Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Em depoimento à Câmara, Flordelis chora e diz não ter mandado matar o marido

Deputada é acusada de ser a mandante do homicídio do pastor Anderson do Carmo; processo que corre no Conselho de Ética da Câmara trata sobre quebra de decoro

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2021 | 17h33
Atualizado 16 de março de 2021 | 18h24

BRASÍLIA - "Assassinato de reputação" foi a expressão usada pela deputada Flordelis (PSD-RJ) para resumir os últimos acontecimentos de sua vida em um depoimento dado ao Conselho de Ética da Câmara nesta terça-feira, 16. A manifestação, por videoconferência, fez parte da defesa de Flordelis no processo que pode levar à cassação de seu mandato. Em um discurso de 10 minutos, a deputada disse ser inocente e, chorando, negou ter mandado matar seu marido, o pastor Anderson do Carmo, em 2019.

"Estou aqui hoje para finalmente ter um espaço para me defender e quero fazer isso olhando, mesmo em vídeo, nos olhos de Vossas Excelências e dizer que eu, Flordelis, sou inocente. Eu não mandei matar meu marido, eu não participei de nenhum ato de conspiração contra a vida do homem que foi meu companheiro por muitos anos, mais de 20 anos", afirmou Flordelis.

Ela é acusada de ser a mandante do assassinato de seu marido, morto em 16 de junho de 2019 na porta de casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio. O casal havia conquistado notoriedade por ter criado 55 filhos, a grande maioria adotada.

O Ministério Público do Rio considerou ter "sólidos e veementes elementos" de prova contra Flordelis e pediu, no início do mês, que cinco pessoas sejam julgadas por homicídio triplamente qualificado. Além da deputada, suas filhas Simone dos Santos Rodrigues e Marzy Teixeira da Silva (adotiva), sua neta Rayane dos Santos Oliveira e seu ex-genro André Luiz de Oliveira. Os demais réus devem responder por outros crimes, que são conexos com o homicídio. Por isso mesmo, o julgamento deve caber ao mesmo Tribunal do Júri, de acordo com o Ministério Público do Rio.

No começo do ano, uma das filhas da deputada confessou ter pago R$ 5 mil para o assassinato de Anderson. Simoni dos Santos Rodrigues disse que a quantia foi entregue à sua irmã Marzy Teixeira. A motivação do crime seria assédio sexual cometido pelo pastor.

"Eu não sabia o que estava acontecendo dentro da minha casa. Eu não sabia que meu marido estava assediando a minha filha. Eu não sabia, eu não sabia, eu não sabia. E agora eu entendo por que ele não fez nada. Queria evitar que eu soubesse o que estava acontecendo dentro da casa", disse a deputada durante o depoimento na Câmara. "Minha filha foi a mandante com a outra filha, não sei mais quem estava envolvido, mas eu não compactuo com isso. Não matar, ela tinha outros caminhos de denúncia".

Desde outubro do ano passado, a deputada é obrigada a usar uma tornozeleira eletrônica. Flordelis tem imunidade parlamentar e só poderia ser presa em flagrante. Ela continua atuando normalmente como deputada. "Tem sido quase impossível resistir e me manter de pé. Está sendo difícil para mim porque a pressão é muito grande, devido a tanta violência praticada por alguns que parecem desconhecer as leis do nosso país", disse ela no Conselho de Ética da Câmara.

O processo no colegiado trata sobre quebra de decoro e é relatado pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP). O Conselho deve agora ouvir testemunhas sobre o caso nas próximas sessões.

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