Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Em debate, pré-candidatos do PSDB ao governo de SP pedem suspensão das prévias

'As prévias estão completamente comprometidas', disse José Aníbal; em outro evento, João Doria disse que não foi convidado para o encontro

Pedro Venceslau e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

17 Março 2018 | 13h23

SÃO PAULO - No último debate entre os pré-candidatos do PSDB ao governo paulista, o suplente de senador José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, pediu a suspensão das prévias.

O tucano mostrou aos participantes uma reportagem do Estado que mostra os bastidores de uma reunião do PSDB na qual dirigentes admitem não haver como evitar fraudes.

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"As prévias estão completamente comprometidas. No relato da matéria do Estadão, o secretário Geral do PSDB chama as fraudes de efeito colateral. Efeito colateral significa roubo e fraudar a eleição", disse Aníbal.

Doria foi o único pré-candidato a governador do PSDB que não compareceu ao debate, realizado em uma universidade no centro da capital paulista. Pouco mais de 50 pessoas foram ouvir Aníbal, o cientista político Luiz Felipe Davila e o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro.

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Primeiro a falar, Aníbal também criticou a cobrança de R$ 45 mil feita pelo PSDB aos pré-candidatos. Depois da repercussão negativa, a executiva tucana recuou da medida. "Querem extorquir os pré-candidatos", disse o suplente de senador.

O prefeito João Doria também foi alvo de Aníbal. "O propósito do prefeito Doria é se servir da política. Seu desejo é a Presidência. Doria é um fator de desagregação no PSDB", disse Aníbal.

Em sua fala, Floriano Pesaro também citou a matéria do Estadão publicada hoje para criticar a organização das prévias. "A impossibilidade de fiscalização das prévias é algo que nos machuca", disse Pesaro.

Fora do debate. João Doria alegou que não foi convidado para o debate de hoje, em que participam os outros pré-candidatos do PSDB ao governo de São Paulo.

Durante visita ao bairro Heliópolis, na zona sul da cidade, o prefeito disse que não foge das prévias nem do debate e chamou de "perdedores" os outros concorrentes que questionam as primárias internas do partido.

"Nem fui convidado e não fui convidado para nenhum debate. Eu não fujo do debate e não fujo das prévias", disse Doria após assinar o lançamento de um edital de parceria público-privada para unidades habitacionais.

No mesmo horário, os outros três pré-candidatos - José Aníbal, Floriano Pesaro e Luiz Felipe d'Ávila - participavam do último debate antes do primeiro turno das prévias, que ocorre neste domingo, 18, no Estado de São Paulo.

O tucano repetiu que é "filho das prévias" e disse que quem contesta o processo é porque sabe que já perdeu. Reportagem do Estado publicada neste sábado revela que, em reunião do PSDB paulista sobre as regras das prévias do partido, dirigentes da sigla admitiram não ter à mão o cadastro de todos os filiados aptos a votar amanhã na disputa.

Membros do partido acusam o grupo aliado a Doria de agir para desestimular as demais pré-candidaturas e o diretório estadual do partido de fazer uma distribuição de urnas que favorece o prefeito. A direção tucana nega as acusações.

Doria comentou o caso afirmando que tucanos que contestam o processo são os mesmos que perderam as prévias para a disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2016. "Prévia é prévia, da outra vez já colocaram essa questão e os mesmos que perderam sabem que vão perder outra vez", disse o prefeito, após rir com a pergunta sobre as acusações de fraude. "Perdedor precisa ter dignidade e grandeza para disputar a eleição. Se não, nem entre para a política", declarou.

Perguntado se espera vencer as primárias já no primeiro turno, Doria respondeu que espera ganhar e é preciso aguardar amanhã. Se houver, o segundo turno ocorre no próximo dia 25.

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