ANDRE DUSEK|ESTADÃO
ANDRE DUSEK|ESTADÃO

Em diálogo, Sarney oferece ajuda a ex-presidente da Transpetro, diz jornal

Gravação divulgada pelo jornal 'Folha de S. Paulo' foi feita por Sérgio Machado em março, quando ele negociava um acordo de delação com a força-tarefa da Operação Lava Jato

AE, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2016 | 17h18

Em trechos de conversas gravados por pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, e divulgados na tarde desta quarta-feira, 25, pelo site do jornal Folha de S.Paulo, o ex-presidente José Sarney (PMDB) oferece ajuda ao ex-executivo, investigado na Operação Lava Jato. Segundo o site, os trechos ouvidos até o momento permitem concluir que Sarney se comprometeu em ajudar para que o caso de Machado não fosse transferido à primeira instância, a cargo do juiz federal Sérgio Moro, e insistiu em diversos pontos que era importante não "meter advogado no meio". "Não deixar você voltar para lá (Curitiba)", teria dito o ex-presidente a Machado.

Assim como os diálogos com os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso, a conversa com Sarney foi gravada por Machado quando ele negociava um acordo de delação, em março. "Nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles estão falando com ele em delação premiada", afirma Sarney - no trecho obtido pelo jornal - demonstrando preocupação com a possibilidade de a defesa de Machado negociar um acordo. "Mas nós temos é que conseguir isso (o pleito de Machado). Sem meter advogado no meio", disse em outro ponto, segundo relata a Folha.

A reportagem afirma ainda que, pelos áudios, não é possível entender inteiramente qual era a estratégia sugerida por Sarney, mas que ela envolveria conversas com Renan e com Jucá. Machado afirma no diálogo que a saída para seu caso precisaria ser política e não apenas jurídica.

Em nota, Sarney justificou que não poderia responder a questões pontuais sem ter acesso ao teor das gravações. O ex-presidente afirmou ainda conhecer Sérgio Machado "há muitos anos". "As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, expressei sempre minha solidariedade na esperança de superar as acusações que enfrentava. Lamento que conversas privadas tornem-se públicas, pois podem ferir outras pessoas que nunca desejaríamos alcançar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.