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Em depoimento à PF, Renan nega proximidade com investigados na Lava Jato

Presidente do Senado diz não conhecer Fernando Baiano, Jorge Zelada ou Júlio Camargo e afirma ter relação 'protocolar' com o deputado federal Aníbal Gomes

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2015 | 15h38

Brasília - Investigado na Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou ser próximo do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) e disse ter relação "protocolar" com o parlamentar. Os investigadores da Operação Lava Jato suspeitam que o presidente do Senado tenha se valido da ajuda de Gomes para receber propina do esquema montado na estatal petroleira.

Em depoimento prestado à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal no fim de agosto, o senador negou com veemência ter participado do esquema responsável por desviar recursos da Petrobrás. Renan disse ainda que os encontros com Gomes se deram para tratar de "assuntos partidários" apenas.

Ele negou ainda ter qualquer relação de amizade com o deputado, versão que foi confirmada por Gomes em depoimento à PF. Embora negue relação de proximidade com os envolvidos no esquema da Petrobrás, Renan confirmou à PF ter recebido o ex-diretor de Abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa, a pedido de Gomes.

O encontro teria sido realizado há cerca de quatro anos e foi motivado, segundo o presidente do Senado, por um pedido de apoio feito por Costa para assumir a diretoria de Exploração da estatal. No depoimento, Renan diz que estavam presentes na ocasião o senador Romero Jucá (PMDB-RR), também investigado na Lava Jato, e o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), hoje ministro do Turismo. 

Renan disse ter informado a Costa que o apoio não seria possível e que o assunto teria sido encerrado nesta ocasião. Ele nega que tenha autorizado Gomes ou qualquer outra pessoa a usar seu nome para negócios com a estatal ou para apoio político em cargos. Às acusações de Costa, de que ele se beneficiou dos recursos desviados, o presidente do Senado atribuiu a "alguém" que queira incriminá-lo, mas não especifica quem seria o autor. 

Sobre os demais envolvidos no esquema, Renan nega ter qualquer contato "público ou particular" com Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Ele negou também conhecer o ex-diretor da estatal Jorge Zelada e o lobista Júlio Camargo, ambos investigados na Lava Jato.

Sobre o ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, Renan disse conhecê-lo, embora não se recorde quando foram apresentados e nem por quem. O presidente do Senado disse que "faz-se uma confusão sobre este suposto apoio feito pelo PMDB" às indicações para a diretoria internacional da petroleira.

Ele diz que o apoio, na verdade, tinha origem no senador Delcídio Amaral (PMDB-MS), que já comandou a área. Renan negou ainda conhecer Jorge Zelada, que também ocupou a direção da Área Internacional da Petrobrás, e é alvo das investigações da Lava Jato. Aos investigadores, Renan disse ter sido apresentado a Gomes por intermédio de seu irmão, Olavo Calheiros, entre 2009 e 2010. De acordo com Gomes, a apresentação entre eles foi feita entre 1995 e 1996. Ambos confirmaram à PF que o filho do presidente do Senado, Rodrigo Calheiros, trabalhou no gabinete de Gomes a pedido de Olavo Calheiros, quando este ainda era deputado.

Patrimônio. Em depoimento à PF, Gomes não soube explicar sua evolução patrimonial entre 2006 e 2010. De acordo com a declaração de bens feita à Justiça Eleitoral nos dois anos, em 2006 ele afirmou possuir patrimônio de menos de R$ 300 mil, valor que subiu para R$ 6,8 milhões em 2010.

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