Em dia anti-Bush, Paulista vira palco de confronto

Em um dia de protestos contra a visita do presidente americano, George W. Bush, o momento mais tenso aconteceu na Avenida Paulista. Polícia e manifestantes entraram em confronto e várias pessoas ficaram feridas. Pelo menos uma foi levada ao hospital. Policiais chegaram a usar gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo contra o grupo que tentava invadir as outras pistas da avenida. Os manifestantes reagiram jogando paus e pedras, mas a situação foi controlada. Ao todo, foram cerca de seis mil pessoas, segundo a polícia, e 15 mil de acordo com os organizadores da passeata. O evento combinou as comemorações do Dia Internacional da Mulher ao protesto contra Bush, que chega nesta quinta-feira, 8, em São Paulo, e fica até sexta-feira. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), diversas entidades de representação das mulheres, além de partidos como PSTU, PSOL e PT estavam entre as entidades presentes. Segundo relato de manifestantes, uma jovem teve ferimentos nas pernas que foram causados por uma das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela PM. A garota foi carregada no meio da multidão pelo ex-deputado Jamil Murad (PCdoB), que entrou junto com ela em um táxi para levá-la ao hospital. Ainda segundo relato de ativistas, o confronto começou quando alguns manifestantes estenderam uma faixa e ocuparam a outra pista da Avenida Paulista, sentido Paraíso. Até então, a manifestação vinha ocorrendo somente no sentido contrário, o da Consolação. De acordo com informações do capitão da Polícia Militar, George Marques, o conflito começou após alguns "punks baderneiros" invadirem a pista da Avenida Paulista no sentido Paraíso e deitarem sobre a faixa de pedestres para impedir a passagem do trânsito. Segundo ele, foram feitos diversos pedidos para que eles se retirassem do local, mas não foram atendidos. Desde o início do protesto, a Polícia Militar tentou conter a passeata em apenas duas faixas da Paulista, mas não conseguiu segurar os manifestantes e acabou liberando todo o trajeto da pista que segue em direção à Consolação. Por volta das 16h30, o Capitão Marques afirmava que apenas 110 homens participavam do esquema. Às 18 horas, a Tropa de Choque chegou ao local. "Bush do Iraque, e Lula do Haiti"Na manifestação, Bush foi duramente criticado pela estratégia comercial e política, conduzida em seu governo. Ele foi chamado de "fascista", "terrorista", "porco imperialista", entre outros nomes escritos nos milhares de cartazes empunhados pelos manifestantes. De acordo com o membro da direção da CUT, Antonio Carlos Spis, um dos organizadores da passeata, a grande adesão alcançada demonstra a indignação dos movimentos sociais com a política norte-americana. Apesar do forte esquema de segurança montado para assegurar a proteção a Bush, Spis disse estar certo de que o presidente norte-americano tomará conhecimento dos protestos organizados contra ele. "Ele pode não querer ver, nem olhar pela janela do hotel em qual estará hospedado", afirmou Spis. "Mas o fato é que os movimentos sociais ganharam as ruas." Apesar de seu mais ilustre representante - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - estar se preparando para recepcionar Bush com toda a diplomacia possível, o PT contou com diversos representantes no protesto. Entre eles, estavam o secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar, e o presidente municipal da legenda, Paulo Fiorilo. Pomar disse estar "muito feliz" com o resultado obtido na manifestação. "Isso está lindo", declarou. Para ele, Bush é um "delinqüente". Rio de JaneiroNo Rio de Janeiro, manifestantes apedrejaram o consulado dos Estados Unidos durante um ato contra a visita de Bush. As pedras quebraram alguns vidros do prédio, atingido também por tinta vermelha. Participaram do protesto aproximadamente 400 militantes do PSOL, do PCB e do PSTU, além de estudantes secundaristas. O ato começou às 13 horas no Buraco do Lume, tradicional ponto de encontro da esquerda carioca, no centro. Entre as numerosas faixas, uma dizia que o presidente Lula "dá a mão ao diabo", termo com o qual o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, costuma se referir a Bush, acusado também de assassino. O protesto pedia a retirada das tropas americanas do Iraque e a saída do Exército brasileiro do Haiti, onde lidera uma missão de paz da ONU. No mesmo horário, uma segunda passeata, integrada por militantes do PT, do PC do B e do MST ocupou metade da pista da Avenida Rio Branco, uma das principais do centro, também em direção ao consulado. As duas manifestações lembraram o Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem.GreenpeaceNa manhã desta quinta-feira, cerca de 30 ativistas do Greenpeace se reuniram no Monumento às Bandeiras, em São Paulo, para também protestar contra a visita de Bush ao País. Fantasiados, os manifestantes ocuparam o barco do monumento do escultor Victor Brecheret, no Ibirapuera, e estenderam uma faixa no local. "Etanol é pouco. Salvem o clima!". Essa foi a mensagem dirigida a Bush e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Com Rodrigo Maia)Atualizada às 22h39

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