Em desabafo, juiz do caso Dantas critica pressão sobre a PF

Fausto De Sanctis está saindo de férias, segundo ele, programadas bem antes da Operação Satiagraha

AE, Agencia Estado

18 de julho de 2008 | 09h00

"Querem que a Polícia Federal não trabalhe? Então vamos fechar a Polícia Federal", desabafou nesta sexta-feira, 18,  Fausto Martin De Sanctis, o juiz que mandou prender Daniel Dantas e abriu embate entre a toga e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que devolveu a liberdade ao banqueiro. "Querem instituições de faz-de-conta?", insistiu o magistrado, inconformado com acusações à corporação policial sobre supostos abusos na instalação de grampos telefônicos.     Veja também: Dantas chega à PF para terceiro depoimento na semana Ouça trechos da reunião que decidiu a saída do delegado  Apesar do apelo de Lula, Protógenes deixa caso Dantas na sexta Juiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas De Sanctis está saindo de férias, segundo ele programadas bem antes de Satiagraha. Quinze dias longe da turbulência que tomou conta da 6.ª Vara Criminal Federal, por ele presidida, desde que Dantas foi capturado. Quando voltar vai decidir sobre a exceção de suspeição, por meio da qual a defesa do banqueiro pede sua saída do caso. Alegam os tutores do controlador do Grupo Opportunity que o juiz está emocionalmente envolvido com a investigação e que, por isso, teria perdido a isenção. "Apaixonado?, envolvido? Não existe emoção aqui", ele reage. "As decisões têm caráter técnico. Que apontem qualquer indicador de emoção nas minhas sentenças. Tentei fazer trabalho limpo. Quando a prisão é necessária ela tem que ser decretada sim. É caso de prisão quando alguém manipula provas, destrói provas, oculta provas." "Os juízes do primeiro grau estão vivendo todo tipo de pressão, que não existe nos tribunais. Não me surpreende as coisas que estão acontecendo. Os juízes estão trabalhando com pouquíssimo apoio institucional. Os juízes estão constantemente pressionados. Tenho recebido manifestações de apoio de autoridades de fora do Brasil, elas me questionam sobre o que está acontecendo aqui. Lá fora a Justiça brasileira é conhecida como a Justiça que faz e desfaz." De Sanctis não demonstrou preocupação com o fato de ter sido espionado, segundo informa o inquérito Satiagraha. "A guerra continua. Estão jogando pesado. Há um interesse imenso de me destruírem. Está muito difícil, mas tenho experiência suficiente para suportar."

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