Em debate na Record, Kassab e Alckmin trocam acusações

Prefeito diz que recebeu acenos do tucano para desistir de concorrer; ex-governador nega e insiste em ligá-lo a Pitta

Guilherme Scarance, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

O prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), disse que o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) tentou convencê-lo a não disputar a eleição em troca de participação em sua eventual gestão na Prefeitura de São Paulo e apoio a uma candidatura ao governo do Estado, em 2010. O tucano negou: "Minha vida não é de acordos, é de transparência". A troca de farpas marcou o debate de ontem à noite na TV Record - o terceiro embate na televisão, no qual se repetiram os ataques de vários adversários, principalmente de Paulo Maluf (PP), à petista Marta Suplicy. Análise: Marqueteiro diz que eleitor ?detesta briga? Ibope: Gráfico traz resultado da última pesquisa em SP Perfil: Veja quem são os candidatos à Prefeitura de SP A primeira provocação partiu de Alckmin, que acusou o prefeito de "incoerência", pela aliança com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). A resposta veio de pronto: "Até duas semanas atrás ele não tinha esse discurso." O prefeito insinuou que até superar Alckmin - 25% a 20%, segundo a última pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e pela TV Globo -, a relação entre os dois era cordial. "Ele me convidou para conversas, até para compor seu governo. Convidou para ser candidato a governador daqui a 2 anos."Em outro momento do debate, ao ser indagado se pediria apoio de Kassab no segundo turno, Alckmin retornou à polêmica: "O candidato disse que eu o havia convidado para ser candidato ao governo de São Paulo. Minha vida não é de acordos, é de transparência, aprendi com Mario Covas."O prefeito garantiu que as conversas ocorreram e declarou que o tucano, após ter caído nas pesquisas, "está irreconhecível". Informou que as reuniões foram presenciadas pelo presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, e pelo ex-secretário estadual de Educação Gabriel Chalita.A troca de farpas se estendeu por todos os blocos e envolveu outros temas, como o fato de Kassab ter integrado a gestão do ex-prefeito Celso Pitta. O tucano indagou, ainda, por que há 158 mil crianças fora da escola ou creche. "O candidato está mal informado. São 80 mil crianças." E citou "deficiências" na gestão do tucano no Estado: "Foram 86 escolas de lata."NA MIRAEm cenário similar ao do debate anterior, na Band, quando faltavam 25 dias para a eleição, Marta foi novamente atacada por vários concorrentes, indicando dificuldades à frente para fechar alianças no segundo turno. Maluf foi o principal adversário. Kassab também atacou: "Há 8 anos, ela fez as mesmas promessas, mas não investiu no Metrô, não fez hospitais, não extingui salas de lata, criou tributos." Ela também duelou com Alckmin sobre outro tema recorrente: se entregou ou não a prefeitura endividada. "Que cidade falida tem aprovação do Tribunal de Contas do Município, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal? Isso é politicagem, uma grande mentira." O tucano e Maluf, depois, contestaram.A candidata do PPS, Soninha Francine, e Maluf também protagonizaram várias cenas de atrito. Na primeira, ele não apenas ironizou o plano da adversária para expandir as ciclovias na cidade como emendou com uma pergunta: "Qual é a sua proposta para eliminar venda de drogas e maconha na porta das escolas?" A mesma indagação foi reiterada em outras duas ocasiões. A candidata do PPS respondeu que a repressão ajuda, mas é preciso também investir em educação e outros itens. Ainda no confronto Maluf X Soninha, o momento mais constrangedor foi quando ele exibiu a capa da revista Época na qual a então apresentadora de TV Cultura admitia ter fumado maconha. Foi advertido pelo mediador, Celso Freitas, de que não poderia exibir nenhum material. O ex-prefeito e deputado ainda cutucou a ex-petista sobre sua ida ao PPS: "Quais centenas de milhares de conselhos recebeu para trocar de partido?" Participaram também do debate Ivan Valente (PSOL), Renato Reichmann (PMN) e Ciro Moura (PTC), que protagonizaram algumas trocas de farpas. Valente tachou de "um delírio" o programa "Plus Saúde", que Moura exibe insistentemente na TV como solução para os problemas do setor.

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