Em dia de votações no Congresso, movimentos organizam protestos em Brasília

Em dia de votações no Congresso, movimentos organizam protestos em Brasília

Movimentos estudantis e sociais organizam atos contra o governo Temer e a PEC do Teto

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2016 | 10h22

BRASÍLIA - Movimentos estudantis e sociais esperam reunir nesta terça-feira, 29, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, 20 mil pessoas num ato contra o governo Michel Temer. No rastro da crise provocada pelos questionamentos éticos envolvendo o Planalto e os ex-ministros Marcelo Calero (Cultura) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), os organizadores do evento pretendem realizar o maior protesto na capital em sete meses de mandato do atual presidente.

Com o grito de ordem "Fora Temer", as entidades sociais vão defender a rejeição da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, a antiga PEC 241, que limita o crescimento dos gastos públicos da União, e da Medida Provisória que estabelece mudanças no ensino médio. O ato foi proposto pelo movimento estudantil em meio às desocupações de escolas e universidades federais.

Uma das entidades promotoras do protesto, a União Nacional dos Estudantes (UNE) contou com a adesão de sindicatos de professores e funcionários do sistema federal de educação, da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, do PSOL, e da Frente Brasil Popular, que reúne mais de 60 entidades, incluindo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem Terra (MST). As frentes estiveram no comando das principais manifestações contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, no primeiro trimestre deste ano.

A presidente da UNE, Carina Vitral, disse que até a tarde da segunda-feira, 28, caravanas ainda estavam sendo organizadas para transportar estudantes e ativistas sociais para Brasília. "O ato foi marcado em meio à luta contra a PEC 55 e à MP do ensino médio. Já existia essa mobilização. Mas, com certeza, o ato toma um novo caráter diante das denúncias do ex-ministro Calero", afirmou Carina. "A bandeira 'Fora Temer' ficará mais evidente do que antes."

Um ato no último domingo, em São Paulo, que reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista para pedir o impeachment de Temer, animou os organizadores do protesto previsto para esta terça-feira. Os movimentos estudantis e sociais avaliam que a ofensiva do Planalto e dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) de rejeitar em público projetos de anistia ao caixa 2 não teve efeito. A expectativa dos movimentos sociais é dar um pontapé numa mobilização constante contra o governo, que enfrenta sua pior crise desde abril.

Nos últimos dias, as entidades sociais do Distrito Federal iniciaram uma mobilização para garantir caravanas das cidades satélites de Brasília e dos municípios mineiros e goianos da Região do Entorno. Os organizadores esperam reunir pelo menos oito mil pessoas das proximidades do Distrito Federal. Também estão previstas caravanas de grupos do Rio de Janeiro, São Paulo, do Sul e do Nordeste. 

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