Em debate, os dois candidatos admitem ter fumado maconha

Apesar de terem posições distintas sobre a legalização das drogas, os candidatos à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira, do PV, e Eduardo Paes, do PMDB, relataram ontem suas experiências com maconha. "Experimentei uma vez, muito menino. Fumei, traguei e não gostei", contou Paes, que disse ser totalmente contrário à descriminalização. Gabeira afirmou que fumou maconha no passado, mas não tem mais esse hábito, pelo menos no Brasil. "Não é razoável eu fumar no Brasil porque não é razoável ter posição de desrespeitar a lei." Gabeira, cujo início de carreira na política foi marcado pela defesa da legalização, disse que é assunto "para o futuro" e não deve estar em pauta enquanto as polícias do País continuarem despreparadas. "Daqui a 10, 15, 20 essa questão será resolvida." Paes disse ser contra "sempre". "A droga é uma chaga, uma tragédia para nossa sociedade. Não defendo a descriminalização em prazo nenhum, nunca fiz apologia de droga." Os dois participaram ontem à tarde debate promovido pela Folha de S. Paulo.Em entrevista depois do debate, Paes insinuou que Gabeira não disse a verdade ao afirmar que não fuma mais maconha. "Tem entrevista muito recente dele dizendo o oposto, mas não compete a mim julgar." Na edição de maio da revista Rolling Stone, Gabeira diz que não fuma no Brasil por ser ilegal e comenta: "Quando vou à Holanda, tenho a possibilidade, experimento." Gabeira provocou risos na platéia ao dizer que a droga que usa "muito" é H2O. O deputado afirmou também que consegue "efeito semelhante ao relaxamento produzido pela droga através da meditação." Em tom bem menos agressivo do que no debate da TV Bandeirantes, domingo, eles não trocaram acusações. Ao ser lembrado de que já chamou o presidente Lula de demagogo, populista e psicótico, Paes disse não se arrepender da atuação na CPI dos Correios, quando era deputado do PSDB e ficou na linha de frente dos ataques. Porém, reconheceu que se excedeu nas críticas ao presidente. "Eu não tenho o menor problema em me desculpar." Gabeira foi questionado por declarações como a de que "o presidente Lula sabia do mensalão" e "uma quadrilha domina o governo", feitas em 2005. Ao contrário do adversário, o candidato do PV, que já foi duas vezes do PT, não voltou atrás. "Eu não mudo minhas posições. O que eu disse naquele momento eu diria de novo." Recordou, no entanto, os vários momentos em que esteve com Lula, como no segundo turno da campanha presidencial de 1989 e nas campanhas de 1994, 1998 e 2002. Paes insistiu no discurso da parceria inédita da prefeitura, se for eleito, com os governos estadual e federal. Gabeira garantiu que teria uma boa relação com Lula.

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