Em desocupação, tropa de choque fere líder do MST e mais dois

No confronto entre sem-terra e polícia em Limeira, bala de borracha atingiu orelha de Gilmar Mauro

Tatiana Favaro, de O Estado de S. Paulo,

29 de novembro de 2007 | 18h00

Três pessoas ficaram feridas e ao menos 800 pessoas foram retiradas nesta quinta-feira, 29, pela Tropa de Choque da Polícia Militar de Limeira (151 quilômetros de São Paulo) de três acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) localizados no Horto Florestal Tatu, em Limeira.   Em uma das desocupações, houve confronto entre policiais e sem-terra. A Santa Casa de Limeira informou, por meio de assessoria, que três pessoas que estavam no acampamento foram atendidas no hospital municipal, duas delas por casos de pressão alta. A terceira vítima, essa sim com ferimentos a bala de borracha próximos à orelha, era o líder nacional do MST, Gilmar Mauro.   O major da PM Wagner Facchini afirmou que a polícia usou balas de borracha e bombas de gás contra os manifestantes, mas não confirmou o número de feridos. Lideranças do movimento falaram em ao menos dez sem-terra detidos pela polícia e 20 feridos. No fim da tarde desta quinta-feira, 29, ontem, a informação dada pela PM era de que não havia manifestantes presos.   Montado em abril deste ano, o acampamento Elizabeth Teixeira estava localizado em uma área de 5 mil metros quadrados pertencente à União. A reintegração de posse foi pedida em maio pela Prefeitura de Limeira, que disputa judicialmente com o governo federal a posse da terra. O juiz Flávio Dassi Vianna, da Vara da Fazenda Pública de Limeira, determinou a reintegração de posse à prefeitura na última sexta-feira.   A Polícia Militar informou que lideranças do MST na cidade foram avisadas sobre a intervenção policial para a reintegração de posse na terça-feira. "É mentira, fomos avisados ontem à noite, por telefone", disse uma das coordenadoras do MST em Limeira Cláudia Praxedes. "O terreno nem é da prefeitura, como é que eles podem fazer isso, assim, de forma tão irresponsável?", questionou.   A prefeitura informou, por meio de assessoria que, apesar de não ter pago pela terra, um termo de compra e venda foi suficiente para dar entrada no pedido de reintegração de posse.   Tensão   O primeiro acampamento, localizado à margem da Rodovia Anhangüera e com aproximadamente cem pessoas, foi desocupado também nesta quinta por volta de 6h30, sem resistência, de acordo com informações dos manifestantes e da polícia. O clima ficou tenso quando os líderes do MST souberam da presença dos policiais e informaram ao comando que a desocupação do acampamento central, o maior dos três, com cerca de 600 sem-terra, ia ser mais difícil.   Por volta de 10h30, um helicóptero da PM sobrevoou o acampamento, enquanto no solo policiais militares trocavam agressões com os sem-terra. "Os líderes do MST estão tentando tirar as pessoas feridas de lá e nem isso a polícia quer deixar", disse Francisco Paulino Alves, líder sindical em Campinas, que ajudava os moradores da ocupação. A polícia nega que tenha impedido o socorro de feridos.   A desocupação do terceiro acampamento ocorreu sem nenhum tipo de manifestação. Caminhões da prefeitura fizeram o transporte dos pertences dos moradores até um galpão no Horto Florestal.

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