DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Em derrota de Doria, Bruno Araújo renova mandato à frente do PSDB

Governador de São Paulo pretendia assumir comando do partido em maio para rodar o País e viabilizar candidatura presidencial em 2022

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 14h51
Atualizado 12 de fevereiro de 2021 | 19h57

Em uma derrota política para o governador de São Paulo, João Doria, a direção executiva nacional do PSDB aprovou, por unanimidade, a renovação do mandato do atual presidente do partido, o ex-deputado Bruno Araújo (PE), até 2022 – ano de eleição presidencial.

Em uma reunião tensa na semana passada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, com os principais líderes tucanos, os aliados de Doria surpreenderam Araújo ao propor que o governador assumisse, em maio, o comando da legenda para poder viajar o Brasil e fortalecer sua candidatura à Presidência em 2022. 

O estatuto do PSDB prevê, porém, a renovação do mandato por mais um ano. A iniciativa abriu uma crise interna, que culminou em uma rebelião de parte da bancada de deputados federais contra a intenção de Doria de comandar o partido e concorrer ao Palácio do Planalto. 

Treze dos 29 parlamentares tucanos da Câmara lançaram o nome do governador do Rio grande do Sul, Eduardo Leite, como presidenciável do partido. A iniciativa foi decidida durante um almoço entre o governador e os parlamentares em Porto Alegre, nesta quinta, 11. Em reunião virtual, nesta sexta, 12, todos os diretórios tucanos e as bancadas no Senado e na Câmara apoiaram a recondução de Araújo e dos presidentes estaduais do PSDB.

A avaliação no entorno do presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, é de que a pré-candidatura de Eduardo Leite é um fato consumado e a sigla caminha para ter prévias em 2022, o que é uma tradição tucana. 

O ex-deputado pernambucano passou a tarde de ontem tentando “jogar água na fervura”, segundo tucanos da bancada. “O PSDB é um partido de oposição, mas a disputa eleitoral só acontecerá em 2022”, disse Araújo ao Estadão.

Apesar da tentativa de Araújo de pacificar o PSDB, o deputado Aécio Neves (MG) pediu formalmente à Executiva da sigla que sejam realizadas prévias em 2022 para definir o candidato ao Palácio do Planalto. O gesto é simbólico, mas revela o grau de animosidade interna. 

Nesta semana, durante reunião com dirigentes tucanos, Doria voltou a defender publicamente o afastamento de Aécio – alvo de denúncia por corrupção –, mas optou por não pressionar pela expulsão da legenda. Em 2019, a Executiva Nacional do PSDB arquivou dois pedidos contra Aécio.

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