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      ‘Discurso histórico’, diz Orleans e Bragança

      Descendente da antiga família real, deputado afirma que ONU ‘luta contra conceitos’ de ‘Deus, pátria e família’

      Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

      24 de setembro de 2019 | 23h04

      Primeiro vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e descendente da antiga família real brasileira, o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) classificou como “histórico” o discurso feito nesta terça-feira, em Nova York, pelo presidente Jair Bolsonaro durante a abertura da 74.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

      “Foi um discurso histórico que teve como base Deus, pátria e família. Isso é novidade para a ONU, que luta contra esses conceitos. Foi um discurso que defendeu o combate pela soberania”, afirmou o parlamentar do PSL ao Estado.

      Na pré-campanha eleitoral de 2018, o hoje deputado chegou a ser anunciado como candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro. Mais tarde, também foi cotado para ser ministro das Relações Exteriores.

      Na avaliação do parlamentar, a fala do presidente na ONU não foi agressiva, como avaliaram alguns especialistas. “O discurso foi uma ruptura com tudo o que escutamos no contexto da ONU: uma fala objetiva e direta.”

      Orleans e Bragança também sustentou a tese de que a esquerda ainda mantém uma forte influência no continente e, por conta disso, precisa ser combatida – fazendo coro com Bolsonaro, segundo o qual o Brasil esteve próximo, no passado recente, de se tornar um país socialista.

      “Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições”, afirmou o presidente brasileiro, em trecho inicial do discurso lido na abertura do encontro da ONU.

      ‘Mentalidade’

      Segundo o deputado do PSL, ainda existiria no Brasil uma “mentalidade socialista hegemônica e progressista” nas escolas, clubes e universidades.

      “A elite brasileira se tornou progressista e socialista”, afirmou ele. “Os países mais livres têm o mesmo problema em comum: a influência do socialismo de Estado que leva a um freio da atividade econômica” disse ele.

      Amazônia 

      Sobre o trecho do discurso de Jair Bolsonaro que tratou da Amazônia, o deputado do PSL sustentou que as queimadas existem, mas estariam sob controle e não teriam registrado crescimento na comparação com anos anteriores. “Isso não é um fato relevante. Houve incêndios criminosos. Mas fica a dúvida: foi motivação política ou a iniciativa de fazendeiros locais? O fato é que não há crise ambiental no Brasil”, disse ele.

      Em sua fala na ONU, Bolsonaro afirmou que tem “compromisso solene” com a proteção da Amazônia e da floresta, que é maior do que toda a Europa ocidental e “permanece praticamente intocada”.

      Ele elogiou ainda a aproximação política do Palácio do Planalto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “O discurso de Bolsonaro estava em consonância com o do presidente Trump. Ambos defendem os valores da consciência cristã. A maioria das nações que nascem criadas com valores cristãos valoriza a família, a lei e a ordem.”

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      ‘Fala vai afetar muito as perspectivas do agronegócio brasileiro', diz Ricupero sobre Bolsonaro

      Para embaixador, presidente visa consolidar apoio de segmento que lhe deu vitória e ignora ótica internacional

      Entrevista com

      Rubens Ricupero, diplomata

      Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

      25 de setembro de 2019 | 05h00

      Embaixador aposentado com mais de quatro décadas de carreira no Itamaraty, o diplomata Rubens Ricupero acredita que o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da Nações Unidas (ONU) pode ter reflexos negativos em acordos comerciais e na relação com investidores estrangeiros. 

      Subsecretário da ONU entre 1995 e 2004, quando comandou a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), ele diz que a negação do desmatamento na Amazônia desperdiça o que, para ele, foi o “único trunfo” do Brasil na cena internacional: o prestígio pela condução de sua diplomacia do meio ambiente. Ricupero classificou o discurso como “desastroso” e disse que não há paralelo com a participação de outros representantes do País na Assembleia-Geral

      Abaixo, os principais trechos da entrevista:

      • Qual a impressão do senhor do discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro?

      Antes do discurso, eu já achava que o presidente iria a Nova York sobretudo em função do público interno, e não do público internacional. Ele fez exatamente isso, tanto que não sou só eu que estou dizendo. Se você tiver o cuidado de ler o tuíte do Flávio Bolsonaro, senador e filho dele, vai ver que ele diz exatamente a mesma coisa que eu digo: que o presidente fez, na ONU, o discurso vitorioso nas eleições aqui no Brasil, e por isso os derrotados estão protestando.

      Ele mostra claramente que esse é um episódio que não se compreende pela ótica internacional, como seria natural. A chave para a compreensão do discurso dele é a política doméstica brasileira. Bolsonaro é um presidente obcecado pela perda de popularidade, que já está se lançando candidato à reeleição, e já está disputando com rivais como (o governador de São Paulo, João) Doria e outros. Ele radicaliza o discurso para consolidar o seu apoio naquele segmento que deu a vitória a ele.

      Nenhum presidente brasileiro jamais fez um discurso desse tipo fora do Brasil. É como lavar a roupa suja fora de casa, de maneira escancarada. O discurso, às vezes, parece mais se dirigir contra os opositores internos do que externos. Mas sobrou para todo mundo: Cuba, Venezuela, França, Alemanha, ONU. Ele atacou todos. 

      • Qual a consequência de ele fazer um discurso desses na principal tribuna do mundo? 

      Eu considero que é o discurso mais desastroso de todos os discursos feitos pelo Brasil desde que existe o debate da Assembleia-Geral. Conheço bem os discursos feitos por todos os antecessores porque escrevi um livro sobre a história da diplomacia brasileira (A diplomacia na construção do Brasil: 1750-2016, Versa Editores). É um discurso agressivo e belicoso no fundo, na forma e no tom. Bolsonaro estava claramente desconfortável naquele ambiente, sentia que era um auditório hostil. Não teve amenidades. Em diplomacia, às vezes a forma é mais importante do que o conteúdo. Nesse caso, tanto o conteúdo quanto a forma são muito duros. Ele confirma o que há de pior. 

      • E como isso se reflete nas relações do Brasil com os países?

      Os acordos que o Mercosul tinha assinado com a União Europeia e a Área de Livre Comércio Europeu já estavam praticamente mortos. Agora, ele coloca vários pregos no caixão. Ele inviabiliza, no futuro previsível, qualquer esforço de boa vontade para apresentar esses acordos à aprovação dos diversos parlamentos europeus. Isso vai afetar muito as perspectivas do agronegócio brasileiro, da exportação do Brasil em geral.

      Aquilo que o Brasil tinha, uma imagem positiva em meio ambiente, ele jogou fora, no lixo. Ele desperdiçou o único trunfo que o Brasil tinha. Nós não temos poder militar, não temos bomba atômica, nem poder econômico. Mas tinha aquele prestígio da sua diplomacia proativa em matéria ambiental. Agora, nós perdemos isso. Acho que isso vai alimentar essa onda contra nós. Antes de ir a Nova York, eu achava que era difícil piorar a situação. Eu me enganei. Ele conseguiu piorar.

      • O Brasil já tinha protagonizado embates com outros países. É uma oportunidade perdida? Era possível usar esse discurso como uma tentativa de reiniciar essas relações?

      Se ele fosse uma pessoa diferente, acho que sim. Você se lembra que, pouco antes de ele sair daqui, houve aquele documento assinado por 230 fundos de investimento (em defesa da Amazônia). Eram fundos de mais de 30 países que manejam trilhões de dólares. Utilizando isso, ele poderia ter feito um discurso muito mais conciliador. Poderia dizer que tinha sido malcompreendido, que o Brasil quer atrair investimentos, que o País quer ter uma política de desenvolvimento sustentável. Ele poderia ter feito algo muito mais construtivo, como seria do interesse até do agronegócio, por exemplo. É uma oportunidade perdida e não sei se haverá outra. 

      • Há muitos apoiadores do presidente que esperavam que o tom fosse justamente esse, e concordam com essa posição. Ainda existe espaço para essa retórica na comunidade internacional, uma vez que ele está alinhado a líderes como Donald Trump, Boris Johnson e Viktor Orbán?

      Não, não existe. Esses exemplos mesmo que você mencionou mostram claramente que isso é antidiplomacia. É querer desafiar aquilo que antigamente se chamava de “a opinião honesta da humanidade”. Esses homens são indivíduos criticados, despreparados. Quem é que admira Boris Johnson, à exceção daqueles poucos partidários dele? Ninguém. O Trump tem aquele núcleo de apoiadores fiéis, mas agora ele está lutando pela própria sobrevivência. Se você levar em conta que o Matteo Salvini (ex-ministro da Itália) já saiu de cena, que Binyamin Netanyahu já não tem mais nenhuma posição proeminente em Israel, e que Trump está salvando a própria pele, você vê que esse, aparentemente, não é o caminho do sucesso. 

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      Amazônia não é praticamente intocada, como diz Bolsonaro, apontam institutos

      Números e estudos de diversos órgãos como Inpe, IPAM e Nasa contradizem discurso do presidente na ONU

      Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

      24 de setembro de 2019 | 19h01

      NOVA YORK – Em discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, na manhã desta terça-feira, 24, o presidente Jair Bolsonaro disse que a Amazônia permanece praticamente intocada. Não é o que atestam números e dados de diversos institutos de pesquisa que estudam o tema.

      Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora a floresta desde 1989, aponta que já houve um desmatamento acumulado de 19,73% do território.

      O presidente afirmou que “nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas. E ainda disse que “vale ressaltar” que existem também “queimadas praticadas por índios e populações locais, como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência.”

      Análises feitas pela Nasa e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) apontaram uma correlação entre as queimadas atuais e o desmatamento que ocorreu nos meses anteriores. Alertas feitos pelo sistema Deter, do Inpe, indicam uma alta de quase 50% no desmatamento entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores.

      Correlação entre desmatamento e queimadas

      Queimada espontânea, por outro lado, é rara na floresta tropical úmida. E estudos mostram que quando o fogo é intenso e repetitivo, a chance de recuperação é muito mais demorada. 

      De fato existem algumas queimadas provocadas por indígenas e populações tradicionais, mas para limpar a roça, não na proporção do que ocorreu em agosto. Bolsonaro levou essa informação amparado em falas da indígena Ysani Kalapalo, apoiadora do presidente e que foi levada por ele à Assembleia-Geral da ONU

      O presidente havia compartilhado em suas redes sociais na dia 18 um vídeo de Ysani em que ela aparece em sua aldeia e afirma: “Existe muito fake news sobre as queimadas, que é culpa do governo Bolsonaro. Não existe isso aí”.

      Um outro estudo do Ipam mostrou, porém, que a maioria das queimadas ocorreu em propriedades privadas neste ano. O Ministério Público Federal do Pará investiga inclusive fazendeiros que estariam por trás do Dia do Fogo, que ocorreu em 10 de agosto. 

      Queimadas ocorrem em propriedades privadas

      E, apesar de essa ser a temporada seca, há mais umidade neste ano que em 2016, por exemplo, que também tinha sido um ano com mais fogo. Agosto deste ano teve mais queimadas que a média para o mês dos últimos 21 anos.

      Bolsonaro disse também que o País usa somente 8% do território nacional para a produção de alimentos e que 61% do nosso território é preservado.

      Ele se baseia em um estudo do United States Geological Survey e de dados controversos de seu “guru ambiental”, o agrônomo Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial, que já foram contestados por diversos pesquisadores brasileiros. Um relatório chegou a ser divulgado neste ano, o Brasil: Inteligência e Dados sobre cobertura e uso da terra, assinado por cientistas como Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da USP, e Eduardo Assad, também da Embrapa, desmontando os dados. 

      Assista à íntegra do discurso de Jair Bolsonaro na ONU

      Brasil: Inteligência e Dados sobre cobertura e uso da terra

      Segundo os cálculos mais aceitos, a produção agrícola no País ocupa cerca de 30%, de acordo com MapBiomas e Atlas da Agropecuária Brasileira. No documento, os pesquisadores explicam que a análise dos 8% foi baseada no projeto Global Food Security Analysis Support Data (GFSAD30), financiado pela Nasa, para fornecer dados globais sobre terras agrícolas e seu uso de água e apoiar a segurança alimentar no século 21. 

      Segundo Assad, os dados da NASA/USGS foram validados tendo como base o censo agropecuário do IBGE. "Ocorre que os dados do IBGE estimam uma área agrícola de 8,26%, que se refere apenas às culturas de soja, algodão, arroz, cana-de-açúcar, feijão e milho, quando de fato a agricultura brasileira abrange 44 diferentes culturas", informa o relatório. 

      Segundo Assad, os percentuais referentes a apenas quatro tipos de culturas são utilizados como o total da produção agrícola do país quando mapeados pelo projeto da USGS.

      * A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO NO PEACE WITHOUT JUSTICE.

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      Entenda os fatos citados por Bolsonaro em seu discurso

      Confira a íntegra da fala do presidente na Assembleia na ONU e, em itálico e negrito, a contextualização

      Bruno Ribeiro, O Estado de São Paulo

      24 de setembro de 2019 | 17h53

      SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro abriu a Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 24, com um discurso em que fez ataques a países como Cuba e Venezuela, ao socialismo e a organizações não governamentais. Fez elogios aos governos dos Estados Unidos e Israel. Confira, abaixo, a íntegra do discurso, com a contextualização dos fatos relacionados aos pontos citados pelo presidente:

      “Senhor presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, senhor secretário-geral da ONU, António Guterres, chefes de estado, de governo e de delegação, senhoras e senhores, 

      Apresento aos senhores um novo Brasil, que ressurge depois de estar à beira do socialismo. Um Brasil que está sendo reconstruído a partir dos anseios e dos ideais de seu povo. 

      No meu governo, o Brasil vem trabalhando para reconquistar a confiança do mundo, diminuindo o desemprego, a violência e o risco para os negócios, por meio da desburocratização, da desregulamentação e, em especial, pelo exemplo. 

      Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições.

      Em 2013, um acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional. Foram impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% de seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais, como o de ir e vir. 

      Um verdadeiro trabalho escravo, acreditem… Respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU! 

      Antes mesmo de eu assumir o governo, quase 90% deles deixaram o Brasil, por ação unilateral do regime cubano. Os que decidiram ficar, se submeterão à qualificação médica para exercer sua profissão. Deste modo, nosso país deixou de contribuir com a ditadura cubana, não mais enviando para Havana 300 milhões de dólares todos os anos.”

      ENTENDA: O presidente se referiu ao programa Mais Médicos, lançado em 2013, que contou com 14 mil médicos, dos quais 8 mil eram cubanos. Cuba decidiu encerrar a parceria pouco antes de Bolsonaro tomar posse, citando declarações “depreciativas e ameaçadoras” do presidente brasileiro. 

      A história nos mostra que, já nos anos 60, agentes cubanos foram enviados a diversos países para colabora com a implementação de ditaduras. Há poucas décadas tentaram mudar o regime brasileiro e de outros países da América Latina. Foram derrotados! 

      Civis e militares brasileiros foram mortos e outros tantos tiveram suas reputações destruídas, mas vencemos aquela guerra e resguardamos nossa liberdade.

      Na Venezuela, esses agentes do regime cubano, levados por Hugo Chávez, também chegaram e hoje são aproximadamente 60 mil, que controlam e interferem em todas as áreas da sociedade local, principalmente na Inteligência e na Defesa. A Venezuela, outrora um país pujante e democrático, hoje experimenta a crueldade do socialismo.  

      O socialismo está dando certo na Venezuela! Todos estão pobres e sem liberdade!

      O Brasil também sente os impactos da ditadura venezuelana. Dos mais de 4 milhões que fugiram do país, uma parte migrou para o Brasil, fugindo da fome e da violência. Temos feito a nossa parte para ajudá-los, através da Operação Acolhida, realizada pelo Exército Brasileiro e elogiada mundialmente.

      ENTENDA: O presidente cita Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), compilados entre 2015 e 2019. Desse total, 168 mil venezuelanos foram para o Brasil. A Operação Acolhida existe desde 2018.

      Trabalhamos com outros países, entre eles os EUA, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela, mas também nos empenhamos duramente para que outros países da América do Sul não experimentem esse nefasto regime. O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido.

      ENTENDA: O Foro de São Paulo é uma entidade que reúne partidos e movimentos de esquerda ‒ alguns envolvidos com a luta armada ‒ de todo o continente. O fortalecimento da entidade é uma das bandeiras do setor do PT que venceu, há duas semanas, o processo eleitoral interno do partido.

      ✱✱✱ 

      Senhoras e Senhores,

      Em busca de prosperidade, estamos adotando políticas que nos aproximem de países outros que se desenvolveram e consolidaram suas democracias. 

      Não pode haver liberdade política sem que haja também liberdade econômica. E vice-versa. O livre mercado, as concessões e as privatizações já se fazem presentes hoje no Brasil. 

      A economia está reagindo, ao romper os vícios e amarras de quase duas décadas de irresponsabilidade fiscal, aparelhamento do Estado e corrupção generalizada. A abertura, a gestão competente e os ganhos de produtividade são objetivos imediatos do nosso governo.

      Estamos abrindo a economia e nos integrando às cadeias globais de valor. Em apenas oito meses, concluímos os dois maiores acordos comerciais da história do país, aqueles firmados entre o Mercosul e a União Europeia e entre o Mercosul e a Área Europeia de Livre Comércio, o EFTA. Pretendemos seguir adiante com vários outros acordos nos próximos meses.

      ENTENDA: O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi fechado em junho, mas ainda precisa ser validado pelos países dos dois blocos. No caso europeu, países como a França e a Irlanda cogitaram condicionar o pacto à defesa do Brasil pela Amazônia. O acordo com a EFTA, que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, foi firmado em agosto

      Estamos prontos também para iniciar nosso processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Já estamos adiantados, adotando as práticas mundiais mais elevadas em todo os terrenos, desde a regulação financeira até a proteção ambiental.

      ✱✱✱ 

      Senhorita YSANY KALAPALO, agora vamos falar de Amazônia.

      Em primeiro lugar, meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade e riquezas minerais. Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente. 

      Nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas. Vale ressaltar que existem também queimadas praticadas por índios e populações locais, como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência. Problemas qualquer país os tem. 

      ENTENDA: Em agosto, na comparação com agosto do ano passado, o número de queimadas na região amazônica teve aumento de 196%. 33% das queimadas estavam em áreas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), embora essas terras representem apenas 18% do bioma amazônico.

      Contudo, os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico.

      É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo. 

      ENTENDA: O consenso entre os cientistas é que a Amazônia é vital para o regime de chuvas do continente, não que ela seja ‘o pulmão do mundo’. O oxigênio que consumimos partiu da produção feita pelos primeiros seres vivos que habitaram o planeta.

      Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania! 

      Um deles por ocasião do encontro do G7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta. Em especial, ao Presidente Donald Trump, que bem sintetizou o espírito que deve reinar entre os países da ONU: respeito à liberdade e à soberania de cada um de nós.

      ENTENDA: A pauta da Amazônia ganhou destaque no G7 por ação do presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião do encontro realizado em agosto em Biarritz. Após a UE oferecer R$ 83 milhões para ajudar a combater as chamas, Macron chegou a questionar conferir um status internacional à floresta caso os líderes da região tomem decisões prejudiciais ao planeta. Mas não sugeriu sanções diretas ao Brasil.

      Hoje, 14% do território brasileiro está demarcado como terra indígena, mas é preciso entender que nossos nativos são seres humanos, exatamente como qualquer um de nós. Eles querem e merecem usufruir dos mesmos direitos de que todos nós.

      Quero deixar claro: o Brasil não vai aumentar para 20% sua área já demarcada como terra indígena, como alguns chefes de Estados gostariam que acontecesse. Existem, no Brasil, 225 povos indígenas, além de referências de 70 tribos vivendo em locais isolados. Cada povo ou tribo com seu cacique, sua cultura, suas tradições, seus costumes e principalmente sua forma de ver o mundo. 

      A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia.

      ENTENDA: Raoni tentou uma audiência com Bolsonaro no primeiro semestre, que foi negada. O secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia, disse que o líder indígena e ambientalista, reconhecido internacionalmente, não representava os índios. O ex-presidente da Funai, general Franklimberg Ribeiro de Freitas, disse que Nabhan “saliva ódio aos indígenas”.

      Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas. O Brasil agora tem um presidente que se preocupa com aqueles que lá estavam antes da chegada dos portugueses. 

      O índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terras ricas. Especialmente das terras mais ricas do mundo. É o caso das reservas Ianomâmi e Raposa Serra do Sol. Nessas reservas, existe grande abundância de ouro, diamante, urânio, nióbio e terras raras, entre outros.

      E esses territórios são enormes. A reserva Ianomâmi, sozinha, conta com aproximadamente 95 mil km2, o equivalente ao tamanho de Portugal ou da Hungria, embora apenas 15 mil índios vivam nessa área.

      Isso demonstra que os que nos atacam não estão preocupados com o ser humano índio, mas sim com as riquezas minerais e a biodiversidade existentes nessas áreas.

      (Neste momento, Bolsonaro lê uma carta atribuída a uma comunidade indígena)

      A Organização das Nações Unidas teve papel fundamental na superação do colonialismo e não pode aceitar que essa mentalidade regresse a estas salas e corredores, sob qualquer pretexto. 

      Não podemos esquecer que o mundo necessita ser  alimentado. A França e a Alemanha, por exemplo, usam mais de 50% de seus territórios para a agricultura, já o Brasil usa apenas 8% de terras para a produção de alimentos. 61% do nosso território é preservado!

      Nossa política é de tolerância zero para com a criminalidade, aí incluídos os crimes ambientais. Quero reafirmar minha posição de que qualquer iniciativa de ajuda ou apoio à preservação da Floresta Amazônica, ou de outros biomas, deve ser tratada em pleno respeito à soberania brasileira.

      Também rechaçamos as tentativas de instrumentalizar a questão ambiental ou a política indigenista, em prol de interesses políticos e econômicos externos, em especial os disfarçados de boas intenções.

      Estamos prontos para, em parcerias, e agregando valor, aproveitar de forma sustentável todo nosso potencial.

      ✱✱✱

      O Brasil reafirma seu compromisso intransigente com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e da liberdade, de expressão, religiosa e de imprensa.

      É um compromisso que caminha junto com o combate à corrupção e à criminalidade, demandas urgentes da sociedade brasileira. Seguiremos contribuindo, dentro e fora das Nações Unidas, para a construção de um mundo onde não haja impunidade, esconderijo ou abrigo para criminosos e corruptos.

      Em meu governo, o terrorista italiano Cesare Battisti fugiu do Brasil, foi preso na Bolívia e extraditado para a Itália. Outros três terroristas paraguaios e um chileno, que viviam no Brasil como refugiados políticos, também foram devolvidos a seus países. Terroristas sob o disfarce de perseguidos políticos não mais encontrarão refúgio no Brasil. 

      ENTENDA: Bolsonaro cita Battisti e, indiretamente, os paraguaios Juan Arrom, Victor Colmán e Anuncio Martí, e o chinelo Maurício Hernández Norambuena. Todos tinham status de asilado ou refugiado no Brasil desde o início da década passada. Eles eram militantes da luta armada de movimentos de esquerda em seus países. Battisti e Norambuena eram acusados de assassinato em seus países. Os paraguaios, de sequestro. 

      Há pouco, presidentes socialistas que me antecederam desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento, tudo por um projeto de poder absoluto.

      Foram julgados e punidos graças ao patriotismo, perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o Dr. Sérgio Moro, nosso atual Ministro da Justiça e Segurança Pública. 

      Esses presidentes também transferiram boa parte desses recursos para outros países, com a finalidade de promover e implementar projetos semelhantes em toda a região. Essa fonte de recursos secou.

      ENTENDA: O Brasil, por meio do BNDES, faz empréstimo a governos estrangeiros desde a década de 1990. O maior tomador de empréstimos é a Argentina. Mas Cuba e Venezuela têm dívidas de mais de R$ 2 bilhões com a instituição.

      Esses mesmos governantes vinham aqui todos os anos e faziam descompromissados discursos com temas que nunca atenderam aos reais interesses do Brasil nem contribuíram para a estabilidade mundial. Mesmo assim, eram aplaudidos. 

      Em meu país, tínhamos que fazer algo a respeito dos quase 70 mil homicídios e dos incontáveis crimes violentos que, anualmente, massacravam a população brasileira. A vida é o mais básico dos direitos humanos. Nossos policiais militares eram o alvo preferencial do crime. Só em 2017, cerca de 400 policiais militares foram cruelmente assassinados. Isso está mudando.

      ENTENDA: Em 2018, houve 57,3 mil homicídios do País. Os dados, embora ainda alarmantes, segundo os especialistas, representaram queda de 10% em relação a 2017 e foi o menor índice desde 2011. O número de pessoas mortas por policiais, entretanto, teve alta de 20%.

      Medidas foram tomadas e conseguimos reduzir em mais de 20% o número de homicídios nos seis primeiros meses de meu governo. As apreensões de cocaína e outras drogas atingiram níveis recorde. 

      Hoje o Brasil está mais seguro e ainda mais hospitaleiro. Acabamos de estender a isenção de vistos para países como Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá, e estamos estudando adotar medidas similares para China e Índia, dentre outros.

      Com mais segurança e com essas facilidades, queremos que todos possam conhecer o Brasil, e em especial, a nossa Amazônia, com toda sua vastidão e beleza natural.

      Ela não está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia. Cada um de vocês pode comprovar o que estou falando agora. Não deixem de conhecer o Brasil, ele é muito diferente daquele estampado em muitos jornais e televisões!

      ✱✱✱

      A perseguição religiosa é um flagelo que devemos combater incansavelmente. Nos últimos anos, testemunhamos, em diferentes regiões, ataques covardes que vitimaram fiéis congregados em igrejas, sinagogas e mesquitas. 

      O Brasil condena, energicamente, todos esses atos e está pronto a colaborar, com outros países, para a proteção daqueles que se veem oprimidos por causa de sua fé. 

      Preocupam o povo brasileiro, em particular, a crescente perseguição, a discriminação e a violência contra missionários e minorias religiosas, em diferentes regiões do mundo. 

      ENTENDA: A posição mais firme do Brasil com relação à perseguição religiosa é um pedido da bancada evangélica, base de apoio de Bolsonaro. Líderes neo pentecostais, que têm missões em países muçulmanos, pedem atenção para a morte de cristãos nesses países.

      Por isso, apoiamos a criação do 'Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença'. Nessa data, recordaremos anualmente aqueles que sofrem as consequências nefastas da perseguição religiosa.

      É inadmissível que, em pleno Século XXI, com tantos instrumentos, tratados e organismos com a finalidade de resguardar direitos de todo tipo e de toda sorte, ainda haja milhões de cristãos e pessoas de outras religiões que perdem sua vida ou sua liberdade em razão de sua fé. A devoção do Brasil à causa da paz se comprova pelo sólido histórico de contribuições para as missões da ONU.

      Há 70 anos, o Brasil tem dado contribuição efetiva para as operações de manutenção da paz das Nações Unidas. Apoiamos todos os esforços para que essas missões se tornem mais efetivas e tragam benefícios reais e concretos para os países que as recebem.

      Nas circunstâncias mais variadas – no Haiti, no Líbano, na República Democrática do Congo –, os contingentes brasileiros são reconhecidos pela qualidade de seu trabalho e pelo respeito à população, aos direitos humanos e aos princípios que norteiam as operações de manutenção de paz.

      Reafirmo nossa disposição de manter contribuição concreta às missões da ONU, inclusive no que diz respeito ao treinamento e à capacitação de tropas, área em que temos reconhecida experiência. 

      ✱✱✱

      Ao longo deste ano, estabelecemos uma ampla agenda internacional com intuito de resgatar o papel do Brasil no cenário mundial e retomar as relações com importantes parceiros.

      Em janeiro, estivemos em Davos, onde apresentamos nosso ambicioso programa de reformas para investidores de todo o mundo. Em março, visitamos Washington onde lançamos uma parceria abrangente e ousada com o governo dos Estados Unidos em todas as áreas, com destaque para a coordenação política e para a cooperação econômica e militar.

      Ainda em março, estivemos no Chile, onde foi lançado o PROSUL, importante iniciativa para garantir que a América do Sul se consolide como um espaço de democracia e de liberdade.

      Na sequência, visitamos Israel, onde identificamos inúmeras oportunidades de cooperação em especial na área de tecnologia e segurança. Agradeço a Israel o apoio no combate aos recentes desastres ocorridos em meu país. 

      ENTENDA: Agentes israelenses estiveram no Brasil para ajudar a combater os incêndios na Amazônia e a localizar corpos soterrados por lama durante a tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

      Visitamos também um de nossos grandes parceiros no Cone Sul, a Argentina. 

      Com o Presidente Mauricio Macri e nossos sócios do Uruguai e do Paraguai, afastamos do Mercosul a ideologia e conquistamos importantes vitórias comerciais, ao concluir negociações que já se arrastavam por décadas.

      Ainda este ano, visitaremos importantes parceiros asiáticos, tanto no Extremo Oriente quanto no Oriente Médio. Essas visitas reforçarão a amizade e o aprofundamento das relações com Japão, China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. Pretendemos seguir o mesmo caminho com todo o mundo árabe e a Ásia.

      Também estamos ansiosos para visitar nossos parceiros, e amigos, na África, na Oceania e na Europa. Como os senhores podem ver, o Brasil é um país aberto ao mundo, em busca de parcerias com todos os que tenham interesse de trabalhar pela prosperidade, pela paz e pela liberdade.

      ✱✱✱

      Senhoras e Senhores,

      O Brasil que represento é um país que está se reerguendo, revigorando parcerias e reconquistando sua confiança política economicamente. Estamos preparados para assumir as responsabilidades que nos cabem no sistema internacional. Durante as últimas décadas, nos deixamos seduzir, sem perceber, por sistemas ideológicos de pensamento que não buscavam a verdade, mas o poder absoluto. 

      A ideologia se instalou no terreno da cultura, da educação e da mídia, dominando meios de comunicação, universidades e escolas. A ideologia invadiu nossos lares para investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável, a família. Tentam ainda destruir a inocência de nossas crianças, pervertendo até mesmo sua identidade mais básica e elementar, a biológica. 

      ENTENDA: O combate à ‘ideologia de gênero’ é uma bandeira de campanha de Bolsonaro, que critica o ensino nas salas de aula de temas relacionados à tolerância a homossexuais.

      O politicamente correto passou a dominar o debate público para expulsar a racionalidade e substituí-la pela manipulação, pela repetição de clichês e pelas palavras de ordem. 

      A ideologia invadiu a própria alma humana para dela expulsar Deus e a dignidade com que Ele nos revestiu. E, com esses métodos, essa ideologia sempre deixou um rastro de morte, ignorância e miséria por onde passou. 

      Sou prova viva disso. Fui covardemente esfaqueado por um militante de esquerda e só sobrevivi por um milagre de Deus. Mais uma vez agradeço a Deus pela minha vida. 

       

      A ONU pode ajudar a derrotar o ambiente materialista e ideológico que compromete alguns princípios básicos da dignidade humana. Essa organização foi criada para promover a paz entre nações soberanas e o progresso social com liberdade, conforme o preâmbulo de sua Carta.

      Nas questões do clima, da democracia, dos direitos humanos, da igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, e em tantas outras, tudo o que precisamos é isto: contemplar a verdade, seguindo João 8,32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

      Todos os nossos instrumentos, nacionais e internacionais, devem estar direcionados, em última instância, para esse objetivo. Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um “interesse global” abstrato. 

      Esta não é a Organização do Interesse Global!

      É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer!

      Com humildade e confiante no poder libertador da verdade, estejam certos de que poderão contar com este novo Brasil que aqui apresento aos senhores e senhoras. 

      Agradeço a todos pela graça e glória de Deus!

      Meu muito obrigado."

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