Em depoimento à PF, lobista classifica como ‘absurdos’ valores pagos por contrato com filho de Lula, diz revista

Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o lobista Mauro Marcondes, da consultoria Marcondes & Mautoni, não conseguiram esclarecer os contratos entre a empresa do filho do ex-presidente e a consultoria, de acordo com reportagem da revista Época.

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2015 | 18h16

Marcondes optou por ficar em silêncio em boa parte de seu depoimento e não soube explicar como escolheu a empresa do filho de Lula. Ele, entretanto, admitiu que sabia que o valor pago pelo serviço era “absurdo”. Segundo o empresário, um estagiário de sua empresa fez uma pesquisa “superficial” de preços antes de contratar Luís Claudio. “Ele constatou que eram (valores) absurdos”, disse Marcondes no depoimento, de acordo com a revista.

Apesar da constatação de valores “absurdos”, a empresa de Marcondes fez repasses à LFT Marketing Esportivo, aberta em março de 2011 por Luís Cláudio, que teria recebido R$ 2,4 milhões. O filho do ex-presidente é alvo da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

Luís Cláudio declarou à Polícia Federal que prestou serviços à Marcondes & Mautoni nos anos de 2014 e 2015 e, por isso, recebeu “os valores que foram contratados”. Em seu depoimento, de acordo com a revista, Luís Cláudio não apresentou relatórios que comprovassem os serviços prestados. À Polícia Federal, ele disse que produziu relatórios e que ficou com cópias, mas que havia entregue a seus advogados depois de o Estado revelar sua ligação com o lobista - investigado sob a suspeita de “comprar” medidas provisórias editadas entre 2009 e 2013 para favorecer montadoras, por meio de incentivos fiscais. Em 26 de outubro, Marcondes foi preso preventivamente.

Defesa

O advogado de Luís Cláudio, Cristiano Zanin Martins, divulgou nota na qual reafirma que seu cliente possui experiência na área esportiva, critica o vazamento de documentos e diz que a revista “manipula as informações contidas no depoimento”. Segundo ele, “não é verdade” que Luís Cláudio tenha dito à PF que "nunca havia feito um projeto parecido ao que entregou à Marcondes & Mautoni". “A afirmação que consta no depoimento vazado à revista é que o trabalho entregue ao contratante foi original, pois não havia sido feito anteriormente para outro cliente, considerando que o objeto do estudo se dá em situação nova para o próprio País, caso da preparação do Brasil para os megaeventos, como a Olimpíada de 2016, onde conta a experiência dos demais países na execução desse tipo de evento”, afirmou o advogado na nota.

Segundo Martins, o filho do ex-presidente esclareceu em seu depoimento todos os serviços prestados à Marcondes & Mautoni e, no dia seguinte, entregou à Polícia Federal, por intermédio de seus advogados, todos os contratos firmados com tal empresa e, ainda, todos os materiais relativos aos trabalhos realizados. “A própria revista confirma que também no caso dos contratos estes foram vazados”, diz.

De acordo com ele, os relatórios produzidos atestam a entrega do trabalho previsto em contrato e está no plano da contabilidade da empresa, disponível aos órgãos competentes.

“Reiteramos nosso repúdio a qualquer tentativa de manipulação de documentos vazados de uma investigação policial na qual Luís Cláudio já prestou todos os esclarecimentos e afastou qualquer ligação com os possíveis ilícitos investigados.”

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