Em depoimento, Vedoin volta a acusar Abel Pereira

Em depoimento nesta terça-feira à Polícia Federal, o empresário Darci Vedoin - apontado como um dos chefes da máfia das ambulâncias - sustentou que o empreiteiro piracicabano Abel Pereira intermediou a liberação de recursos junto ao Ministério da Saúde durante a gestão do tucano Barjas Negri, em 2002, quando o PSDB perdeu as eleições. Contudo, Darci informou que nunca esteve com o ex-ministro. Segundo Vedoin, Abel atuou inicialmente na liberação de recursos de convênios para a venda de unidades móveis de saúde e equipamentos hospitalares aos municípios de Mato Grosso e Alagoas. Abel teria dito inclusive que poderia conseguir a liberação de verbas - em prol do grupo de empresas comandadas pelos Vedoin - mesmo depois da saída do PSDB do governo federal. Como procurador de ao menos sete prefeituras de Mato Grosso, Darci Vedoin assinou convênios da pasta nos quais Negri também aparece como signatário. Segundo o empresário, as assinaturas foram colhidas separadamente e datadas com os respectivos dias em que os papéis chegavam para o então ministro. "Os convênios foram assinados provavelmente no gabinete do deputado Lino Rossi (PP-MT), que foi pessoa que intermediou os contratos", disse, em depoimento. Em outros depoimentos à PF e à Justiça Federal, os Vedoin afirmaram que Abel recebia propina de 6,5% sobre verba liberada no ministério durante a gestão do tucano. Na versão dos líderes do esquema, Pereira disse que conseguia liberar o dinheiro por ser ligado a Negri, atual prefeito de Piracicaba (SP). Darci acusou o deputado federal eleito José Airton Cirilo (PT-CE) e José Diniz de assumirem o papel desempenhado por Pereira em 2003. No entanto, os convênios assinados posteriormente foram liberados a partir de pagamentos de percentuais ao próprio parlamentar autor da emenda ou a pessoas indicadas. Dossiê Darci Vedoin confirmou ainda que o dossiê antitucano era composto por fotos e DVD com imagens de tucano em solenidade de entrega de unidades móveis de saúde vendidas pela Planam (principal empresa do esquema), além de extratos bancários de depósitos feitos em contas de pessoas indicadas por Abel Pereira e cópia de cheques entregues ao próprio Pereira. Vedoin rechaçou a hipótese de vender o mesmo material por R$ 10 milhões e negou ter oferecido os documentos a Pereira. Disse também que nunca tratou de outro tipo de negócio com o empreiteiro. Vedoin reafirmou que o empreiteiro Valdebran Padilha (ex-PT) negociou o material do dossiê antitucano para pagar dívida de propina. A dívida (R$ 700 mil) seria decorrente da elaboração e liberação de emendas parlamentares de 2000 e 2001, de autoria do deputado Lino Rossi, destinadas a obras empreitadas por empresas pertencentes à Padilha.

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