PAULO LISBOA/BRAZIL PHOTO PRESS
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Em depoimentos, ex-diretores da Odebrecht podem dar versões de doações a PT e PSDB

Benedicto Júnior e Fernando Reis serão ouvidos pelo TSE na tarde desta quinta-feira no processo que julga a chapa Dilma-Temer

O Estado de S.Paulo

02 Março 2017 | 10h35

O ex-diretor da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, e o ex-diretor da Odebrech Ambiental, Fernando Reis, podem esclarecer em seus depoimento nesta quinta-feira, 2, se combinaram com Marcelo Odebrecht pagamentos ilícitos a integrantes do PT durante o governo Lula e se houve repasses irregulares à campanha de Aécio Neves. Eles serão ouvido pelo ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no processo que julga se houve pagamentos irregulares à chapa Dilma-Temer durante a campanha presidencial de 2014. Veja os assuntos que podem ser abordados:

Aécio Neves. Benedicto pode ser questionado sobre supostos pagamentos à campanha de Aécio Neves na eleição de 2014. Em seu depoimento nessa quarta-feira, 1, Marcelo Odebrecht confirmou que fez repasses ao tucano. O interlocutor dele seria Osvaldo Borges, conhecido como Osvaldinho, tesoureiro informal de Aécio.

O 'Italiano'. Quando Benedicto foi preso na Operação Acarajé, 23.ª etapa da Lava Jato deflagrada em fevereiro de 2016, vieram à tona trocas de mensagens entre 'BJ' e  Marcelo Odebrecht combinando pagamentos a uma 'conta Pós-Itália', possível referência a Guido Mantega, que sucedeu Antonio Palocci (o 'Italiano') no comando do ministério da Fazenda no governo Lula.

Planilha. No celular de Odebrecht também foi encontrada uma planilha com anotações sobre uma reunião em 2011 entre Benedicto, José Dirceu e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, outro ex-executivo da Odebrecht que prestará depoimento nesta quinta.

"Em vista da planilha, a autoridade policial identificou reuniões havidas em outubro de 2010 e abril de 2011, entre ele e José Dirceu de Oliveira e Silva, juntamente com pessoa identificada como ‘FR’, sigla correspondente a outro executivo da Odebrecht, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis”, anotou o juiz da Lava Jato. "Embora as mensagens ainda precisem ser completamente elucidadas há indícios da prática conjunta de ilícitos". Em seu depoimento nesta quinta, 2, Benedicto pode esclarecer se houve ou não pagamentos de propina.

Propina de R$ 100 mil. O juiz da Lava Jato ressaltou, em despacho durante a mesma operação, que em outra troca de mensagens entre Odebrecht e Benedicto "há referência a aparente pagamento de valores (R$ 100 mil) a autoridade com foro privilegiado em condições subreptícias".

O 'Amigo'. Benedicto Júnios também pode esclarecer se houve repasses ao "Amigo", possível codinome do ex-presidente Lula no esquema da Odebrecht. Ao indiciar o ex-ministro Palocci por corrupção passiva em 2016, a PF apontou que o codinome era utilizado nos diálogos de executivos da cúpula da empreiteira para se referir a Lula devido à proximidade dele com Emílio Odebrecht, número 1 na estrutura do grupo empresarial e pai de Marcelo. A PF chegou ao nome do petista ao analisar várias trocas de e-mails entre executivos do grupo que tratam desde reuniões e eventos com o "amigo de EO" ou "amigo de seu pai".

Carreira. Formado pela Escola de Engenharia de Lins (SP) em 1984, ‘BJ’ iniciou sua carreira na Odebrecht. Ao longo de mais de trinta anos no grupo, participou das obras das usinas hidrelétricas de Xingó, em Sergipe, e de Três Gargantas, na China, onde liderou um conjunto de empresas brasileiras.

Em 2008, assumiu a presidência da Odebrecht Infraestrutura, cargo que alcançou depois de passar pela superintendência da empreiteira em Kuala Lampur – de onde gerenciou negócios em Cingapura, Malásia, Tailândia, Vietnã, Camboja, Indonésia, Filipinas e Brunei, no período entre 1994 a 1998.

Em nota, a Odebrecht afirmou que a prisão de Benedicto foi "uma medida extrema e injusta". "Benedicto Barbosa da Silva Junior sempre esteve à disposição para colaborar com as investigações em curso, sendo sua detenção uma medida extrema e injusta. A empresa reafirma sua confiança na Justiça, com a firme disposição de atuar para o esclarecimento de qualquer fato ou dúvida."

Prisão. Benedicto foi preso no dia 22 de fevereiro, a pedido do juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Acarajé, 23.ª etapa da Lava Jato.

Moro acolheu representação da Polícia Federal, amparada em arquivos de mensagens recuperadas do celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015. Na avaliação da PF, ‘BJ’ desempenhava papel de contato político da companhia e participou de repasses de propina desviadas da Petrobrás.

Fernando Santos-Reis

Fernando Santos-Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, também será ouvido nesta quinta, 2. Deixou o cargo em setembro do ano passado, um mês antes de a empresa ser vendida à canadense Brookfield por US$ 768 milhões. 

Ele foi um dos alvos da Operação Xepa, 26.ª etapa da Lava Jato, em março do ano passado. Segundo a PF, há indícios de que houve acerto de repasses ilegais em reunião entre Fernando, José Dirceu e Benedicto Júnior.

“Em vista da planilha e revendo as anotações constantes no celular de Marcelo Bahia Odebrecht, a autoridade policial identificou reuniões havidas em outubro de 2010 e abril de 2011, entre ele e José Dirceu de Oliveira e Silva, juntamente com pessoa identificada como ‘FR’, sigla correspondente a outro executivo da Odebrecht, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis”, anotou o juiz da Lava Jato.

Próximos depoimentos. Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, ex-vice presidente de Relações Institucionais da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht, e Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht. Falarão na próxima segunda, 6, em Brasília.

Alexandrino foi preso na Operação Erga Omnes, 14.ª fase da Operação Lava Jato, que teve como alvos as construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez. A força-tarefa estimou em R$ 200 milhões o valor das propinas pagas pela Andrade Gutierrez no esquema da Petrobrás. O valor da Odebrecht é ainda maior, R$ 510 milhões. Ao todo, as empreiteiras teriam pago R$ 710 milhões. Alexandrino faria parte desse esquema.

Cláudio Melo Filho foi levado para depor em março do ano passado na Operação Xepa, 26.ª fase da Lava Jato, que descobriu o setor exclusivo para pagamento de propinas, que a Odebrecht chama de departamento de operações estruturadas. 

Em maio, o Ministério Público Federal o denunciou na Operação Vitória de Pirro, sob acusação de oferecer R$ 5 milhões ao ex-senador Gim Argello para blindar executivos da Odebrecht na CPI da Petrobrás. Mas o juiz Sérgio Moro avaliou que as evidências contra Claudio Melo eram fracas e não aceitou a denúncia.

Em sua delação premiada, ele afirmou que o presidente Michel Temer pediu “apoio financeiro” para as campanhas do PMDB em 2014 a Marcelo Odebrecht, que se comprometeu com um pagamento de R$ 10 milhões.

No depoimento, Melo Filho detalhou que tinha um relacionamento “muito próximo com o núcleo político” de Temer. Segundo ele, Padilha e Moreira Franco eram responsáveis por transmitir os pedidos da Odebrecht ao atual presidente. “Tratei poucas vezes diretamente com Michel Temer”, disse o executivo. Segundo ele, foi o ex-ministro Geddel Vieira Lima quem o apresentou ao atual presidente da República, em 2005.

 

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