Em delação, Cerveró narra tentativa de advogado de barrar menção a Delcídio

Ex-diretor da Petrobrás contou ao MPF que petista e advogado ofereceram pagamento para que não fosse firmado o acordo de delação ou, se fosse, não fossem feitas revelações sobre o senador ou sobre o banco BTG Pactual

Beatriz Bulla e Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 13h46

BRASÍLIIA - Em delação premiada fechada com o Ministério Púbico Federal (MPF), o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró narrou a tentativa do advogado Edson Ribeiro, que era responsável por sua defesa, de evitar que o nome do senador Delcídio Amaral (PT-MS) fosse mencionado nas investigações. Cerveró contou ao MPF que o petista e o advogado ofereceram pagamento para que não fosse firmado o acordo de delação ou, se fosse, não fossem feitas revelações sobre o senador ou sobre o banco BTG Pactual.

Trecho da delação de Cerveró aparece na decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão do senador, realizada nesta manhã. Também foi expedida ordem de prisão contra André Esteves, do BTG Pactual, Edson Ribeiro e contra Diogo Ferreira, do gabinete do parlamentar.

“Que Edson Ribeiro, nas conversas com o declarante (Cerveró), sempre manifestava preocupação no sentido de que o declarante não envolvesse Delcídio Amaral; Que Edson Ribeiro dizia que Delcídio estava trabalhando para resolver a situação do declarante”, consta no relatório da delação de Cerveró. O advogado foi contra a realização da delação premiada e disse que o ex-diretor seria solto em habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ex-diretor, o advogado disse ter se reunido com Zavascki e “estar certo” de que ele seria solto.

Cerveró disse ainda que seu filho, Bernardo Cerveró, relatou que Delício e Edson Ribeiro ofereciam “todo o apoio” ao ex-diretor na condição de que ele não envolvesse na delação os nomes do petista e do banco BTG Pactual. 

Segue transcrição de um diálogo: 

"Delcídio: Agora, então... O que eu queria combinar com vocês... Que eu vou ter que voltar pro meu inferno lá. (risos discretos). É, é... Eu amanhã tô lá, aí nós já agendamos. Eu vou tentar ver se a gente faz uma conversa no Rio de Janeiro.

Edson: Ok.

Delcídio: É melhor. E aí a gente encaminha as coisas conforme o combinado. Vê como é que vai ser a operação de que jeito contratualmente, aquilo tudo que eu conversei com você.

Bernardo: É... Sim... Tá OK.

Delcídio: E aí, Bernardo...

Edson: Mas fala, pode falar.

Bernardo: Não, aquela questão de talvez botar no contrato...

Edson: Fazer um contrato de honorários incluindo a parte...

Bernardo: Talvez.

Edson: ... Botar uma coisa só?

Delcídio: É, eu, eu acho, amanhã eu vou terminar de conversar com eles, porque eu confesso que leveu um Susto quando ele veio com aquele negócio lá. Ou seja, eles têm informação...

Edson: É até bom que seja no contrato, comigo porque aí a gente tem garantia.

Delcídio: É...

Edson: ... De que isso vai acontecer, se não executa, papapá...

Bernardo: ... No longo prazo é... Bom, a gente tá trabalhando com (...) é claro que a gente quer que ele saia, mas se for o caso de ficar dois anos não precisa saber que esses dois anos vão...

Delcídio: Claro!"

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