Em debate, quatro candidatos a prefeito em Campinas alegam que irão para o 2º turno

Jonas Donizette (PSB), que tenta a reeleição, Márcio Pochmann (PT), Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), e Artur Orsi (PSD) mostraram pesquisas que os colocam no segundo turno

Ronaldo Faria, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2016 | 11h49

Campinas - O último debate na corrida a uma vaga no segundo turno, realizado nesta quinta-feira, 29, à noite na EPTV, afiliada Rede Globo em Campinas, foi marcado por um tom agressivo entre os candidatos, com alvo no atual prefeito e candidato à reeleição Jonas Donizette (PSB). Seus três adversários - Márcio Pochmann (PT), Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), e Artur Orsi (PSD) - centraram fogo principalmente no número de comissionados e na coalização do pessebista, que é formada por 23 partidos.

Segundo os três postulantes ao Palácio dos Jequitibás, sede do governo campineiro, no caso de um novo governo de Jonas a Prefeitura irá implodir, já que haveriam hoje 1,6 mil cargos comissionados na Administração e, nas eleições passadas, Jonas tinha apenas oito partidos em sua coalização. A vitória traria a necessidade de mais espaço aos aliados. Ao final do encontro, nos primeiros minutos desta sexta-feira, os quatro candidatos se proclamaram vencedores do debate e de posse de pesquisas que os colocam no segundo turno, quando apenas dois poderão estar na disputa. 

O "loteamento de cargos e inchaço da máquina administrativa" foi enfatizado, assim como o descumprimento de promessas eleitorais, como a pedra no sapato de Jonas. Artur Orsi chegou a dizer que presidentes de partidos e até a esposa de um deles ganharam cargos de secretário municipal ou de diretor da Sanasa (empresa que cuida do abastecimento de água e tratamento de esgoto) para garantirem o leque de apoios que deu ao atual prefeito 60% do tempo de televisão no horário eleitoral gratuito.

Jonas, entretanto, afirmou que é dele a lei que limita a 4% dos funcionários públicos efetivos o número de comissionados e rebateu: "No Ministério Público é que há denúncia de funcionário fantasma no seu gabinete na Câmara Municipal (Orsi é vereador)".

O atual prefeito também saiu para o ataque e um dos seus alvos foi Dr. Hélio que, segundo pesquisas divulgadas, está na segunda colocação: "Nas minhas andanças pelas ruas tenho ouvido da população sobre o descontentamento do povo quanto a sua candidatura (o pedetista está na disputa graças a um recurso junto ao Tribunal Regional Eleitoral). Eu, se fosse o senhor, pediria desculpas para a cidade e renunciaria hoje". Mas o pedetista respondeu para o eleitor não acreditar em "boatarias": "Disseram que não sou candidato e fizeram de tudo para impedir que eu concorresse, mas no domingo apertem 12 e o meu rosto estará na urna. O importante para mim é que o único instituto de pesquisa que se pode acreditar é o 'datapovo'".

Para o petista Pochmann pesou contrário o fato de estar no partido que é o centro das investigações da Operação Lava Jato, com diversos dirigentes e militantes denunciados e presos. Em resposta a Jonas, que fez questão de enfatizar a vinda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Campinas, na última quarta-feira, com um público diminuto no comício, para apoiar a candidatura do petista, Pochmann lembrou que nas eleições de 2012 precisou entrar na justiça para impedir que o então candidato Jonas utilizasse imagens de Lula e da presidente cassada Dilma Rousseff em seus programas eleitorais.

"O senhor fazia questão de querer aparecer ao lado deles e hoje faz parte do grupo que apoia o governo Michel Temer, que quer reduzir os direitos trabalhistas do brasileiro", disse o petista. Jonas, porém, contra-atacou ao enfatizar que é preocupante pensar que o PT possa ganhar a Prefeitura de Campinas no momento que perdeu o governo federal e deverá perder a Prefeitura de São Paulo, necessitando recolocar muitos "companheiros" em cargos públicos.

Quanto as contas públicas, Pochmann previu que quem assumir em 2017 receberá "uma herança maldita". "Há uma desordem nas contas da Prefeitura que já não está pagando os grandes fornecedores e, depois das eleições, deverá fazer o mesmo com os médios e pequenos. Talvez não haja dinheiro nem para pagar os funcionários. É uma cidade que é um Boeing comandada por um piloto de teco-teco". Mas o prefeito rebateu a crítica ao afirmar que, "ao contrário dos últimos dez anos, as contas do meu primeiro ano de governo, que já foram julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado, foram totalmente aprovadas". Segundo ele, "especialista em quebras é o PT, que quebrou todo o País".

Sobre as obras realizadas pelo governo Jonas, como a pavimentação de muitos bairros da periferia, Pochmann disse que o que o atual prefeito se esquece de falar à população que elas são fruto de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3), enviadas à Campinas pela ex-presidente Dilma. Jonas, porém, se defendeu ao afirmar que o dinheiro é um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal e que será pago: "O importante é dizer que esse empréstimo só foi obtido porque consegui limpar o nome da Prefeitura, que estava sujo". Mas o petista lançou ainda um desafio ao eleitor: "Entre no Google e escreva Pochmann e corrupção e veja o que você acha. Depois escreva Jonas Donizette e corrupção e espere o resultado".

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